“O peixe e a passarinha”, livro de Blandina Franco

Como tantas histórias para criança, esta começa com “Era uma vez…”,  fala de um grande amor e termina com um final feliz. Mas sua diferença está na diferença.

De um encontro casual, surge uma longa amizade entre uma passarinha, que vivia no galho de uma árvore às margens de um  rio, e um peixe, que morava neste rio. A amizade transforma-se em amor. Indignados, pássaros nos céus e árvores, e peixes na água, queriam, cada qual do seu canto, proibir o namoro destes dois apaixonados tão diferentes. Afinal, onde uma passarinha e um peixe fariam um ninho se um vivia nos ares e o outro na água?

Ninho? A passarinha e o peixe não haviam pensado nisto. De dia, brincavam e dividiam “todas as coisas divertidas da vida… E quando a noite chegava, cada um ia para o seu ninho sonhar o seu sonho… seu sonho um com o outro…”  Um dia, resolvem aumentar a família. Como? Adotando uma rã!

Com ilustrações tão serenas como o jeito leve e gostoso da passarinha e o peixe levarem a vida, Blandina Franco e José Carlos Lollo nos convidam a olhar para as diferenças como encontro e não como repulsa, impossibilidade ou separação, mostrando, ainda, que não poder gerar um filho não é impedimento para tê-lo.

O peixe e a passarinha / Blandina Franco; ilustrações de José Carlos Lollo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2012.

Faixa etária sugerida: a partir dos 3 anos (leitura pelo adulto) e a partir dos 7 anos (leitura pela criança).

o peixe a a passarinha

Protegendo a criança do abuso sexual

Recentemente assisti estes dois vídeos, que trazem um diálogo sem rodeios com a criança quando o assunto é abuso (sexual, no primeiro, e de toda forma, no segundo), tanto na prevenção quanto na denúncia.

 

O primeiro vídeo, preventivo, me foi apresentado pela mãe de uma criança de 5 anos, que questionava o quão criacionista, excessiva e direta era a mensagem para uma criança nesta faixa etária. De fato, ele fica meio sem sentido para as famílas que não educam seus filhos a partir da ideia de que o mundo foi criado por Deus. Porém, traz conteúdos importantes, que jamais devem ser deixados de lado quando falamos com crianças sobre abuso sexual.

O segundo vídeo integra uma campanha da Fundación ANAR (Ayuda a Niños y Adolescentes en Riesgo), uma organização sem fins lucrativos sediada na Espanha que se dedica à promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes em situação de risco e desamparo em seu país sede, México, Peru e Colômbia. O anúncio tem o brilhantismo de conseguir atinguir, ao mesmo tempo, agressor e agredido com mensagens valiosas e distintas, uma vez que abusador e vítima quase sempre estão muito perto.

Estatísticas pelo mundo afora revelam que o abuso sexual (e outras formas de violência) acontece em todas as classes sociais e, na grande maioria dos casos, dentro da própria casa, por pessoas conhecidas e da confiança da criança, e não por pedófilos ou psicopatas. Por isto, o limite entre o que é abuso e o que é carinho às vezes se confunde, dificultando a consciência da criança do ato abusivo. Pfeiffer e Salvagni[1] nos mostram isto com primazia:

O agressor usa da relação de confiança que tem com a criança ou adolescente e de poder como responsável para se aproximar cada vez mais, praticando atos que a vítima considera inicialmente como de demonstrações afetivas e de interesse. Essa aproximação é recebida, a princípio, com satisfação pela criança, que se sente privilegiada pela atenção do responsável. Este lhe passa a ideia de proteção e que seus atos seriam normais em um relacionamento de pais e filhas, ou filhos, ou mesmo entre a posição de parentesco ou de relacionamento que tem com a vítima.

As abordagens, que se tornam cada vez mais frequentes e abusivas, levam a um sentimento de insegurança e dúvida, que pode permanecer por muito tempo, na dependência da maturidade da vítima, de sua estrutura de valores e conhecimentos, além da possibilidade ou não que teria de diálogo e apoio com o outro responsável, habitualmente favorecedor, consciente ou não, da violência.

