“Mamãe botou um ovo!”, livro de Babette Cole

Neste livro, Babette Cole coloca leveza e diversão num tema que ainda encontra barreiras nas conversas entre pais e filhos: como os bebês são feitos. Com muita graça, lembra-nos que: 1) quem determina o momento da conversa é a criança e não os pais (se a conversa não acontece assim, corre-se o risco de se falar sobre o que a criança não tem interesse, ou, chegar tarde demais, depois que ela já aprendeu por outras fontes – a única exceção para os pais “chamarem” para a conversa é quando a criança, até uns 6 anos de idade ainda não manifestou interesse pelas questões ligadas a sexualidade, o que é muito raro acontecer)  ; 2) a explanação, que na estória mais parece uma embromação,  não é um bom caminho, ainda mais quando ela vem com explicações fantasiosas!

Sua sensibilidade sobre o universo infantil não deixa escapar a importância da participação de ambos os pais na conversa sobre o tema: a mãe descreve “como as meninas são feitas” e o pai se encarrega da descrição dos meninos. Embora as descrições sejam uma brincadeira de palavras, elas revelam o quanto mãe e pai são os principais modelos de identificação para a filha e o filho, respectivamente.

Na estória, os donos das caraminholas são os pais e quem não tem nenhuma dificuldade em falar sobre como os bebês são feitos são as crianças, que dão uma bela lição em seus e em muitos outros pais! Um livro que não pode faltar nas estantes por onde crianças entre 3-7 anos circulam.

Mamãe botou um ovo! / Babette Cole. São Paulo: Editora Ática, 1996.

Faixa etária sugerida: 3-7 anos (leitura compartilhada) e 7-10 (leitura pela criança).

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Bullying: intolerância às diferenças

Recentemente ouvi de uma mãe que a escola onde seu filho, 10 anos, estuda chamou-a porque o menino vinha praticando bullying contra um colega. Na sua fala existia um gozo pela valentia, coragem e liderança do filho. Os detalhes da natureza da violência são desnecessários nesta reflexão.

O que me chama a atenção é que esta mãe, antenadíssima em tudo o que diz respeito à alimentação saudável, consumo consciente, sustentabilidade, educação de qualidade e coletividade, se deleitou ao contar a façanha do filho. “Segura” e decidida, é proprietária de argumentos que convencem o mundo de que está certa (como de fato muitas vezes parece estar) e quem está do lado oposto ao dela, errado.

Divergências existem, são esperadas, saudáveis e construtivas; isto não é motivo de surpresa. O que salta aos olhos, no entanto, é que até esta situação ocorrer, a mãe em questão não havia percebido que no seu radicalismo entre o correto e o incorreto, o necessário e o supérfluo, o útil e o inútil, seu filho estava aprendendo que a vida é feita extremos. Entre, aqui, não significa meio termo, mas a dicotomia presente no discurso e atitudes materna: artificial X natural, comprado X reciclado, público X privado, bom X ruim, entre outros.

A criança aprende pelas referências que tem. Transferir a ela esta cisão da realidade é o mesmo que dizer que o mundo é feito de rígidos opostos: o bonito e o feio, o forte e o fraco, o inteligente e o burro, o saudável e o doente, o magro e o gordo, o rico e o pobre, o esperto e o tolo, o gostosão e o espinhudo. Se não há trânsito entre os extremos, não importa quais sejam eles, as diferenças não se conversam; ao contrário, se atraem e se chocam.

Quando “zoiúdo”, “baleia”, “marica”, “narigudo” ou qualquer outro adjetivo que se transforma em sujeito “bate e volta”, “entra por um ouvido e sai pelo outro”, estamos diante de alguém que desenvolveu um escudo protetor contra ataques, um recurso interno de proteção que o defende das peripécias da vida. Aceitar-se como diferente do outro (não como estigma, mas como ser único) é ter segurança e autoconfiança necessárias para a construção desta barreira. A falta dela (a visão de mundo polarizada) é ao mesmo tempo um imã e um alvo certeiro para quem quer atacar, já que atrai exatamente porque o outro não encontra meios de defesa. Um par perfeito para quem carrega em si a rigidez de enxergar o mundo apenas sob sua própria ótica.

