Falando sobre morte com crianças

A criança se depara com a morte pela curiosidade em saber seu significado ou diante de sua concretude. Por volta dos três anos, ela começa a tecer as primeiras questões sobre o tema, mesmo período em que seu interesse pela origem dos bebês é despertado. Isto não é coincidência. Vida e morte estão atreladas do início ao fim.

Morremos porque vivemos. Esta é a única lei que não se burla e a única certeza que não se contesta. Muito embora saibamos da universalidade e irreversibilidade da morte, nem sempre é fácil falar quando vivências dolorosas são lembradas, quando se imagina que a morte está distante da vida e que falar sobre ela provoca medo, sofrimento e angústia gratuitos.  Se o adulto está preso a uma destas situações ou ideias, quando a criança traz o assunto, o que deveria gerar uma conversa, acaba por virar uma desconversa – “Deixe isto para lá”, “Que besteira!”, “Por que você está pensando nisto?”.

Falar sobre morte com naturalidade e acolhimento ajuda a criança a compreender o fenômeno e a esclarecer mal entendidos que por ventura tenham sido criados (inclusive, é uma oportunidade para o adulto desfazer fantasias assombradoras criadas ao longo de sua vida). Da mesma maneira que introduzimos uma variedade de assuntos aos pequenos, devemos aproveitar as brechas cotidianas para falar sobre morte: uma formiguinha esmagada pelo sapato, uma barata estatelada no chão, as folhas que caem das árvores, as flores que murcham ou perdem as pétalas são ricos disparadores de uma conversa sobre o ciclo da vida.

No início da investigação sobre a morte, a criança apresenta perguntas bastante pontuais. Como vida e morte são faces da mesma moeda, é interessante que as respostas, objetivas, estejam relacionadas à vida:

Por que se morre? Porque vivemos.
Quando uma pessoa morre? Quando ela termina de viver.
Você vai morrer? Tudo o que tem vida um dia morre.
Quando você vai morrer? Não sabemos quando vamos morrer; talvez, quando eu tiver vivido bastante.
 

Conforme a criança cresce as perguntas vão se sofisticando e em algum momento ela perguntará o que acontece depois da morte. Por isto, independente da crença familiar sobre vida pós-morte, é importante que junto com o ciclo da vida também se aborde a questão da transformação – as queimadas, as estações do ano, a reciclagem – para que a criança possa entender o que é decomposição dos corpos.

Devemos assegurar para a criança que a morte faz parte da vida, mesmo que algumas vezes ela chegue muito antes de se ter vivido o bastante. A morte não deve ser assunto velado. Para deixar a conversa bastante viva, é oportuno que a criança tenha acesso a livros, músicas, filmes e outros materiais que abordem o tema, bem como tenha a oportunidade de brincar “de morte” sem censura.

Se a simples investigação do que é morte e morrer deve ser franca, clara e direta, quiçá quando a criança perde um ser com quem ela se relaciona. Não adianta dizer que a pessoa ou o animal que morreu dormiu para sempre, ainda está hospitalizado, foi viajar, fugiu. Estas são respostas que omitem a verdade que a criança precisa ouvir. A criança que recebe respostas desta natureza entra em conflito entre o que é dito e o que percebe seu no entorno – expressões faciais, silêncio, agito, mudanças na rotina e principalmente, mais cedo ou mais tarde, a ausência permanente do ser amado. Não dá para evitar o inevitável. A morte, como qualquer outra perda, faz parte da vida e por isto a verdade, sobre ela e sua causa, precisa ser dita tanto para saciar a dúvida, quanto para ajudar na elaboração do luto. Sofrer faz parte da vida. Querer evitar que a criança sofra é um equívoco que também traz sofrimento, seja pelo que é imaginado (quase sempre num silêncio solitário), seja pelo sentimento de falta de confiança e traição desencadeados por não ter sido noticiada sobre o acontecimento. Para suportar e superar o sofrimento, todos nós precisamos da verdade, por mais que ela doa. Quando não a temos, construímos um saber que pode ser bem mais dolorido e complicado de ser desmontado do quando a realidade nos é apresentada com algum amparo.

