Troca da fralda: um momento especial que vai muito além da higiene

Já parou para pensar quanto, do tempo em que o recém-nascido está acordado, ele passa no trocador tendo suas fraldas substituídas? Diferentemente das fraldas que são descartadas no lixo ou no cesto de roupas para lavar, o tempo no trocador não pode ser desprezado ou subestimado, pois trata-se de um tempo precioso no que diz respeito às experiências sensoriais e afetivas estabelecidas entre o bebê e seu cuidador.

No trocador o bebê é tocado, mordiscado, cheirado, beijado – carinhos que o ajudam a estabelecer uma relação prazerosa com o próprio corpo. O toque, acompanhado da troca de olhares entre o bebê e seu cuidador, provoca um mútuo encantamento. Ambos se olham fascinados, abrindo espaço para uma comunicação muitas vezes acompanhada de palavras, sorrisos, cantigas e brincadeiras por parte do adulto (a ausência da troca de olhares deve ser compartilhada com o profissional de saúde que os acompanha, pois um deles ou a dupla pode estar em sofrimento).

Quando o bebê cresce um pouquinho, por volta dos dois meses, ele começa a ecoar sonzinhos com a intenção de se comunicar. Mais ou menos aos quatro, passa a imitar o que seu cuidador faz com a boca e com as mãos. A partir do quinto ou sexto mês, o bebê interage mais, tentado pegar no rosto de quem cuida dele. Logo mais, entre o sétimo e oitavo mês, o bebê dispara a “conversar”, convocando mais e mais o adulto através de seus gestos e brincadeiras.

Um adulto dedicado certamente responde a estas e outras gostosas provocações repetindo os sons emitidos pelo bebê e introduzindo novos, imitando o bebê e deixando-o imitar, traduzindo essa língua singular e contando o que faz com o corpo do bebê – inclusive nomeando as partes do corpo que são tocadas.

Nessa comunicação, o adulto pressupõe o que o bebê pode estar sentindo. Quando atento, ele aguarda e observa a resposta do bebê para que possa oferecer-lhe o que o pequeno precisa, tanto material quanto emocionalmente (a partir do segundo semestre de vida, o bebê estará cada vez mais hábil em colaborar nos momentos das trocas de fraldas – basta dar-lhe a chance).

Essa riqueza das trocas afetivas faz com que o trocador não seja apenas lugar para deixar o bebê limpo, mas um lugar para também brincar, interagir, se relacionar, fortalecer o vínculo e entender quais as necessidades e os desejos do bebê. O bebê pode querer apenas ter suas fraldas trocadas para logo ir dormir, mas pode querer brincar, convocar o adulto para estar com ele, descobrir o que tem ao seu lado ou mesmo dentro da fralda – sim, os bebês geralmente descobrem seus genitais na troca das fraldas, o que deixa muitos adultos um tanto atordoados.

Com o corpo desnudo, o bebê se toca e descobre o prazer em se tocar. O menino, ao manusear o pênis, provoca a ereção. A menina, leva sua mão no local onde sente sua urina passar. Ela se toca podendo até mesmo introduzir o dedinho na vagina. Se essas situações tiram o adulto do eixo, corre-se o risco de as trocas de fralda se tornarem um momento de cuidados mecânicos e higienista, risco que também existe quando não se compreende a importância das trocas afetivas em outras situações corriqueiras de cuidados com o bebê, como o banho ou a alimentação.

Para o bebê, não é justo interromper a investigação em seu próprio corpo; a investigação sempre será o motor da aprendizagem. Também, quanto mais o adulto valoriza a manipulação através de suas intervenções, mais excitado o bebê fica. Respeitar a exploração do bebê neste momento que é dele, é uma forma de comunicar-lhe que a masturbação faz parte de seu universo privado. Mais tarde, quando ele crescer, entenderá que a masturbação só deverá acontecer em espaços privados e sem a participação de adultos.

