Além do simples ato de comer: o alimento constrói e une

A alimentação é fonte de vida, é momento primordial de restauração física, emocional e social. Através dela, crianças se fortalecem de afeto, de segurança e confiança; ficam satisfeitas não apenas física, mas também emocionalmente.

Leite materno, leite na mamadeira: crianças se alimentam das trocas afetivas (positivas e negativas) estabelecidas durante o ato de alimentar-se e tem a possibilidade de construir vínculos, seja com os alimentos ou com quem as alimenta. Mães abastecem bebês de sentimentos e crianças são capazes de percebê-los, principalmente quando amamentadas. Tudo isso porque, junto com o leite, a mãe acolhe, acaricia, olha e conversa com bebês e, estes, por sua vez, percebem as mães e seu estado de animo (se estão ansiosas, irritadas, dedicadas, tranquilas, serenas, etc.), alimentando-se destas sensações.

Em seguida, leite no copo, papinhas e alimentos sólidos. A cada sabor e textura introduzidos na alimentação da criança, oferecemos a ela um momento de novas descobertas de si e do mundo que a cerca. Aos poucos, de acordo com sua fase de desenvolvimento, a criança se depara com novas possibilidades e novas habilidades como, por exemplo, sentar-se para comer, mastigar, engolir, usar as mãos para comer com colher e depois garfo. Ensiná-las a comer e deixá-las explorar o alimento, através do paladar, toque e cheiro, permite a criança se interessar pelo novo e diferente. Através deste prisma, entendemos que, alimentar é experimentar em todos os sentidos (biopsicossocial).

Portanto, crianças se alimentam todos os dias de experiências diversas, dentro e fora da família, que marcam e constroem sua história pessoal.

As refeições em família servem, também, como reforço do vínculo e convívio familiar. A alimentação é um dos momentos em que pais se tornam referência, colocam regras e disciplina; ensinam a criança a cuidar de si mesmo, identificar e valorizar o que é bom e ruim para ela, reforçando, ainda, comportamentos (alimentares e sociais saudáveis), que a criança levará para sempre consigo.

Hoje em dia, em função da vida com tantos compromissos diários, os desencontros familiares acontecem frequentemente. Pais trabalham fora de casa e, na maioria das vezes, não realizam as refeições com os filhos. Vemos crianças fazendo suas refeições sozinhas, sem regras e em lugares inadequados, comendo na frente da televisão ou computador, sem prestar atenção no como e do que estão se alimentando.

A vida atribulada e a falta de tempo no cotidiano das pessoas, não pode ser desculpa para as refeições em família deixarem de existir. Pais devem aproveitar estes momentos para aproximar a família, construir e compartilhar valores. As refeições em conjunto marcam e registram a unicidade familiar, fazendo valer o sentido de família. Portanto, são momentos que devem ocorrer de forma harmoniosa, sem grandes interferências externas (interrupções e discussões, por exemplo) difíceis de serem digeridas, onde mãe/pai devem escutar seus filhos, conversar sobre temas agradáveis e incontroversos; dar e receber afeto, retroalimentando a saúde familiar.

E aqui, ficam as perguntas:

Como usar atividades cotidianas, como as refeições, para dedicar-se à família, sentir as pessoas e compartilhar, alimentando-se diariamente dessa convivência?

Será que não dá para eleger uma refeição diária para fazerem todos juntos?

 

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Post publicado em 24/07/2012 no blog “Cool*ruja”

 
 
Achei muito interessante este blog criado pelas psicólogas Patrícia Grinfeld e Verônica Carvalho que trata de diversos assuntos que os pais e mães acabam se deparando com o crescimento dos filhos e que nem sempre tem respostas fáceis: como e quando estabelecer combinados, quando tirar a fralda, quando é hora da atividade extra curricular, como encarar os diferentes tipos de birra, enfim, temas presentes na vida de praticamente todas as famílias e que nem sempre têm respostas fáceis ou um caminho único. Vale a leitura.

Deixe a criança entregar o presente em mãos!

Presente é o oposto da ausência; é o tempo atual, o tempo do aqui e agora. Presente é o que se dá a alguém. Palavras homônimas cujos significados se entrelaçam ao brindar um momento especial.