Ao falar da morte de alguém querido vale chorar, lembrar, abraçar, muito. Não tem nenhum problema a criança presenciar o sofrimento de outras pessoas; aliás, isto é uma forma de autorização para que ela também possa expressar o que sente. Permita que ela fale, veja fotografias, brinque de morrer, desenhe, leia livros sobre o assunto, ouça músicas, reze, escreva, faça presentes para o falecido, tenha algum pertence que foi dele e que diz sobre a relação de ambos, se isto for espontâneo e por quanto tempo for necessário. A criança sinaliza o tempo que ela necessita para se acostumar com a perda. É o mesmo princípio do luto com preto – enquanto se veste preto, sabe-se que a pessoa está em luto; enquanto a criança estiver em processo de elaboração do luto, deixe-a expressar, representar, repetir o tema quantas vezes ela quiser, o quanto ela precisar.

Mesmo havendo espaço para diálogo, muitas crianças expressam seu sofrimento calando-se, tendo comportamentos regredidos, agressivos, diferentes do que era habitual. Não adianta repreender a criança. Algumas vezes os sentimentos diante da morte demoram a surgir. O importante é oferecer meios que facilitem sua expressão. Deixe à mão papéis, lápis, giz de cera, livros, e não evite falar sobre o falecido na sua presença, nem diretamente com a criança. A criança precisa perceber que o ambiente é capaz de acolhê-la em sua dor.

Uma questão bastante comum quando quem morre é alguém muito próximo à criança é se ela deve ou não acompanhar o velório e cemitério/crematório. Esta é uma opção que cada família deve tomar de acordo com suas crenças e limites emocionais e/ou logísticos. Porém, vale saber que até mais ou menos os 12 anos, a experiência concreta é fundamental para o entendimento dos fatos. Quando a criança pode experimentar ela tem mais recursos para entender. No caso da morte, sabemos que é muito mais difícil, inclusive para os adultos, encará-la quando os caixões são lacrados ou os corpos nunca são encontrados. É como se mantivesse vivo um “fio de esperança” de um caixão vazio ou trocado, ou de um corpo que pode retornar com vida. Imagine, então, como não é para uma criança que é mantida longe da concretude propiciada pelos rituais de passagem: a morte é vivida apenas no plano do imaginário, com direito a caraminholas de toda sorte. Participar dos rituais de passagem pode facilitar a compreensão da morte em nível concreto, mas não minimizará o sofrimento. Não participar também não impede de desconstruir fantasias e construir a realidade.

Por mais que os rituais de passagem, as explicações sobre os ciclos da vida e as transformações ajudem entender o processo da morte e do corpo morto, quando a morte de um ser querido acontece, somos tomados por muitos sentimentos distintos, às vezes contraditórios e inéditos, que vão de encontro com seu lado mais sombrio: não sabemos como a morte é de fato. Com ou sem apoio das religiões, nos apoiamos naquilo que nos conforta para construir um sentido não funcional para a morte: vida eterna, descanso, reencontro de pessoas queridas. A criança (real e a que nos habita), ao mesmo tempo em que precisa do concreto, precisa do sonho, da poesia que  nos faz humanos e dá leveza à vida.

Quando a morte pode ser falada, o lúdico e a imaginação podem assumir seu papel acalentador, dando um chega pra lá em seu lado mortífero assustador. Se a imaginação vem com doses generosas de realidade, dá até para dizer que o morto virou uma “estrelinha no céu”. O mais importante é cada família encontrar seu conforto com a morte, transmitindo para a criança a mensagem de que quando alguém amado morre, ele continua vivo na lembrança, em nossos corações.

Post publicado em 23/10/2012 no blog “Lilica e Tigor”

 

Criado pelas psicólogas Patrícia Grinfeld e Verônica Carvalho, o blog Ninguém cresce sozinho trata de diversos assuntos que papais e mamães acabam se deparando conforme o crescimento dos filhos.