Do ponto de vista psíquico, criatividade e rigidez são antônimos. Enquanto a primeira caracteriza aqueles que reconhecem a pluralidade e conseguem “brincar” com as diversidades, a segunda “acha feio o que não é espelho”, estando presente naqueles que não conseguem olhar para além do próprio umbigo, mesmo que seu discurso e tentativas sejam contrários.

O bullying – de bully, do inglês, mandão, tirânico – caracteriza-se por atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, por um ou mais indivíduos contra também um ou mais indivíduo. Apesar de o termo estar em uso há poucos anos, as situações de violência pela intolerância às diferenças individuais e grupais sempre existiram. Vide as guerras.

Aparentemente, agressor e agredido são antagônicos – o mal e o coitado. Ora, em ambos os lados reside uma postura engessada decorrente da dificuldade no trato com as diferenças, uma sob a forma de ataque e a outra de paralisia. É por isto que tanto quem pratica quanto quem sofre o bullying são vítimas; vítimas de uma cultura que na prática tem sustentado e valorizado a massificação, a falta de singularidade. No entanto, “esquece-se” que mesmo que se tenham os mesmos pais, vistam a mesma roupa, tenham o mesmo carro, estudem na mesma escola, as pessoas são diferentes e as diferenças não podem ser tidas como defeito, inferioridade, nem como vantagem ou maior valia.

Um cego tem uma percepção tátil e auditiva que aqueles que têm o privilégio da visão raramente conseguem ter. Uma criança com Síndrome de Down em geral desenvolve uma afetuosidade que muitos não conseguem desenvolver. São inferiores? O cara cheio da grana, que pode comprar tudo, nem sempre é o mais feliz ou bem sucedido em todas as áreas da vida. O que vence em todas as corridas, pode ser um derrotado, por exemplo, nas relações amorosas. São superiores? Não, são todos diferentes uns dos outros, cada qual com suas características e potencialidades.

Enquanto vivermos avessos à pluralidade das coisas, valores, princípios, emoções, ideias, jeito de ser, prevalecendo os pré-conceitos e o que eu quero e penso, não existirá o outro enquanto sujeito desejante e pensante. Ou seja, não haverá saída para as situações conhecidas atualmente como bullying.

O “narigudo” carrega uma herança biológica, mas também cultural. O “gordinho” pode assim ser porque mergulha nos prazeres gastronômicos. O menino mais sensível tem uma habilidade que pode ser um grande diferencial em relação aos “machões de carteirinha”. Por que não se aventurar a conhecer este “outro” lado de cada um? O mundo precisa de todos. Por isto, desde muito cedo devemos educar a criança para as diferenças e, consequentemente, para o respeito a si e ao outro. Já é mais do que hora de encorajarmos as crianças (e a nós mesmos) a conviver com as diferenças e a julgar somente a partir da experiência, e não de conceitos imaginados e pré-estabelecidos.

As crianças aprendem a partir do que observam. Quem só anda de carro porque transporte público é para “os outros”, se coloca numa posição de superioridade. Quem não pode brincar com um amigo que é mal educado, perde a chance de descobrir as demais qualidades daquela criança. Quem escuta sempre que é a criança mais linda do mundo, não conseguirá achar outra tão ou mais bonita do que ela.

Em qualquer desses gestos ou palavras, mesmo que despercebidos ou não intencionais, as crianças vão aprendendo que as diferenças não encontram espaço de expressão. Seu único caminho acaba sendo negá-las, pelo ataque ou pelo silêncio. É a sementinha para o bullying acontecer, seja como agressor ou agredido.

A sexualidade infantil no tempo e espaço do adulto

Mamãe, onde eu estava antes de eu nascer? Como entrei na sua barriga? Como saí dela?

O que é namorar? Você vai ter outro filho?

Mamãe, o Pedro falou que os pais deles transam. O que é isso?

O que é camisinha?

Hoje na escola o João chamou a Helena de puta.

