A importância das escolhas conscientes

Sempre dentro de propósito, consciente ou não, aquele que cuida de uma criança possui, para si, conceitos que regem sua conduta diante da educação de uma criança. No entanto, por mais diversas que sejam as realidades, existe uma intenção muito parecida entre todos que educam: criar para favorecer que a criança se torne “alguém na vida”.

Sabemos que muitos dos movimentos e escolhas feitos pelos adultos estão vinculados às suas experiências de vida, crenças, valores pessoais, além de outros fatores que exercem certa interferência na família e pessoas nela inseridas.

Todas as decisões, incluindo a rotina da criança, a escola e metodologia aplicada, as atividades que realizarão e o que irão consumir, dentre outras, acabam, ao longo do tempo, por direcionar mais tarde as condutas das crianças diante de sua própria vida. Valores são construídos, pensamentos são criados; sentimentos são vividos e sedimentados, até que as decisões e escolhas possam ser feitas por si só.

Em uma cultura onde há muitas demandas e “necessidades” de ter e fazer muitas coisas para educar, nem sempre é fácil discernir o que realmente é importante e qual a melhor maneira de cuidar de uma criança para que ela se desenvolva integralmente. As dimensões físicas, emocionais, morais e sociais caminham juntas e se entrelaçam. Qualquer que seja nossa conduta junto à criança, estaremos, com ela, trabalhando todos estes aspectos concomitantemente.

Em nossa sociedade existe um leque de opções que podemos optar e inserir no mundo infantil: atividades extracurriculares, babás; brinquedos, eletrônicos e afins; festas de aniversário em casa ou buffet; presentes entregues em mãos ou deixados em uma caixa; encontros e brincadeiras em lugares menos cinzentos e de maior contato com a natureza; passeios em shoppings e playlands; brinquedos caros ou feito a quatro mãos. Uma infância onde se está livre para brincar, com segurança, desacelerada, com menos telas e livre de consumismo.

Tudo isto está a serviço de quê? Para quem? Para quê? E, entre todas estas escolhas, qual a melhor ou mais adequada para cada criança e cada família?

O que é novidade atrai, queremos experimentar e, muitas vezes, repetir.  As informações e acessos a tudo que é diferente e inovador estão acessíveis. Diante deste mar de opções, devemos sempre nos questionar e, a partir daí, fazer escolhas mais conscientes. Basta estarmos dispostos e abertos a pensar sobre tudo que nos é apresentado. Ter senso crítico é essencial e sinal de saúde mental – um exercício que acompanha a maternidade e paternidade para todo o sempre. Olhar sob todos os ângulos possíveis, sem resistência e pré-julgamento para que nossas escolhas sejam cada vez mais concisas e congruentes à infância e tudo que ela nos solicita como educadores.

Dentro de cada realidade vivida, as escolhas precisam ir ao encontro daquilo que têm sentido para a educação das crianças. Mas, para isso, é preciso olhar a infância como ela é em sua naturalidade. Do que as crianças realmente precisam? Do que elas gostam?

Sem pensarmos no verdadeiro significado e valores presentes em cada situação e, por consequência, decisões tomadas, as escolhas frente ao desenvolvimento infantil podem perder sua real intenção. O que pode nos parecer “bom” e vantajoso nem sempre o é e vice-versa. Sem pensarmos no verdadeiro significado e valores embutidos que cada ação tem o novo e o diferente (inclusive bom) pode nos alienar e nos tornar permissivos demais face às demandas das crianças.

Uma hora ou outra teremos que (re)ver nossos propósitos  – individual e familiar – e teremos que (re)avaliar como vai nossa relação com as crianças e sua formação.

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