Os presentes carregam afetos de quem presenteia e provoca outros em quem ganha. É uma forma de marcar presença. Seu valor não está no quanto se paga por ele, mas naquilo que ele representa para quem o dá e para quem o recebe. Daí os encontros e desencontros de valores. Daí seu significado em cada uma das pontas do par presenteador-presenteado: presente “narciso”, aquele que acha feio o que não é espelho (é a cara do presenteador, mas não diz nada do presenteado), presente de Grego (é indesejável, ruim), presente “missão cumprida” (cumpre a meta de presentear pela obrigação social), presente “tiro no alvo” (acerta em cheio o desejo do presenteado porque existe sintonia entre presenteador-presenteado), presente surpresa (inesperado!). Simplesmente presente, gesto de estar e ir junto.

Pensemos no presente e na criança.

É bastante comum observarmos crianças fazendo desenho para mãe, colagem para o pai, cartão para um amigo e mais tarde dizer: “Fiz este presente para você”. Presentes desta natureza carregam o mais genuíno significado de dar e marcam o afeto que se tem pelo outro. Uma maneira autêntica de se fazer presente na vida de alguém.

Mas as crianças crescem e esta pureza mágica se dissipa também pela forte influência do mundo do consumo, que pulveriza como pesticida tudo o que vê pela frente, apagando as singularidades, impondo valores que desrespeitam a autenticidade da infância.  Infelizmente, este tem sido o presente do tempo presente.

Pensemos no presente, sob o ponto de vista do presenteador.

Quem já observou uma criança que entra em uma festa de aniversário com um presente na mão e alguém, que muitas vezes ela não tem a menor ideia de quem é, pede-lhe o embrulho (para que ele seja guardado) impedindo que o mesmo seja entregue ao aniversariante? Quem não observou, observe. A frustração da criança fica estampada no rosto, podendo até mesmo contaminar seu comportamento. Surgem reações de não querer entrar na festa, não querer cumprimentar o amigo ou outras desavenças que parecem comportamentos antissociais, mas que são, na verdade, expressões da sua decepção e descontentamento. Seu investimento em preparar, escolher, decidir ou apenas ser o portador do presente não é valorizado nesta postura banal e cotidiana que tem abolido o real significado do presente, a possibilidade concreta de troca de afeto, tão importante para as crianças pequenas.

Dar um presente é um gesto que diz o quanto a criança se sente especial na vida de alguém e o quanto este alguém é especial para a criança. Por isto, não dá para o presente não ser entregue em mãos, pelo menos enquanto a criança precisa da concretude para se expressar.

Pensemos no presente, sob o ponto de vista do presenteado.

Uma cena bem conhecida de todos nós é a do aniversariante que antes mesmo de dizer oi ao seu convidado estica o braço para ganhar o presente. Será que seu real interesse é pelo objeto em si, ou sua ânsia está ligada ao “o que o outro tem para me dar?”. Se a criança não pode abrir e descobrir o que tem no pacote, seu presente passa a ser uma podada na exteriorização dos seus sentimentos, na vontade de receber, conhecer e, a partir daí, retribuir.

Ser lembrado é sempre bom.  A presença é um presente momentâneo, mas o presente (comprado ou feito de com seus próprios recursos) é um registro para o futuro, uma maneira de desenhar na memória do presenteado a lembrança do presenteador (e vice-versa): o amigo, o pai, a mãe, a tia, o tio, a avó, o avô, a pessoa por quem há uma reciprocidade afetiva.

Quando o presente não pode ser dado e/ou aberto no aqui e agora, ele vira passado. Ao abri-lo depois, perde-se a troca: o olhar, o sorriso, o abraço, o beijo, a espontaneidade. Por isto, não podemos deixar um gesto tão bonito, rico e afetivo ser devorado pelas leis do mundo adulto, talvez pela mais forte delas, a lei do consumo. Criança aprende trocando, inclusive presente.

 

Comunicação através dos sentidos

Comumente, a comunicação está associada ao uso de palavras, principalmente pelos adultos,  que, muitas vezes, se detém apenas a elas para se expressar. Em contrapartida, crianças falam através de todos os sentidos. A comunicação se faz de maneira ampla e é construída a partir dos vínculos estabelecidos.

Ao observarmos o momento da amamentação (alimento físico e emocional do bebê), entendemos como ocorre a comunicação não verbal: através de trocas entre mãe-bebê, que revelam a sintonia entre o par. No início, quando o bebê não fala, a comunicação com a mãe acontece pela observação dos sentidos de ambos, e esta reciprocidade aumenta conforme o bebê cresce e a mãe consegue, com maior habilidade, decodificar o que a criança quer lhe dizer. Mais tarde, conforme a criança adquire outras habilidades de expressão, como a fala, esta característica do vínculo inicial (de compreender o não dito), tão importante e significativa em todas as relações interpessoais, fica diluída ou se perde.