Embora a sexualidade infantil tenha sido “descoberta” no início do século XX, ela continuou sendo ignorada, ou mesmo anulada, pela maioria das pessoas por muitos anos mais, já que a ideia de infância, pura e sem pecado, parecia incompatível com o conceito de criança como ser sexual, um ser que busca prazer em seu próprio corpo conforme as etapas do seu desenvolvimento.

As dificuldades em lidar com os comportamentos de caráter sexual infantil fizeram, e ainda faz muitos de nós, ignorar, negar e até mesmo repreender a criança em situações de interesse ou manifestação de sua própria sexualidade. Um exemplo clássico é explicação sobre a origem dos bebês a partir da cegonha, repolhos, sementinhas comidas pela mãe ou até mesmo como um “produto” comprado no supermercado. Explicações estapafúrdias para se esquivar da verdadeira resposta sobre a concepção.

Se de um lado o fácil acesso ao conhecimento e a maior abertura para o diálogo nos auxiliam na compreensão das manifestações da sexualidade infantil, de outro, temos encontrado dificuldade em lidar com várias situações em que a sexualidade da criança se expressa. Por quê? Porque as crianças têm sido cada vez mais expostas a situações que envolvem a sexualidade adulta e as relações humanas.

A primeira pergunta feita pela criança relacionada à sexualidade refere-se à curiosidade sobre seu nascimento e sua origem – onde ela estava antes de nascer, como ela entrou na barriga da mãe, como ela se alimentava lá dentro e como saiu de lá.  Cada uma destas perguntas exploratórias e naturais da infância, em geral feita entre os 34 anos de idade, merece uma resposta simples e verdadeira, assim como outros questionamentos que surgem vinculados às descobertas do corpo e aos relacionamentos afetivos. No entanto, presenciamos manifestações e discursos infantis que vão além daquilo que é experimentado e “esperado” no mundo infantil.

É evidente que vivemos uma mudança na dinâmica e comportamentos da criança, antecipado por sua exposição ao mundo e ao tempo do adulto, dentro e fora de casa. Além disto, as vivências infantis se ampliaram uma vez que estão inseridas numa sociedade permeada de paradoxos, diferenças e variáveis. Nos dias de hoje, as perguntas vindas das crianças estão mais complexas porque a vida assim se apresenta: filhos de pais separados, irmãos de pais diferentes, filhos sem pai ou que não vivenciaram a presença de pai e mãe no mesmo lar, crianças educadas pelos avós, dificultando a diferenciação de papéis exercidos por eles, e até mesmo crianças criadas por dois homens ou duas mulheres.

Mas não pára por aí. O belo está associado ao sensual e muitas vezes nos remete ao sexual. O erotismo, o culto ao corpo e sua exposição, marcados em todos os âmbitos sociais, faz com que os temas abordados pelas crianças não se esgotem na simples curiosidade ou manifestação da sexualidade esperada para sua idade. O mundo adulto invadiu o mundo infantil através dos meios de comunicação, brinquedos, vestuários e produtos de diversas naturezas que transformam a criança num adulto mirim. Desodorante próprio para crianças (que ainda não apresentam sudorese elevada para fazer uso deste produto), sutiãs com bojo (para as meninas que não desenvolveram as glândulas mamárias), sandálias de salto alto, maquiagens especiais, bonecas e roupas sensuais, são apenas alguns exemplos do quanto a adultização e erotização da infância da menina tem ultrapassado os limites saudáveis da brincadeira e experimentação do mundo da mulher adulta. Hoje elas não usam mais os sapatos grandes da mamãe ou da vovó; elas têm os seus.

Com as músicas e danças de conteúdo sexual, cujos refrãos e passinhos obscenos são tão bem reproduzidos pelas crianças, elas aprendem que o que é de cunho privado é público. O exibicionismo e “poder” do masculino são reforçados para além do instinto que já lhe pertence; desde pequenos os meninos são estimulados a olharem eroticamente para as mulheres nas propagandas de revistas e na rua, chamar-lhe de gatinha/gostosa e entitular coleguinhas de namorada.

Estímulos desta natureza jogam a criança contra a experiência sexual própria da infância, na medida em que a invadem no tempo, no físico (provocando, inclusive, alterações endócrinas) e no social. Por isto, a simples pergunta sobre a origem dos bebês torna-se cada vez mais complexa, já que vem acompanhada de outras mais: O que é boiola? O que é sexo oral? Para que serve um vibrador?