Como nem sempre as respostas são encontradas facilmente, o blog fala sobre esses temas comuns em todas as famílias. A gente super indica a leitura.

Erros e acertos: tradições e transgressões familiares

Cara ou Coroa? Toda moeda tem dois lados que podem se alternar de tempos em tempos. A maternidade e paternidade podem ser uma dádiva, realizadora e prazerosa, mas também vêm acompanhadas de situações, sentimentos e comportamentos desconfortáveis e ambíguos. Questionamentos surgem, discussões e desacordos se instalam – entre pais e destes para com os filhos – provocando, inquietações e dúvidas constantes para ambos os lados, principalmente quando se quer medir o certo e o errado, o bom e o ruim.

Quando erramos encontramos a oportunidade para entender e avaliar o que é certo e vice-versa. Neste sentido, todo acerto e erro nos servem para o crescimento, aprendizado e mudanças. Da mesma maneira, costumes e hábitos tradicionais – tidos como certos e transmitidos de geração em geração – se registram diante de uma traição e transgressão deles. Tradições vêm para a preservação do status quo, para a sobrevivência da sociedade e de um coletivo (família, casamento, etc). Toda traição – vista como erro e também como pecado no sentido moral-religioso – está ligada a uma transgressão desta normatização já imposta.

Grandes traições se manifestam nas relações familiares. O transgressor rompe com uma estrutura tradicional, propõe outras leis e outras regras, passa a ser visto como errado e suas atitudes são contestadas e inaceitáveis. Crianças desobedecem, deixam os pais irritados, precisando falar mais de mil vezes a mesma coisa. Na escola ou em casa a indisciplina aparece e pais, em sua maioria, ficam chateados e/ou preocupados, tentando entender o que está acontecendo, sem falar na frustração que se instala. Indisciplina por falta de limites, para chamar a atenção, por falta de conhecimento ou apenas por um simples questionamento de uma lei ou regra imposta que a criança está querendo entender? Quantos pais se baseiam em tradições inquestionáveis para educar seus filhos e trazem consigo conceitos que ditam como imutáveis dentro de um movimento onipotente – narcísico – e sufocante de serem os detentores da verdade e daquilo que é correto. E se alguém se atrever a sair fora desta ordem – trair – está errado, o julgamento e a repreensão ocorrem e a culpa pode aparecer. Quantas pessoas crescem com culpas que não lhes pertencem.

Certo e errado falam de situações relativas e não absolutas e recebem influência direta do ambiente e da relação com as pessoas, podendo surgir brigas e disputas. Há um desencontro natural de desejos, expectativas e objetivos para que, em seguida, haja acertos individuais e familiares. Pais e crianças transgridem no sentido de irem a busca de uma assertividade. Se há entendimento, conversa respeitosa – olhando os dois lados da moeda – torna-se um acerto. O “erro” surge diante de uma violação e postergação de uma resolução ou submissão do que é imposto pelo outro, sem possibilidade de questionamentos. Há “erros” que são repetições, mesmices, que impedem sair do lugar; ficamos apegados a certezas imparciais e somos enganados por elas. Quantas crianças – e adultos também – na eminência de um “erro”, são podadas em suas experiências de aprendizagem.

Toda transgressão é positiva quando ligada ao compromisso com a preservação, com a evolução e construção de identidade, mas também, com as mudanças e novos acordos entre pais e deles com os filhos. É impossível mudar sem se expor ao “erro” e estas mudanças não se concretizam quando detectadas como sendo errôneas. Transcender é estar em constante movimento de aprendizado e descoberta de valores sociais, mas também individuais, que garantem a nossa existência enquanto indivíduos. Filhos nem sempre cumprem com o que é esperado pelos pais, com o que é convencional ou conveniente, mas, em busca de sua individualidade e evolução, abrem mão do que é “certo” para fazer o que é bom para si. Pais precisam entender e, com respeito, orientar.

