O menino e a árvore

Não deve existir árvore que não ame um menino. Não deve existir um menino que não ame uma árvore. Parece que árvore e menino sempre foram feitos um para o outro, coisa de amor verdadeiro; coisa de ‪#‎infancialivre‬.

Mas o apelo ao consumo parece que encurta a infância, levando meninos a querer comprar muitas coisas, muito cedo na vida. Coisas que não dão em árvore; coisas que às vezes afastam seres que se amam.

Parece que só quando a idade avança é que isso é percebido, já quando a árvore só é um toco, acolhedor, mas apenas um toco – sem tronco, sem galhos, sem frutos, sem sombra.

‪#‎pararefletir‬ sobre mais uma data criada para vender, ‪#‎recomendamos A árvore generosa, de Shel Silverstein, editora Cosac Naify. Um livro lindo, que fala de amor, amizade, simplicidade, livre brincar, crescimento e tantas outras profundidades da vida.

18 de março, Dia do Consumidor. 18 de março, e todos os outros dias, dia de pensar que criança precisa de árvore, muita árvore! ‪#‎criançaprecisasercriança‬.

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Para saber mais sobre o que rola na rede sobre o consumismo infantil, sugerimos a página do Movimento Infância Livre de Consumismo.

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Rotina com bebês: por que ela é tão importante?

Quando a rotina é rígida e inflexível demais, a vida corre o risco de ficar bem sem graça. As atividades viram meio robotizadas, perdendo o colorido dos encontros cotidianos. A criatividade cede lugar para o engessamento e muitos acabam se perguntando qual o sentido de viver de uma forma que parece tão pouco viva. Poder escapar do “fazer sempre do mesmo jeito, na mesma hora e no mesmo lugar” é essencial para a saúde humana.

Com os bebês, no entanto, é diferente. A rotina, que imprime o ritmo constante e previsível de determinadas ações, é essencial para a organização psíquica do bebê, que, aos poucos vai podendo compreender o que acontece com ele e com seu entorno. Isso inclui quando, onde e como as ações que o envolve são realizadas.

Embora seja necessário criar uma rotina desde o nascimento, sabemos que logo que o bebê nasce, mãe e filho estão se conhecendo, tanto no que diz respeito aos ritmos biológicos quanto às maneiras de se relacionar; é uma fase de muita experimentação. Na medida em que ambos vão revelando como são e jeitos de estarem juntos, passa a ser possível começar a estabelecer um ritmo regular nas ações cotidianas.

Antecipar o que vai acontecer e nomear o que está acontecendo com o bebê é de extrema importância para minimizar a angústia dele diante daquilo que ele ainda está por conhecer e compreender. Por isso os pequenos rituais são tão importantes neste comecinho da vida.

Conforme o bebê cresce, seus ritmos e preferências vão sendo conhecidos, o que torna possível ajustar alguns aspectos da rotina do bebê à rotina familiar. Essa transição é gradual e deve levar em consideração as constantes transformações do bebê.

Ao atender verdadeiramente às demandas do bebê estabelecemos com ele uma conexão física e psíquica primordial para o desenvolvimento de sua segurança e, consequentemente, autonomia.

Embora pareça um pouco precipitado pensar em autonomia num recém-nascido que depende em demasia de um adulto, é desde os primeiros dias de vida que damos condições ao bebê de um dia tornar-se um ser seguro e cada vez mais independente. Por isso sua rotina deve sempre levar em consideração suas necessidades físicas e emocionais, especialmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê está se ajustando à vida extrauterina. Na prática isso significa, por exemplo, que não dá para alimentar um bebê que está sem fome porque aquele é o horário da alimentação, ou mantê-lo acordado, mesmo com ele esboçando todos os sinais de sono, porque o pai ainda não retornou do trabalho para casa. A rotina do bebê só deve ser ajustada às condições do cuidador ou do ambiente quando estas interferirem diretamente na demanda do bebê, como é o caso de ser banhado no momento do dia em que a mãe tem alguém ao seu lado que lhe dá segurança para exercer esse cuidado, ir ao pediatra no horário em que ele costuma dormir ou ser alimentado, entre outros.

Construir a rotina do bebê a partir das pistas por ele oferecidas, e não por uma imposição do ambiente, não o transforma em alguém centralizador e mimado. Ao contrário, essa é uma condição essencial para o desenvolvimento integral dos seres humanos. O que leva uma criança ser centralizadora é sua insegurança e dificuldade em lidar com as frustrações.

Frustrar um bebê não é deixá-lo chorando. Desde o início da vida somos tomados pela marca de nossa incompletude. No caso dos bebês, essa marca pode ser traduzida pelos pequenos tempos de espera. Quando um bebê chora e dizemos “já vou te pegar”, sinalizamos nossa presença, nomeamos ao bebê nossa compreensão de que ele precisa de algo e isso é o que o permite suportar temporariamente aquilo que lhe falta (alimento, colo, carinho, mudança de posição, etc.). Na medida em que essas ações se repetem, o bebê vai construindo seu repertório interno de ser e estar no mundo, aprendendo, cada vez mais, que em muitos momentos não terá “tudo” como no momento em que vivia no útero materno.

A rotina com bebês não robotiza. Sua previsibilidade, com seus pequenos tempos de espera e outras pequenas falhas ambientais, é o que permite a constituição de um sujeito seguro e autônomo, na infância, adolescência e vida adulta. O que robotiza é cair no modo automático de cuidar do bebê. Para isso não acontecer, a receita é simples: conexão verdadeira, uma entrega de corpo e alma!

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