As descobertas e explorações do bebê no trocador não param por aí. Entre dez e doze meses, e no período que sucede, o bebê não para quieto e tenta a todo custo ficar em pé. Se ele quer ficar em pé, por que não deixar? Por que não trocar sua fralda da maneira que mais atende ao pedido de seu corpo?

Na medida em que os sinais do bebê são compreendidos e suportados pelo adulto, estabelece-se um diálogo (mesmo com nenhuma ou poucas palavras por uma das partes) que contribui para a construção da tão necessária segurança que todos os humanos precisam para viver. Esse jogo que acontece entre o bebê e seu cuidador vai esboçando o modelo relacional da dupla, tanto nas trocas de fraldas como em outras circunstâncias cotidianas da vida do bebê (e vice-versa) – não é por acaso que alguns bebês se comportam de modo muito diferente nas trocas de fraldas (e em infinitas outras situações) conforme a pessoa que exerce o cuidado. Dessa forma, cada minutinho no trocador precisa ser valorizado e aproveitado, afinal, as trocas que nele ocorrem vão muito além das fraldas.

Brinquedos e brincadeiras para bebês de 9 a 12 meses

O desenvolvimento motor deste trimestre é, sem sombra de dúvida, uma enorme conquista para os bebês e motivo de orgulho para quem está à sua volta. Num curto período de tempo os bebês adquirem competências que os permitem se deslocar para onde querem: engatinham (em alguns casos, “andam” sobre os joelhos ou rastejam com o bumbum), escalam, ficam em pé com apoio e andam, mesmo precisando ter suas duas mãos seguradas. Tais aquisições lhes confere maior autonomia e amplia sua sociabilidade. Todavia, em função da locomoção, e claro, da entrada na fase do mexe-em-tudo, a segurança do ambiente precisa ser revista.

Muitos especialistas recomendam a colocação de redes ou grades de proteção nas janelas, portas e outros vãos, cantoneiras nos cantos das mesas, traves de segurança em armários e vasos sanitários, “amarradores” nos fios elétricos (para impedir enforcamento), assim como a retirada de objetos de decoração e similares do alcance do bebê para evitar acidentes.

A prevenção de acidentes, indiscutivelmente, precisa fazer parte do cotidiano dos bebês, mas é importante que ela não inviabilize sua livre locomoção e exploração. É preciso garantir que dentro de casa, ambiente onde o bebê vive, possa ser por ele conhecido, inclusive para que ele aprenda e reconheça onde moram os perigos – isso facilitará sua análise dos perigos no mundo afora. Como os bebês são bastante diferentes em temperamento, é necessário avaliar o quanto toda essa parafernália serve para proteger ou impedir suas descobertas. Da mesma forma, a disponibilidade (de tempo e emocional) do adulto precisa ser considerada, mas sempre lembrando que nesta idade a criança precisa da supervisão do adulto, mesmo quando brinca bem sozinha. O segredo é encontrar a justa medida entre segurança e liberdade, que varia conforme as particularidades de cada caso.

Entrando na fase do mexe-em-tudo, inicia-se também a fase do não proferido pelo adulto. Como forma de proteger a criança dos perigos que a cerca, é bastante comum seu cuidador dizer “não mexa aí”, “aí não pode”, ao invés de acompanhá-la em suas explorações, explicando-lhe o que a impede de explorar aquilo que lhe desperta atenção. Estas pequenas intervenções, ao mesmo tempo em que ensinam a criança sobre as coisas da vida, autorizam-na ser a curiosa, o que é essencial para os processos de aprendizagem atuais e futuros.

Se de um lado sempre existem limitações àquilo que o bebê deseja experimentar, de outro é preciso garantir-lhe uma vasta oferta de possibilidades. O bebê precisa poder abrir uma porta de armário ou uma gaveta que tenham coisas que possam ser arremessadas para longe, [tentar] subir numa cadeira que não seja leve a ponto de tombar, ter acesso a objetos dispostos em seus cantos de circulação que sejam diferentes e interessantes, e por aí vai. O ambiente onde vive um bebê precisa permitir suas explorações e descobertas; precisa permiti-lo brincar. Para isso, não são necessários brinquedos sofisticados e caros. Aliás, alguns dos recomendados para esta faixa etária, como os andadores e as mesas de atividades, não são tão benéficos como muitos imaginam.