Assim, acertamos quando estamos conectados a uma coerência e integridade de vida, sem culpa, sem falso moralismo. Erramos quando ficamos vinculados a uma passividade diante daquilo que pode ser mudado para melhor – evolução da pessoa e do social como um todo.

Certo e errado definem limites para a conduta humana e devem ser analisados dentro de um contexto legítimo, e não somente sobre a ótica dos outros, senão passa a ser equívoco, pois só se enxerga a forma e não a essência, a roupa que se veste e não quem está dentro dela. Quando os olhos não veem além de si, há um choque como um raio de luz capaz de cegar momentaneamente, tomando tudo que vem do outro como desobediência e indisciplina.

Baseados em erros e acertos, mães e pais aprendem com seus filhos e vice-versa, tentando buscar a dose certa e o equilíbrio. Eis o mais difícil: o equilíbrio, que ao desequilibrar aprende-se a equilibrar novamente, como uma balança que algumas vezes pende para um lado e depois para outro.

“Conversa para pai dormir”, livro de Ilan Brenman

Este é daqueles livros infantis que mais parece livro para gente grande, tamanho o ensinamento que ele nos confere! Nele, e em seu quase homônimo, que apresenta mesmo conteúdo, Conversa pra pai dormir, Ilan Brenman mostra como os pais podem, com argumentos estapafúrdios, se enrolar diante de uma simples pergunta ou colocação, no caso, “Pai, eu quero dormir no seu quarto!”.

Num duelo entre as argumentações de Gabi, a personagem, e as “enrolações” (tentativas de explicação) de seu pai, ao final do livro descobrimos que a verdade é o melhor caminho para uma conversa sem rodeios.

Além de apontar o quanto as crianças são mais espertas do que muita vezes pensamos, esta obra é uma bela reflexão para pais, junto com os filhos, pensarem e conversarem porque cada um deve dormir no seu quarto (e cama!).

Conversa para pai dormir / Ilan Brenman; ilustrações de Guilherme Karsten. São Paulo: Brinque-Book, 2012.

Conversa pra pai dormir / Ilan Brenman; ilustrações de Elisabeth Teixeira. São Paulo: Girafinha, 2008.

Faixa etária sugerida: 2-6 anos (leitura compartilhada) e 6-8 anos (leitura pela criança).

A “descoberta” de que os pais podem um dia não existir

Reúno aqui dois depoimentos de mães que ilustram com muita clareza o temor de morte dos pais, vivido pelas crianças entre os 6-7 anos:

1. (…) “Tenho dois meninos, um com 5 anos e outro com 6 e meio. Eles estavam assistindo tranquilamente ao começo do filme do Nemo, quando o mais velho começou a chorar desesperadamente. Ele veio até onde eu estava com lágrimas escorrendo pelo rosto. Fiquei assustada e perguntei o que era; parecia que algo horrível tinha lhe acontecido. Soluçando, ele disse que não gostava daquele filme porque a mãe do Nemo morre e que ele pensa que eu e o pai podemos morrer. Enquanto ele chorava disse também que às vezes tem pesadelo com a gente [pais] morrendo e ele ficando abandonado (…).

Fiquei pensando se isto é normal nesta idade porque quando eu era pequena eu lembro que eu ficava imaginando quem iria cuidar de mim se os meus pais sofressem algum acidente. Acho que carreguei este medo por bastante tempo, nem sei quanto.

Essa história de ter pesadelo eu não sabia que ele tinha, mas eu vinha desconfiando que isto acontecia porque tem noites que ele acorda e vem todo sonolento procurando por mim ou pelo pai na casa. Sempre pergunto se está tudo bem e ele diz que sim. Ele nunca tinha falado que tinha pesadelos, mas eu achava estranho isto de acordar meio dormindo só pra procurar a gente. Depois que ele nos encontra, volta a dormir numa boa. Ele sempre dormiu bem, a noite inteira, mas de umas semanas pra cá começou a acordar assim.