Crianças, por mais que pai/mãe lhes perguntem na tentativa de obter uma resposta, muitas vezes não conseguem expressar em palavras o que está acontecendo. Neste sentido, as birras, choros, repulsas, sorrisos, gargalhadas e até mesmo o silêncio são formas de comunicação.

As palavras nem sempre conseguem dizer tanto como um olhar, um cheiro, uma escuta, um gosto ou um toque. As expressões corporais (como encolher o corpo ao sentir uma dor ou dar um pulo ao exaltar grande alegria) e faciais (como rosto rígido e olhar arregalados de medo), os tons de voz (como quando falamos sério e alto para repreender alguém) e odores (como cheiros específicos que mobilizas lembranças) revelam sentimentos de maneira não verbal. Por isto, precisam ser reconhecidos em sua importância, tanto quanto as palavras.

As experiências e o convívio estreito com as crianças aumentam e favorecem a comunicação não verbal. As danças compartilhadas, as brincadeiras coletivas, revelam como o elo entre as pessoas acontece. Ver, ouvir, tocar, cheirar e sentir são fontes de (re) conhecimento:

• de si mesmo,
• da situação (ambiente),
• do outro. Portanto, são fontes de interação.

OLFATO

A papinha exala um aroma peculiar e a própria criança pode reconhecer que é hora de se alimentar. Quando a criança chega em casa, sabemos, através do cheiro do seu suor, que ela teve um dia ativo na escola e brincou bastante. Além de todos os cheiros gostosos ligados à higiene, é possível inferir que a criança não está com a saúde 100% sentindo o odor que sai da sua boca ou nariz.

Quem nunca ouviu falar que o bebê reconhece o cheiro da mãe e, quando ela surge, seu corpo emite sinais de sua presença. Isto acontece não só entre mãe e bebê, mas também com as outras pessoas de seu convívio, cujos cheiros ficam registrados em nossa memória, e mais tarde, nos remeterá às mais variadas lembranças.

PALADAR

Na infância o paladar, traz novas descobertas, gostos e sabores. A alimentação é permeada de informações (sobre saúde e bons hábitos alimentares) e afetos, que a mãe/pai transmite no ato de alimentar.

TATO

O corpo fala, acolhe, repele, delimita. Expor as crianças a diferentes texturas, como exploração e reconhecimento do ambiente, é importante, pois indicam sinais de segurança, perigo e alerta.

Através de carinho, abraço, beijo, cafuné, massagem, banho, troca de fralda, entre outras comunicações através do tato, podemos falar e transmitir. Aqui a comunicação é intensa, carregada de sentimentos, sejam eles positivos ou negativos.

AUDIÇÃO

Ao ouvir uma música a criança fala sobre seus gostos e seu estado de ânimo; ao ouvir o som dos pais conseguem buscar suas referências.

Pais, ao ouvirem sons do corpo da criança, conseguem entender o que se passa com ela (respiração ofegante, coração acelerado de emoção forte, etc). São capazes de ouvir o sono agitado da criança que se mexe na cama, os barulhos que ela faz pela casa, seus passinhos. Muitas vezes mãe/pai sabem o que a criança está fazendo pelo som que produz. O silêncio (ausência do som) dela também diz muito.

VISÃO

Através do olhar da criança, mãe/pai podem identificar se a criança está com dor (e ficarem atentos a outros sintomas ou comportamento que possam ou não confirmar sua hipótese), sono e cansaço.

Abaixar-se para ficar da altura da criança e poder enxergar o mundo como ela enxerga é uma estratégia adequada quando conversamos com as crianças; olho no olho, sempre.

Só de olhar a criança, mãe/pai conseguem perceber se ela está irritada, triste, ansiosa e/ou angustiada; um olhar, que vai além dos olhos e atinge o coração. Quando isso acontece, pais conseguem, junto com a criança, reconhecer e nomear sentimentos.

Através da ligação entre as pessoas, adquirimos a capacidade de ouvir aquilo que não é dito e ver o que não é mostrado. Mãe/pai reconhecem o choro da criança de longe; ouvir o que eles querem ou necessitam antes mesmo deles solicitarem; pais escutam a voz da criança em casa mesmo ela não estando. Muitos chamam isso de intuição, pois esbarra na comunicação inconsciente entre ambos e da sintonia existente entre eles.