Por acharem “engraçadinhas” as manifestações adultas reproduzidas pelas crianças, e sem a consciência do que isso pode provocar nelas, muitos adultos acabam estimulando comportamentos adultizados que ultrapassam aquilo que é saudável. Estas manifestações precisam ser repensadas e redirecionadas, uma vez que extrapolam o tempo, a experiência e  a condição emocional necessária para o bom desenvolvimento da criança.

Perguntas e comportamentos sexuais devem surgir de acordo com a curiosidade própria de cada etapa do desenvolvimento, entre elas: sobre a origem dos bebês,  as diferenças sexuais, jogos e manipulações genitais.  A diversidade e as diferenças existem e devem ser apresentadas às crianças conforme sua capacidade de compreensão e curiosidade/questionamentos como forma de respeito para consigo mesma.

Se pensarmos que a expectativa de vida das pessoas aumentou nos últimos anos, para quê estamos diminuindo a fase infantil e acelerando, cada vez mais, as vivências que pertencem ao mundo adulto? Crianças não aprendem de maneira voraz, sem paciência, cheias de informações que exigem tempo de maturação física e afetiva para serem tratadas e digeridas.  Devemos pensar na sexualidade infantil sob a ótica da criança, inseridas não no tempo veloz e agressivo do adulto, mas em um tempo que é respeitoso com aquele que está crescendo e aprendendo. Precocidade é porta aberta para vulnerabilidade. Vamos fechá-la?

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“Menina Nina – duas razões para não chorar”, livro de Ziraldo

Escrito para crianças, este livro traz personagens da própria história do autor, Vivi (sua esposa) e Nina (a neta primogênita).

A história se inicia com a alegria da avó pelo nascimento da primeira neta e seu fascínio pelo novo papel familiar a desempenhar.

O mundo da avó, suas coisas, como pedacinhos mágicos e secretos, vão sendo descobertos com a convivência entre as duas protagonistas: a memória, a história familiar, a História de um tempo. Um convite para pensar na importância das avós (e avôs) na vida das crianças, no encantamento de suas casas (tão cheias de lembranças sensoriais), das suas companhias e permissão para se viver histórias que só avós autorizam: experimentar, fazer, “inventar a vida”.

A morte inesperada da avó, decorrente de um enfarte, leva a curiosa Nina tentar entender mais esta dimensão da vida: “Vovó, você nunca disse que queria ir embora assim, sem dizer adeus.” Sentimentos de ser abandonada, de não ser gostada, de ter sido traída, perpassam as perguntas da menina, trazendo um excelente material para falar sobre as fantasias e os sentimentos desencadeados pela morte de alguém querido.

Mas as perguntas de Nina, como de todas as crianças que podem falar sobre a morte, não param por aí. A menina questiona, com perguntas simples e diretas, a cumplicidade que tinha com a avó, seu próprio crescimento e “destino”. Abre portas para falar como ficará a vida sem aquela pessoa tão especial.

Em meio a tantas perguntas, como confortar “a dor que não entendemos”?

Ziraldo apresenta “duas razões para não chorar”, razões que se traduzem pela crença da existência ou não da vida eterna. Se lá de cima do Céu quem amamos nos vê, como um anjo ou estrelinha, ou, se a morte é um descanso em paz, um “sono sem sofrimento”, cabe a cada família passar para a criança o que mais lhes conforta.

Menina Nina – duas razões para não chorar / Ziraldo Alves Pinto. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2002.

Faixa etária sugerida:  4-7 anos (leitura compartilhada) e  8-12 anos (leitura pela criança).

Quando o crescimento dos filhos esbarra em dificuldades dos pais

Mamãe, qual é / Larga do meu pé (…)            

Quem não conhece a música de Paulo Tati e Zé Tati, Larga do meu pé, do CD Carnaval, não associa este começo da música a uma marchinha de carnaval para crianças, mas a um filho de que está dizendo: Sai chulé, quem gruda é cola! Desgrudar significa poder crescer.