Quando o agressor percebe que a criança começa a entender como abuso ou, ao menos, como anormal seus atos, tenta inverter os papéis, impondo a ela a culpa de ter aceitado seus carinhos. Usa da imaturidade e insegurança de sua vítima, colocando em dúvida a importância que tem para sua família, diminuindo ainda mais seu amor próprio, ao demonstrar que qualquer queixa da parte dela não teria valor ou crédito. Passa, então, à exigência do silêncio, através de todos os tipos de ameaças à vítima e às pessoas de quem ela mais gosta ou depende. O abuso é progressivo; quanto mais medo, aversão ou resistência pela vítima, maior o prazer do agressor, maior a violência.

É por isto que a situação de abuso sexual só finda mediante denúncia contra o agressor e medidas de proteção à vítima.

Embora a ocorrência de violência sexual seja mais frequente nas famílias em que um de seus integrantes (adulto ou adolescente) tenha sofrido abuso sexual na infância, não podemos fechar os olhos acreditando que “isto tudo está longe da própria realidade”. Mesmo que esteja, é importante lembrar que  na porta ao lado a realidade pode ser outra, por mais que pareça a mesma – as aparências enganam!

Não é incomum o relato de crianças que presenciam na casa de amigos, vizinhos e parentes, situações que envolvem apresentação de material pornográfico ou brincadeiras com contato físico íntimo com adolescente ou adulto, atitudes consideradas violência sexual tanto quanto o voyeurismo, o exibicionismo e ato sexual (com ou sem penetração). Por isto, a única forma de proteger as crianças do abuso sexual é construindo conjuntamente a ideia de intimidade, privacidade e respeito.

Esta tarefa deve começar bem cedo, já com os bebês, aos quais devemos anunciar e pedir licença no momento de limpeza de seus genitais e bumbum, como forma ir ensinando que tais contatos têm por finalidade a higienização (pelo menos até a entrada na adolescência). Por volta dos 23 anos, quando a criança começa a perceber as diferenças sexuais e querer tocar no corpo do outro, é fundamental reafirmar que seu corpo é só seu, bem como o do outro é somente do outro, nomeando quais situações ele pode ser tocado por outra pessoa – higiene e exame médico (na presença de um adulto responsável). Nesta idade, é possível anunciar que quando ela for maior e conseguir se limpar ou banhar sozinha, já não será mais necessário que tais e tais pessoas (nome de quem exerce esta tarefa) a ajudem. Assim, a criança vai entendendo que num momento de sua vida somente ela estará autorizada a tocá-la intimamente.

A conversa sobre as partes íntimas (é importante que elas sejam nomeadas com o mesmo vocabulário usado pela criança) deve acontecer nos momentos em que o corpo está em questão para que não se transforme num discurso de permissões e proibições, que coloca medo, assusta e inibe o contato saudável e necessário com as pessoas de seu convívio familiar e social.

Da mesma maneira que falamos sobre quais partes do corpo não podem ser tocadas por outras pessoas (e não apenas estranhos!), é importante ressaltar que se alguém tocá-la ou tentar tocá-la é preciso que a criança saia de perto, grite, peça ajuda e conte para um adulto, de preferência os pais/responsáveis, mesmo que ela tenha medo, dúvida ou tenha sido solicitada a manter-se em silêncio. Vale lembrar nesta e em outras oportunidades que existem sim “pessoas más” – que roubam criança, matam, gostam de brincar com as partes íntimas das crianças ou pedir para que a criança brinque com as dela. Se esta informação vem na forma de conversa, diálogo, ela funciona como alerta e não alarme.

Aqui, faço um parêntese em relação ao primeiro vídeo, ou a qualquer outro material que seja apresentado sem nenhuma conversa anterior. A criança não verá sentido no que está sendo apresentado ou se sentirá acuada, receosa em estar com as pessoas. O medo paralisa, impede viver, não ajuda a pensar e tomar atitudes necessárias.

É bastante comum a criança perguntar se pode brincar com o corpo do amigo. Por mais que exista exploração entre as crianças (e entre as da mesma idade esta investigação é esperada), é importante frisar que não brincamos com genital, ânus, nádega, mama e boca de outras pessoas, assim como não podemos permitir que elas brinquem com estas partes de nosso corpo. O limite eu-outro precisa estar bem claro para que a criança possa se defender das situações mais comuns de abuso: as que vão acontecendo “como quem não quer nada” e se intensificam em número de ocorrências e grau de contato íntimo.