Porém, alguns cuidados devem ser tomados, pois a comunicação pode estar carregada de interferências e interpretações. Muitas vezes, as aparências enganam. A intuição deve ser levada em consideração, mas é importante também a observação ampla das situações para que nenhum equívoco ocorra e nem mesmo fatores relevantes deixem de ser considerados. Só assim podemos compreender o que o outro está nos dizendo e nos fazer compreendido. Neste sentido, a comunicação através dos sentidos é algo que deve ser resgatada e mantida em todos os relacionamentos estabelecidos ao longo da vida.

Retirada das fraldas: vão-se as fraldas, fica o carinho

A retirada das fraldas é um sinalizador de crescimento extremamente importante na primeira infância e reverbera em toda a família: sai de cena o bebê que deita para receber cuidados e entra em cena uma criança mais independente e autônoma, capaz de fazer por si mesma.

Dependendo como a criança e/ou os pais vivenciam o desfraldamento, o conforto e segurança garantidos pela fralda podem dar lugar ao desconforto e insegurança do que vêm pela frente – angústias, dúvidas, medo de errar, pressão. É a primeira vez em que a vontade de outrem não consegue sobrepor-se à vontade da criança; é a primeira vez em que a criança está no controle daquilo que muitas vezes não se controla. Por esta razão, o desfraldamento só tem chances de sucesso quando há sintonia entre a criança e todos aqueles que a ajudam neste complexo, e geralmente lento, processo de aprendizagem.

 Para garantir a sintonia necessária entre pais-criança é imprescindível:

 1)  Que o desfraldamento aconteça num ambiente acolhedor e estável, onde pai, mãe e outras pessoas envolvidas no processo adotem a mesma postura com a criança (coerência é fundamental em qualquer processo de aprendizagem). Também, é importante que este momento não coincida com situações de rotina irregular (como viagens), doença (da criança ou na família), nascimento de irmão, morte de ente querido, ausência temporária da mãe/pai ou alguém muito próximo à criança, mudanças (babá, empregada, casa, escola, professor, cidade, país; retirada de mamadeira, chupeta, paninho) ou qualquer outro episódio de ruptura.

 2)  Avaliar aspectos do desenvolvimento que sinalizem que a criança tem condições físicas e emocionais para iniciar o processo de retirada das fraldas:

• Maturidade fisiológica: entre os 18 e 30 meses a criança passa a controlar os esfíncteres, músculos responsáveis pela expulsão das fezes e urina. Nesta idade a criança, em geral, evacua apenas durante o dia (algumas crianças têm, inclusive, regularidade de horário), o que facilita a aprendizagem.

• Conquista de habilidades corporais, tais como: ficar de cócoras, cruzar as pernas, subir e descer escada; sentar-se sozinha no penico/vaso sanitário (com ou sem auxílio de um banquinho); tirar a própria roupa (considerando as roupas fáceis de serem tiradas, como as que têm elástico na cintura, sem zíper ou botões).

• Apresenta sinais de que fará ou está fazendo cocô: agachar-se, ir num cantinho reservado, entre outros.

• Expressa minimamente o que acontece ou quer, informando que fez ou quer fazer xixi e/ou cocô (mesmo que haja confusão entre o anunciado e o excretado).

• Entende ordens simples, como “Vamos ao banheiro”.

• Demonstra interesse em usar cueca/calcinha, em ver (e muitas vezes imitar) outras pessoas que usam o vaso sanitário ou penico, em empregar termos relacionados ao uso do vaso e as partes do corpo envolvidas na excreção, e na manipulação do genital como descoberta do próprio corpo.

• Permanece com fralda seca por mais de 1-2 horas ou acorda seca das sonecas diurnas.

Aos pais, cabe a tarefa de ajudar a criança a relacionar estas aquisições e interesses à sua condição de iniciar o desfraldamento. Quando a criança demonstra pouco interesse pelo assunto é importante que o mesmo seja introduzido pelos pais. Como?

• Apontando para a criança suas conquistas no crescimento, como andar, ir para a escola, não usar mamadeira, ou outras de relevância.

• Dando à criança oportunidade de ver pessoas (adultos e/ou crianças), preferencialmente do mesmo sexo, usando o vaso sanitário ou penico.

• Conversando sobre o uso do vaso sanitário/penico: para que servem, porque as pessoas os usam, o que é a excreção, o que acontece com os excrementos.