Os andadores têm venda proibida em alguns países e não são recomendados pela Sociedade Brasileira de Pediatria por apresentar riscos de traumatismos e atrasar o desenvolvimento psicomotor da criança. Já as mesas de atividades, embora cheia de cores, sons e formas, são pobres na oferta de texturas, movimentos e exploração livre pela criança. Quando a criança fica em pé sem apoio, qualquer móvel ou objeto baixo e firme cumpre com primazia a função das mesas de atividades; basta dispor sobre eles objetos com formas, tamanhos, texturas, sons, cor e materiais distintos (caixas, potes, tecidos, chocalhos, brinquedos de madeira) para garantir que o bebê se entretenha, investigue e aprenda. Enquanto o bebê só engatinha, esses objetos devem ser colocados no chão para que ele possa ter a possibilidade de exploração.

Quando os bebês experimentam a postura ereta por eles mesmos, muitos se recusam a ficar sentados; eles querem estar no chão seguindo em suas investigações. Para que o momento da alimentação não se transforme numa guerra, alguns cuidadores utilizam-se do recurso das telas para entreter os pequenos. Com esse gesto, impedimos que este momento seja prazeroso pela ingestão do alimento e vínculo estabelecido com quem o alimenta. Uma boa alternativa é disponibilizar um brinquedinho (relacionados ou não à alimentação – prato, copo, talheres) e/ou pedacinhos de alimentos para que a criança possa brincar e se alimentar sozinha (na presença do adulto!).

Entre os 9 e 12 meses não é apenas a capacidade de locomoção do bebê que amplifica sua sociabilidade. Os bebês começam a apontar para o que desejam, bater palma, esboçar o aceno do tchau, imitar expressões faciais, gestos e alguns sons que ouve, convocando seu cuidador a entrar na brincadeira. Aproveite essa gostosa e importante fase brincando com conversas, músicas e leituras. Nesses diálogos, inclua gestos e expressões faciais, variações rítmicas e sonoras (por exemplo, falar mais alto e bem baixinho), nomeações de partes do corpo e o nome do bebê e brincadeiras como seu mestre-mandou. Isso estreita o laço afetivo entre o bebê e seu cuidador, e favorece o desenvolvimento de sua percepção corporal e linguagem.

Durante as brincadeiras é comum o bebê desviar do foco proposto pelo adulto ou pelo brinquedo. O bebê costuma se interessar mais por explorar as partes de um brinquedo e observar seus efeitos do que pelo brinquedo todo ou aquilo que ele objetiva. É por isso que os brinquedos sofisticados nem sempre são os mais interessantes ao bebê, que pode se divertir muito mais com o fio amarrado em um carrinho do que com o carrinho em si, assim como desfrutar mais com a destruição de uma torre de caixas empilhadas do que com sua construção.

A repetição de uma mesma brincadeira, nessa etapa do desenvolvimento, é uma constante. Ela ajuda os bebês a aprimorar habilidades motoras e desenvolver aspectos cognitivos, como o aprendizado de relação entre uma ação e sua consequência (causa-efeito). Aqui, amar uma bola que rola de um canto a outro ainda não define nenhum jogador(a) de futebol!

Ingresse nessa aventura de exploração com seu bebê resgatando a criança que te habita! Brinque junto; o bebê precisa da presença humana para crescer saudável.

Brinquedos e brincadeiras para bebês de 6 a 9 meses

Entre o sexto e nono mês de vida o bebê adquire algumas competências que mudam por completo a maneira como ele vê e é visto pelo mundo: senta sem apoio, rasteja e engatinha (alguns ficam em pé com apoio). Ao mesmo tempo, outras conquistas motoras, como os movimentos de pinça (junção do polegar e indicador) e de transferência de um objeto de uma mão para outra com intencionalidade, incrementam e ampliam suas possibilidades de exploração. Olhos, mãos e boca passam a trabalhar coordenados.