Proteger a criança contra o abuso sexual é dar-lhe condições de reconhecer e dizer até onde o outro pode estar em contato com seu corpo. Há crianças que não gostam de receber beijos, abraços, apertinhos. Isto precisa ser respeitado. Há crianças que têm autonomia suficiente para cuidar do seu próprio corpo. Isto precisa ser respeitado. Há crianças que dormem muito bem sozinhas. Isto precisa ser respeitado. Há crianças que adoram se esparramar no sofá sem ninguém “grudando” nela. Estas e muitas outras situações semelhantes precisam ser respeitadas.

Quando o respeito pelo corpo da criança acontece dentro da própria casa, a criança terá mais condições de colocar uma barreira entre seu corpo e o corpo do outro. A prevenção do abuso começa em casa, com atitudes simples, que, sem sombra de dúvida, terão muito mais efeito do que qualquer material que a ensine como se proteger.


[1] Pfeiffer, L. e Salvagni, E.P. – “Visão atual do abuso sexual na infância e adolescência”. In Jornal de Pediatria, vol. 81, n° 5 (Sup), 2005, p. S199.

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O Ninguém cresce sozinho oferece Rodas de Conversa sobre sexualidade infantil. Para saber quando elas acontecem, consulte nossa Agenda.

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NCS é referência bibliográfica no InfoEscola com “Nina Menina”

A resenha “Menina Nina – duas razões para não chorar”, livro de Ziraldo, publicada aqui em 12/11/2012, é referência bibliográfica no site Infoescola.

O livro é imperdível para quem quer pensar sobre relacionamento entre avó e neta, e morte de avó.

InfoEscola

Mãe

Uma frase chavão, porém verdadeira: “Quando nasce uma mãe tudo se torna diferente”. A maneira de viver, de se relacionar, de pensar e sentir sofrem mudanças, assim como os objetivos e sentido de vida, o olhar para as pessoas e para a sua realidade.

Quando falamos sobre mães sempre fica a sensação de faltar algo a ser dito, uma vez que estamos diante de um “mundo” complexo,  marcado por subjetividades.  Mãe não nasce pronta, filho também não. Juntos constroem a cada dia uma relação, carregada de possibilidades e particularidades, cada qual – mãe e filho – com sua personalidade e temperamento, registrando a unicidade desta relação.

Mãe: uma diferente da outra. Têm mães pré-ocupadas e ansiosas, mais desconfiadas, que tentam se cercar de segurança e controle; têm aquelas mais tranquilas, que resolvem as coisas conforme vão aparecendo. Há mães que trabalham fora, outras que trabalham em casa; as que recebem ou contratam ajuda. Dentro de cada realidade, a maioria das mães assumem responsabilidades que são capazes de suportar, de acordo com suas condições físicas, psíquicas e sociais, podendo, muitas delas, ultrapassar limites e se desdobrar um pouco mais. Algumas mais presentes e envolvidas; outras mais ausentes, que em determinados momentos, não conseguem se descolar de seus próprios problemas, precisando, elas mesmas, serem olhadas e cuidadas. Mães mais corajosas em determinadas situações e outras mais temerosas. Mães que amam incondicionalmente ou condicionalmente, apesar da raiva, frustração, dor, sofrimento, e tantos outros sentimentos que invariavelmente estão presentes na relação com o filho. Em alguns momentos da vida –   pontuais ou não – se tornam mais exigentes e/ou pouco afetivas; em outros, mais companheiras e acolhedoras. Há dias onde as dúvidas e questionamentos as deixam inquietas e vulneráveis; outros nem tanto, podendo apenas desfrutar da satisfação de ser mãe.

São inúmeras as situações que registram as diferenças de cada mãe e desta para com seus filhos e família em geral.  Uma não é melhor ou pior que a outra. Todas são mães, diante de suas possibilidades de realização.  Nenhuma mais ou menos mãe que a outra, dentro de seus conceitos, valores e condições, e em grande parte, fortalecidas pelas suas convicções, sejam elas quais forem.

