Dribles e malabarismos facilitam ou atrapalham a alimentação da criança?

Muitos de nós já assistimos ao vídeo que está circulando na internet (quem não viu, vale dar uma olhada, é bem curto) em que uma garotinha, Sofia, é alimentada por seu pai. Ao recusar a colherada do alimento, uma voz ao lado, supostamente da mãe, propõe que o pai apresente um chocolate para que ela abra a boca.

Sendo ou não uma brincadeira para filmagem, é importante considerarmos algumas questões quando esta estratégia, ou similares, é usada como meio para alimentar uma criança.

Através da alimentação as crianças descobrem sabores, texturas e cheiros que a permitem construir seu paladar e suas preferências alimentares. Esta construção tem um ritmo próprio para cada criança, que pode não ser o mesmo de quem a alimenta. Além disso, prevalece entre muitos adultos a ideia de que as crianças precisam comer a qualquer custo, o que os levam a impor, chantagear, manipular e brigar para que a comida “desça goela abaixo”.

Desde os aparelhos eletrônicos para disfarçar o que as crianças põem para dentro até dribles como o utilizado neste vídeo, os resultados e alívio do adulto diante das dificuldades apresentadas pelas crianças na hora de comer são momentâneos e satisfatórios. Elas se alimentam. Ufa! A tática funcionou!

Mas, quais são os reflexos destes comportamentos para “vida alimentar” das crianças?

Muitos. Do desprazer em se alimentar à temida recusa.

Alimentar uma criança é como uma dança, que se não levamos em consideração o parceiro, há uma tremenda desarmonia e pisadas no pé. Quando a criança cerra a boca na hora da refeição é preciso investigar o que ela tenta comunicar. A comida está quente demais? Dura? Mole? Insossa? Tem muita comida na colher? A criança está satisfeita? O ambiente está favorável, num clima gostoso para permanecer por um tempo? Há tempo suficiente para a criança mastigar, engolir e querer mais? O que está em jogo na relação alimentar-ser alimentado?

No caso de Sofia, chama a atenção o fato de ela ainda estar mastigando quando o pai lhe oferece outra colherada. Detalhes, muitas vezes simples, passam despercebidos, dificultando não apenas a ingestão do alimento, mas principalmente a relaçãode confiança da criança com o alimento e com aquele que a alimenta.

Comer não deve ser obrigação, mas fonte de prazer, inclusive na hora das refeições.

Para saber mais sobre este tema, confira Além do simples ator de comer: o alimento que constrói e une, onde escrevo sobre a importância do alimento físico e emocional e Por que algumas crianças apresentam recusas alimentares? Como agir quando isto acontece? , que como o próprio texto diz, fala sobre as recusas alimentares. Alimentar uma criança precisa ser gostoso, para ela e para quem a alimenta.

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Sobre Veronica Esteves de Carvalho
Psicóloga (CRP 06/50929-7) graduada pela PUC-SP e especializada em Logoterapia pela SOBRAL (Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial Frankliana). Tem 18 anos de experiência em psicoterapia para crianças, adultos e orientação a pais. Durante alguns anos foi responsável por projetos vinculados à educação e psicoprofilaxia. Criou, implantou e capacitou educadores nos projetos "A importância do brincar", "O Brinquedo na Educação Pré-escolar" e “Biblioteca Viva” em parceria com a Fundação Abrinq. Neste período ministrou palestras para pais e educadores. Participou da construção do grupo transdisciplinar para primagestas, pertencente à USP/SP. Em 2012, foi cativada a escrever sobre questões que apareciam no dia a dia de seu trabalho sobre parentalidade, criando junto com Patrícia L. Paione Grinfeld, o blog Ninguém cresce sozinho. Em 2015 tornou-se Coach pela Erickson College e passou a realizar Coaching de Vida para pais e educadores.

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