Também lembrei que outro dia ele saiu correndo, gritando desesperado porque achou que um guardador de carro que corria na mesma direção dele ia pegá-lo. Eu nunca tinha visto uma criança tão desesperada gritando ‘mamãeeeeeeee!’ Será que isto tudo é uma coisa só?” (…)

2. (…) “Minha filha, 7 anos, chora de tempos em tempos dizendo que não quer crescer porque quer ficar na nossa casa para sempre, ficar no quarto dela, com as coisas dela; não quer que nada mude. Acho que isso é um sinal de que ela gosta da vida que ela tem, associado ao monte de mudanças que tivemos nos últimos tempos [mudança de cidade, casa e escola]. Não sei se faço mal, mas eu asseguro-a que, não importa o tamanho que ela tenha ou onde ela esteja, a gente [pais] vai amá-la do jeito que ela for, do tamanho que ela tiver, criança ou adulta, aqui ou na China! Eu cuido muito para não dizer que vamos estar ‘do lado dela fisicamente’ porque ela está na fase que tem sonhos onde eu morro. Fase de medo que as pessoas morram. Eu digo para ela que também tinha muito esse medo e que minha mãe não morreu. Aí ela citou ‘é, mas a mamãe do papai morreu, minha vovó’.”(…)

Todos nós já tivemos a experiência de sonhar com alguma coisa que vivemos durante o dia. Os sonhos, assim como os pesadelos, nos permitem reviver conteúdos diurnos, mas também são uma grande oportunidade de conhecer o que se passa em nosso inconsciente.

Com o início da troca da dentição de leite pela permanente, a criança percebe que, assim como “perde” seus dentes, também pode “perder” seus pais. Esta percepção se dá em nível inconsciente e se revela através dos pesadelos de morte dos pais. Junto dos pesadelos, podemos observar outras situações em que este temor se expressa, como no desejo de não querer crescer, na possibilidade de um sequestro imaginário ou mesmo em situações que se sente abandonada pelos pais (ser esquecida na escola, ser deixada para trás em um passeio).

A vivência simbólica da perda, permitida pelo pesadelo ou por situações que se apresentam no cotidiano da criança, coloca-a diante da falta e da necessidade de ter que se virar sozinha. Se de um lado “perder” é um passaporte para o crescimento, de outro, aparece a angústia frente ao desconhecido, que só é amenizada mediante a segurança de que crescer não é sinônimo apenas de perdas.

Que bom que estas crianças dos exemplos acima puderam falar sobre este temor necessário para seu desenvolvimento emocional, não importa se relatando pesadelos, através de um filme ou de um grito desesperado para que a mãe não desaparecesse. Melhor ainda que estas mães conseguiram dar suporte à angústia dos filhos, escutando o que eles tinham para dizer, validando com suas próprias experiências que toda criança nesta idade teme a morte dos pais.

Ao poder falar sem ser julgada, a criança é acolhida em sua angústia, o temor vai ganhando forma através das palavras e o vínculo de confiança pais-filho é fortificado. Desta maneira, constrói-se a tão necessária segurança que todos nós precisamos para enfrentar a vida sem a presença dos pais. É como se na conversa sobre o temor de morte dos pais, estes estivessem dizendo: “em você estão nascendo novos dentes, fortes, bonitos, capazes de mastigar o que vier pela frente”.  Se os pais ajudam a criança a se sentir confiante e segura, certamente ela terá mais recursos para se virar na ausência, mesmo que em vida, dos pais. A morte, como da mamãe do papai da menina do segundo exemplo, é inevitável; não dá para dizer “Não vou morrer”.

“Sonhar” com a morte dos pais permite a criança reconhecer seu temor ligado ao seu próprio crescimento, independência e diferenciação em relação aos pais e ao mundo. Perceber que é possível “perder” os pais é se perceber como alguém diferente deles, o que é um belo indício que a criança está crescendo bem. Por isto, os terrores noturnos não devem ser motivo para assustar ninguém. Eles são sinal de boa saúde mental.

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