Apesar das variadas atividades e funções exercidas pelas mães, todas as possibilidades são construídas, inventadas e reinventadas, durante o processo da maternagem, de acordo com as infinitas situações (positivas e negativas) vivenciadas por cada uma delas. Suas experiências, mesmo que semelhantes, tem significados singulares. Daí, a diversidade e complexidade de SER MÃE.

Entre um obstáculo e outro, o aprendizado surge (ou não) a cada dia em sua vida e na vida das pessoas que a cercam. Para aqueles que estão fora da relação, fica difícil alcançar e compreender o sentido único de cada experiência. E, de repente, os julgamentos e conceitos de “certo” e “errado”, “bom” e “ruim”, “saudável” e “doentio” aparecem dentro de uma realidade vista com certa parcialidade, principalmente frente às dificuldades. Como consequência, algumas mães são criticadas pelo simples fato de se desconhecer as razões e emoções (conscientes ou inconscientes) que permeiam suas ações. Mães, que mesmo sabendo que se tivessem atitudes diferentes, seriam melhores, não as fazem.  Por quê? Ser mãe é fazer aquilo que está ao seu alcance, naquele determinado momento, frente suas condições emocionais, físicas, familiares, mas sempre, com uma capacidade inerente de superação e transformação.  Suas limitações e imperfeições devem ser respeitadas – o que não significa ficar acomodada –  até que consigam (com ou sem ajuda) fazer de outra forma, a partir de novas oportunidades e descobertas que a vida e as relações lhe oferecem, propiciando, em muitos momentos, conscientização e autoconhecimento.

Em meio às múltiplas transformações, o mais valioso é não perder a própria liberdade de ser quem realmente são. Independente de ser aquela que gerou e/ou criou, mãe representa a experiência simbólica de alguém que alimenta física e emocionalmente, que acolhe, protege e ensina a viver e crescer, mesmo diante de todas as adversidades.

E para você? Ser mãe é…


 

Chupeta, mocinha ou vilã?

O uso da chupeta divide opinião entre pais e especialistas, não apenas no que se refere às questões mecânicas e funcionais, mas também em relação aos aspectos emocionais envolvidos.

Alguns alegam que seu uso é prejudicial, especialmente nos primeiros meses de vida, por atrapalhar o aleitamento materno tanto na pega do bico, quanto na produção de leite – tal pressuposto justifica o protocolo de muitas maternidades de não permitirem seu uso enquanto o recém-nascido está sob seus cuidados. Aos opositores da chupeta, podemos acrescentar aqueles que entendem que a necessidade de sucção é plenamente atendida com as mamadas (o que leva muitos a advogarem pela amamentação por livre demanda), ou, que se esta necessidade não for suprida com a amamentação, poderá ser obtida chupando o próprio punho ou dedo. Vale ressaltar que a sucção é um reflexo natural do recém-nascido, podendo ser observado já na vida intrauterina com os bebês que chupam dedo.

Em contrapartida, temos aqueles que defendem seu uso por: 1) temerem a instalação de um hábito que utiliza parte do corpo, mais difícil de ser erradicado posteriormente; 2) entenderem que o seio materno ou bico da mamadeira não deva ser fonte de prazer desvinculada da alimentação; e, 3) acreditarem que a chupeta assegura certa “tranquilidade” ao bebê e a quem cuida dele.

Seja qual for o ponto de vista que norteia o uso ou não da chupeta, é importante considerar que cada bebê é um ser único, com necessidades específicas e nem sempre congruentes com as necessidades ou possibilidades do adulto cuidador. Assim sendo, alguns bebês podem ter maior ou menor necessidade de seu uso, podendo, inclusive, recusá-la sem buscar um substituto.

Já nas primeiras mamadas, o bebê descobre que a sucção, além de fonte de alimento, é também fonte de prazer e, por consequência, de relaxamento e bem estar. Conforme vai explorando o mundo que o cerca, incluindo seu próprio corpo, percebe que pode obter sensação semelhante à obtida durante a amamentação; por isso ele leva à boca, o dedo, o punho, um pedaço de pano e, mais tarde, outros objetos e brinquedos, de forma mais ou menos intensa. Ele quer repetir as experiências prazerosas e confortantes (atenção, carinho, acolhimento, segurança) que ele teve com as mamadas. A chupeta, neste sentido, pode ser um recurso interessante.

