Como ensinar as crianças sobre os limites necessários

Limites são importantes e essenciais na vida de todos nós. Vivemos cercados deles em todas as circunstâncias e momentos. Sem limites é impossível viver em sociedade e se relacionar em grupos ou com outra pessoa. Os adultos são responsáveis por inserir limites e orientar as crianças em relação a eles, ensinando-as a conviver com as delimitações existentes na vida, ou seja, com a realidade.

Quando explicamos os “porquês” à criança, ensinamos a ela, de maneira clara, o porquê de determinada delimitação.  Mostre à criança os benefícios do respeito ao limite ensinado. Além disso, reforce-a quando tiver uma atitude positiva e madura diante deles; por exemplo, quando ela sai da televisão e senta-se à mesa para comer; quando ela escova os dentes antes de dormir ou olha para todos os lados antes de atravessar a rua. Estas são situações de limites que permitem a criança seguir regras e criar disciplina.

Os limites não são colocados apenas pelo discurso, mas também, e principalmente, através da atitude que os adultos têm junto à criança e à vida como um todo. Portanto, se você não quer que a criança grite, bata e fale palavrão, não faça isso também. Esta atitude  será entendida pela criança como adequada, mostrando, ainda , valores e regras sociais importantes para seu amadurecimento e  convivência social.

Se o adulto for severo demais na imposição dos limites, ele terá também uma criança dura e áspera.  Crianças rígidas fazem birra quando você não compra o que ela viu na loja de brinquedo, a pipoca na porta da escola, enfim, não escutam e nem aceitam o “não”. Não adianta medir força e muito menos ser agressivo. O retorno será o mesmo: comunicação inacessível, desrespeito e falta de entendimento. Nada disso constrói algo positivo no relacionamento entre pais e filhos e na educação da criança que a ajude crescer. Aqui os limites são autoritários e impostos com certa dose de incoerência e inflexibilidade, e muitas vezes com agressividade verbal e ou física.

Por outro lado, se o limite não existir ou for fraco demais, a criança também não irá entender o que esperamos dela e nem terá parâmetros sobre sua conduta. Neste caso, não há condução, nem mesmo orientação. Aqui, muitas vezes, a regra passa a ser exceção.

As crianças precisam de um direcionamento, de um contorno. Precisam aprender a lidar com dificuldades e suportar frustrações. Precisam aprender a diferenciar entre necessidade e vontade como, querer assistir televisão, mas ter que dormir porque acordará cedo para ir à escola. Precisam aprender a discernir entre o dever e a escolha, por exemplo, fazer as tarefas da escola todos os dias, é um dever e não uma escolha. Precisam compreender os limites entre o poder e o querer, como não pode nadar porque está gripado e a água está gelada.

Para finalizar esta pequena reflexão, é importante dizer que, o bom ensinamento sobre limites é servido com afeto, coerência e boas explicações. Mantenha pulso firme quando achar que é adequado e para o bem da criança, para sua proteção e desenvolvimento físico, psicológico e social.

Ajudando seu filho a fazer escolhas

Escolhas nem sempre são fáceis. Escolhas falam de desejo, de poder, de abrir mão de alguma coisa, de ceder. Falam de autonomia, de identidade, de possibilidades; por isto, devem ser proporcionadas e permitidas à criança.

A criança que não tem a chance de escolher cresce colada no desejo, no poder, nas condições e possibilidades dos pais. É uma criança que não cresce emocionalmente. Na extremidade oposta estão as crianças cujos pais permitem que seus filhos façam escolhas que vão além da sua maturidade e capacidade de julgamento. Dois extremos muito perigosos, que acontecem quando a responsabilidade de uma escolha recai exclusivamente ou sobre os pais ou sobre a criança. Este modelo de escolha é marcado pelo autoritarismo, pela força de quem manda. Longe do ideal, o momento de escolha acaba se transformando num duelo de forças, onde vence quem fala mais alto, quem impõe seu desejo ou razão sem fazer nenhuma mediação com o mundo externo.