Embora a imagem de crescimento dos filhos esteja muito ligada às girafas-réguas pregadas na parede, ou às calças compridas, que de uma hora para outra viram calças pula-brejo, sabemos que, do ponto de vista físico, os centímetros adquiridos a cada período só tem significado real quando atrelados ao peso da criança, que por sua vez depende de uma série de fatores, como o genético, o nutricional e o fisiológico. Do ponto de vista da saúde emocional, crescimento até pode ser mensurado com números, mas eles revelam menos do que a matemática das habilidades que a criança adquire e é capaz de aplicar na vida.

Crescer significa ter autonomia para fazer, pensar, discernir, decidir, escolher. Crescer, só é possível quando se pode acreditar em um ser, em si próprio ou em alguém: crer+ser. De um lado pais que confiam na sua tarefa, de outro, filhos confiantes em poder seguir adiante.

Bom seria se esta regrinha fosse objetiva e simples assim, com cada um seguindo seu rumo. Infelizmente, nem sempre a vida caminha neste sentido.

Para muitos pais é difícil perceber, e até mesmo aceitar, o crescimento do filho, pelas mais diversas e singulares razões, normalmente relacionadas a seus próprios temores e necessidades. Ao invés de liberar o filho para a vida, muitos pais, em intensidades diferentes, o mantém debaixo da sua asa, como se fosse um pintinho ameaçado por um grande predador. Via de regra, quem se sente ameaçado não é a criança, mas os pais, que vivenciam o crescimento dos filhos como perda. Perda do quê, é a pergunta que não pode ficar sem resposta, mesmo sendo difícil respondê-la.

A criança sempre está sinalizando que está pronta para seguir, mas os pais podem ser um obstáculo. O filho pede para dormir sem a fralda noturna (e tem maturidade para isto), mas porque o pai curte o momento de colocar a fralda em seu “bebezinho”, a família opta pelo não desfraldamento. Os pais trocam a roupa dos filhos que já são capazes de realizar a tarefa, só para ganhar alguns minutos (que podem ser muitos) na rotina diária. O filho anuncia que vai limpar o bumbum sozinho, mas a mãe o impede a fim de evitar que ele se meleque, meleque o banheiro e deixe restos de cocô no bumbum. Pais que dão comida na boca do filho mesmo quando ele já consegue usar garfo e faca. Histórias como estas precisam de outro final.

Quem não quer que o filho cresça, que continue brincando de boneca, de plástico, pano ou outro material. Filho não é brinquedo. Se colocar fralda é uma curtição, está na hora de novas descobertas e invenções. Se a criança despende tempo grande para se vestir, dê a ela mais tempo, nem que isto implique em colocar o despertador mais cedo. Cocô faz meleca sim, mas se a criança não aprende pequena, vai precisar de alguém para limpá-la até quando? Comida na boca para crescer forte e saudável? Tem conceito errado no meio do caminho!

Não há fralda que se tire que não venha acompanhada de escapes. Não há roupa que se coloque sozinho que não venha um dia (ou muitos) do lado contrário ou torta. Não há criança (e às vezes adulto) que não apresente mancha de cocô na cueca ou calcinha, nem que morra de fome se não comer alguma refeição. Isto é fato.

Nestes exemplos, e em muitos outros, a criança mostra que é capaz de dar um passo pra frente, mas é segurada pelos pais, pelo seu desejo, necessidade, medos, pré-conceitos e outros entraves. Como consequência, a criança acaba tendo dois caminhos: o do “grude”, da cabeça baixa que responde ao que os pais permitem mesmo indo na direção contrária ao que a criança é capaz, e; da “rebeldia”, o famoso chega pra lá, que é a via mais saudável, mas nem sempre possível, especialmente em se tratando de crianças pequenas.

Quando a criança sinaliza que tem recursos para seguir adiante, pais precisam dar sinal verde. Se para os pais é difícil reconhecer as capacidades da criança e as suas dificuldades, converse com alguém que possa ajudá-los nesta tarefa (um bom canal são os orientadores da creche ou da escola que conhecem bem a criança). Afinal, não dá para crescer sem aprender. Não dá para aprender se não der para falhar. Não dá para falhar se alguém faz por alguém.

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