No entanto, a equação do seu uso não traz um resultado exato, como revelam os dois significados que a palavra chupeta tem na língua inglesa: pacifier = pacificador, acalmador e dummy = mudo, calado. Sua função tranquilizadora não pode ser silenciadora.

Entender o que um bebê quer dizer não é tarefa fácil, especialmente nos primeiros meses de vida, quando mãe, pai, cuidadores e bebê estão se conhecendo. Por isso, ao mesmo tempo em que a chupeta pode minimizar a angústia presente na situação (seja ela do bebê ou do adulto), ela pode tamponar a tentativa de comunicação do bebê com o ambiente. Quem precisa de conforto quando bebê chora, dorme ou está sozinho?

Oferecer a chupeta para o bebê dormir antes mesmo que ele apresente qualquer dificuldade para adormecer é não acreditar em sua capacidade de adormecer sozinho (esbarramos aqui na ideia do bebê como um ser completamente dependente, sem nenhuma competência e autonomia); de certa forma, esta atitude também minimiza a culpa por “deixar” o bebê – no berço, no carrinho, nos espaços de brincadeira. No imaginário de muita gente, a chupeta serve de companhia permanente ao bebê. Não é por acaso que muitos pais optam pelo uso de um prendedor na roupa, nada recomendável do ponto de vista da higiene (pela contaminação por sua constante exposição), da segurança física (representa risco de enforcamento) e da saúde emocional, já que designa o bebê à condição de incapaz de ficar só – o que é muito diferente de abandonar ou negligenciar cuidados.

Dar a chupeta para o bebê que chora pode ser apenas paliativo, na medida em que oferece algum conforto, às vezes, pelo simples fato da presença de alguém lhe dando atenção, mesmo que através de um objeto. Então, cabe-nos a pergunta: Será que a chupeta não poderia ser substituída por uma palavra, um carinho, um colo?

Antes de apresentar a chupeta ao bebê é importante perceber quem é que precisa dela, evitando, assim, a instalação de um hábito desnecessário e suas consequências.  O ideal é assegurar um tempo de observação do bebê para ver se sua necessidade de sucção é suprida com a amamentação, se os gestos e palavras do cuidador dão conta de garantir-lhe conforto e segurança, e se chupar o punho ou o dedo é um comportamento corriqueiro.

A chupeta pode cumprir um importante papel para o bebê, desde que seu uso seja pensado e ponderado.

Manter o bebê com a chupeta na boca ou automatizar sua oferta, revela a crença – equivocada – de que bebês não se comunicam, suas manifestações têm sempre o mesmo sentido, não podem ser frustrados e são “manhosos”.  Também, denuncia o quanto é difícil suportar choros, birras, irritações e a sensação de não saber o que fazer em algumas situações.

O uso indiscriminado e prolongado da chupeta tem como consequência riscos que vão além das questões funcionais da boca e/ou da dificuldade posterior de eliminar um hábito; ele reforça e marca as relações do bebê com o mundo, em especial no que tange sua comunicação e autonomia.

Tal padrão de relações e comportamento pode se manter ao longo da vida, seja na forma de maior dependência do meio, seja na dificuldade em se expressar. Sem a presença da chupeta, é possível que a criança busque substitutos que tragam certa dose de tranquilidade, conforto e segurança, como chupar o dedo, roer as unhas, ingerir alimentos em excesso, e mesmo bebidas, cigarro, os quais, como a chupeta, continuará encobrindo angústias, ansiedades, medos e fantasias não compreendidas.

Permitir o uso da chupeta não significa que a criança estará sujeita a desenvolver outros hábitos orais. O que leva à manutenção destes hábitos não é a chupeta em si, mas seu uso sem discernimento, seu uso enquanto companhia e/ou silenciador de necessidades. Portanto, a chupeta, do ponto de vista emocional pode ser um valioso objeto, desde que se possa pensar e considerar que ela tem momento para ser usada e, mais tarde, retirada.

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