• Nomeando as partes do corpo envolvidas na excreção.  Dentro da família deve haver um consenso em relação à nomeação dos genitais e excrementos. Mesmo que se adote “apelidos” (como pipi, pintinho, periquita, xoxota, bumbum, buraquinho do bumbum, xixi, cocô), é importante também fazer a nomeação correta dos genitais (pênis, vulva, vagina), ânus, fezes e urina.

• Ajudando na conexão entre o sentir e o acontecer/agir e na compreensão das mensagens do próprio corpo – sentir vontade de evacuar e ir ao banheiro, eliminar gases e evacuar.

• Permitindo que a criança participe da escolha do redutor de assento e/ou penico e escolha de cuecas/calcinhas.

• Permitindo que a criança manuseie e brinque com suas cuecas/calcinhas, redutor de assento e penico, não apenas no banheiro, mas também em outras partes da casa – num primeiro momento a intenção é que estes objetos se tornem familiares à criança para que posteriormente cumpram sua função.

Outros recursos que ajudam pais e criança no diálogo do desfraldamento é o uso de bonecos que bebem água e fazem xixi, bem como livros e DVDs que abordam o tema.

Quando as condições da criança estão afinadas com a disponibilidade física e emocional dos pais é hora de encarar a tarefa do desfraldamento. A maneira como ela se dará depende de cada família. Alguns especialistas e pais preferem a técnica do treino com fralda, que consiste em tirar a fralda somente depois que ela se apresentar totalmente seca por alguns dias (a criança fica de fralda e é convidada a usar o vaso/penico toda vez que expressar sinal ou desejo de excreção ou em momentos regulares, como ao acordar, após um período de ingestão de líquidos ou após as refeições). Outros preferem tirar a fralda de uma vez por acreditar que a criança aprende se percebendo (esta técnica é usada especialmente no verão, quando a criança tem a possibilidade de ficar com pouca roupa ou nua, percebendo quando faz xixi ou cocô). Seguindo um ou outro caminho, o importante é estar atento a alguns aspectos que podem dificultar, ou mesmo impedir, a retirada das fraldas:

• Ritmo da criança: quando a criança apresenta resistência no início ou meio do processo, o desfraldamento não deve ser forçado. Respeitar o tempo e a disponibilidade emocional da criança é importante para todos. Vale lembrar que quanto mais madura estiver a criança, mais rápido acontece o desfralde.

• Tentativa de controle dos pais: nesta faixa etária a criança já não aceita ser controlada, quer explorar o mundo, falando, andando, correndo, subindo. Imagine então, como se sente quando é cobrada para deixar as fraldas… Ninguém consegue controlar o cocô ou xixi de ninguém! A cobrança para um treino rápido, sem escapes pode ser vivida pela criança como uma tentativa de controle daquilo que só ela pode controlar. Se por um lado o tempo da criança precisa ser respeitado, por outro os pais precisam dispor de tempo, cronológico e emocional, para acompanhar a criança na aquisição desta competência. A criança só consegue segurar o xixi e o cocô se estiver segura, tranquila e acolhida em seu ambiente familiar.

• Dupla mensagem: numa situação pode usar fralda, em outra não pode – isto confunde a criança (daí a importância de ter uma rotina garantida durante o desfraldamento). Se o exercício for ficar sem fralda durante o dia ele deve ser o mesmo, não importa se em casa ou na rua.

• Conotação negativa dos excrementos: falar do mau cheiro ou aspecto (nojento, por exemplo) do excremento é o mesmo que dizer para a criança que o que ela produz não é bom.

• Elogios e punições: elogios demais podem complicar momentos de falha (a criança sente-se muito cobrada). Punição e repreensão jamais devem ocorrer quando o assunto é desfraldamento; além de ser um desrespeito ao tempo da criança, podem gerar sentimentos de fracasso e incompetência.

O desfraldamento é um marco na vida da criança. Controlar o incontrolável implica em conhecer seu corpo e se reconhecer como sujeito desejante. O que está em jogo é o que a criança pode e quer. Por isto, é preciso cuidar para que o desejo dos pais não obstrua o desejo da criança; é preciso cuidar para não racionalizar um momento tão especial e importante com muitas explicações e pouco afeto. Mesmo crescendo e deixando a fralda, a criança precisa de um olhar que encontre o seu: o mesmo olhar da mãe que carinhosamente troca a fralda do bebê.

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O Ninguém cresce sozinho oferece Rodas de Conversa sobre a retirada das fraldas. Para saber quando elas acontecem, consulte nossa Agenda.

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