Escolher não é impor. Uma escolha só é possível quando, além do desejo ou razão, consideramos o que acontece ao nosso redor. O desejo de uma criança pode se realizar desde que não extrapole os limites de sua segurança, saúde e educação. Da mesma maneira, o desejo dos pais (ou mesmo sua razão) só pode se sobrepor ao desejo da criança quando seu objetivo é preservar a segurança, a saúde e a educação daquela. Nestes casos, cabe aos pais explicarem à criança porque aquilo que ela deseja não pode se concretizar e oferecer (ou reforçar) opções possíveis. Entendendo os porquês e as consequências de determinadas ações ou comportamentos, a criança aprende sobre o mundo, aprimorando, assim, sua capacidade de julgamento e, portanto, de escolhas.

Quanto menor a criança, maior a necessidade de mediação entre seu mundo interno e externo, entre o querer e o poder. Na primeira infância, a melhor maneira de ajudar a criança no processo de escolha é pré selecionando duas ou três opções que, além de garantir a segurança, a saúde e a educação da criança, considere as condições dos pais para sustentarem tal escolha. Este modelo pode ser empregado em escolhas simples, como a escolha de brinquedos, brincadeiras, passeio, vestuário e, em algumas situações, alimentação.

Na medida em que a criança cresce, contudo, este modelo, que restringe possibilidades, vai ficando obsoleto. Conhecendo e compreendendo melhor o mundo, a criança passa a ter um leque maior de opções. Neste momento é fundamental que os pais ajudem-na a avaliar os prós e os contras de cada possibilidade, dando à criança ferramentas que a permita tomar decisões que levem em conta seu desejo, o contexto da situação e sua capacidade de responsabilizar-se por tais escolhas.

Por mais banal que uma escolha pareça ser, ela é sempre uma oportunidade e um exercício de pensar e discernir. Pais aprendem o que seus filhos são capazes e os deixam crescer. Filhos ganham autonomia, aprendem a se responsabilizar pelos seus atos e conseguem conviver com a frustração de que nem tudo o que desejam podem ter, ao menos naquele momento.

Curiosidade Infantil

Por que aquele moço está dormindo na rua? Por que o pai da minha amiga não mora com ela e a mãe dela? Por onde nasce o nenê? Todo mundo casa?

Quando a criança pergunta, quer uma resposta que a ajude a entender a si e o mundo que a cerca. Sua curiosidade, manifestada na maioria das vezes através de uma simples pergunta, é um complexo exercício de elaboração de pensamentos e afetos. Por esta razão, deve-se tomar cuidado para não inibir os questionamentos, sentimentos e a construção do pensamento feita pela criança. 

Na ânsia de oferecer uma réplica, solução ou explicação, muitas vezes, adultos dão à criança uma resposta pronta, abolindo a chance dela apresentar suas próprias hipóteses sobre aquilo que quer saber. Como já se questionaram, pensaram e aprenderam sobre o assunto em questão, adultos acabam por responder-lhe automaticamente, atropelando o precioso exercício da criança  imaginar, construir pensamento e encontrar soluções.

No entanto, há situações em que não se tem a resposta pronta, seja por desconhecimento ou porque o tema abordado pela criança é angustiante ou permeado de preconceito e valores diferentes dos familiares – Por que o avião voa? Por que as pessoas morrem? Por que não vamos à igreja como minha amiguinha vai?  Inventar uma resposta nunca é uma boa saída. Se a criança questiona, ela quer e tem o direito de saber a verdade. Às vezes responder com outra pergunta é muito válido. Entender o que realmente a criança quer saber pode ajudar; muitas vezes, ela não está buscando informação e sim a compreensão dos sentimentos e emoções que vivenciou em determinada situação.  O importante é ser sempre claro e verdadeiro. Caso não tenha a resposta, deve-se dizer à criança que não a tem.  Não há problema algum em não saber. Mas quando a obtiver, é preciso oferecê-la à criança.

Por outro lado, dar à criança informações em excesso, que ela não esteja preparada para saber, não traz benefícios. Deve-se respeitar o movimento natural dela, respondendo somente aquilo que ela tem condições de digerir, de acordo com sua idade e maturidade. Além disso, é importante lembrar que pequenas perguntas são oportunidades para estreitar laços de confiança, garantindo que elas voltem a questionar sempre que interessadas.

O mais importante é construir junto com a criança um espaço onde a curiosidade possa existir e os valores sociais, morais e éticos sejam transmitidos, esclarecidos e pensados conjuntamente; onde o entendimento e contato com a realidade serão concretizados e a criatividade explorada. Um espaço aberto, de confiança, permitindo a conversa acontecer e a curiosidade servir como um aprendizado mútuo e criativo.

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