Em realizando mais movimentos, o bebê passa a ter mais autonomia, podendo encontrar outras formas de realizar o que deseja e de se comunicar (desde esticar os bracinhos quando quer colo, até balbuciar – inicialmente, duas sílabas, como “ma”, “pa”, “ba”, ainda sem nenhum significado). Como resultado dessa autonomia, os pedidos de colo e os choros diminuem consideravelmente. Sua sociabilização se amplia, o que leva muitos pais a considerar essa como uma das fases mais gostosas de estar com o bebê.

Ao contrário da ideia de “quanto mais o bebê se movimenta, mais ele precisa estar contido” (vide a oferta de produtos que “prendem” o bebê em um determinado espaço físico), esse é um momento em que o bebê precisa de uma área ampla e segura para se movimentar com liberdade. Rever os espaços da casa é fundamental, assim como garantir o conforto das roupas e sapatos.

Limitar o movimento do bebê mantendo-o em berços, cercadinhos, carrinhos, cadeirinhas, bebê-conforto ou similares é inibir sua capacidade de interação, exploração, descoberta e aprendizagem. Em outras palavras, é desperdiçar suas potencialidades que pulsam com tanto vigor e contribuem diretamente para seu desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo e social. Aqui vale uma nota: a liberdade de movimento e exploração nessa faixa etária é o maior estímulo que o bebê pode ter.

Se não é possível ter um adulto cuidador dedicado ao bebê durante todo o tempo em que ele está desperto, é importante garantir algum espaço em que ele possa estar seguro, preferencialmente podendo olhar e ser olhado a certa distância pelo cuidador, para que não lhe reste como única alternativa estar contido em uma dessas parafernálias que só trazem benefício ao cuidador.

Não podemos esquecer que o bebê explora e conhece o mundo com todo o corpo. Utiliza-se de seus olhos, mãos, pés, pernas, braços, barriga, boca. Daí a necessidade de um ambiente que propicie, além da segurança, diversidade de experiência motora e sensorial. Diversidade, no entanto, não significa quantidade de brinquedos, mas variedade de formas, texturas, sons, tamanhos, materiais e volumes com os quais o bebê possa estar em contato nos momentos de vigília.

Para um bebê se mexer, conhecer, comparar, reconhecer, interrogar, relacionar, questionar, querer e aprender não é preciso disponibilizar brinquedos sofisticados. Aliás, como a maioria desses são feitos de plástico e de sons eletrônicos, estes são os menos recomendáveis, na medida em que não oferecem a variedade de estímulo sensorial e motor que o bebê necessita.

Uma ideia bem interessante para fugir dos brinquedos plásticos e com sons eletrônicos é criar para o bebê o chamado cesto dos tesouros, que deve conter elementos do cotidiano da família (aqueles que não têm cara de brinquedo, mas são, ao menos sob a experiência do bebê, como os sugeridos por Illan Brenman em Isso não é brinquedo!). Além de oferecer uma gama de experiências, o bebê tem a possibilidade de explorar objetos “proibidos”, mas extremamente interessantes para ele e para o desenvolvimento de sua percepção, raciocínio e motricidade.

Outros objetos que não podem faltar na caixa de brinquedos dos bebês dessa faixa etária, e maiores, são:

– Blocos, caixas e potes de  tamanhos distintos: trabalham principalmente a coordenação motora e a possibilidade de conter e esconder um dentro do outro.

Tecidos e/ou fitas de tamanhos, estampas e texturas diversas: propiciam o treino de pinça fina e permitem a brincadeira de esconde-esconde.

– Brinquedos macios: no chão, tornam-se obstáculos ao corpo do bebê. Na boca, massageiam a gengiva que se prepara para a erupção dos dentinhos. Como os paninhos, podem se transformar num objeto transicional.

– Objetos com sons variados.

– Objetos refletores: espelho, panela de alumínio, bacia de inox.

– Elementos da natureza: casca de árvore, folha, pinha, etc.

– Fantoches e dedoches.

– Bola, cilindro, argola.

Um “brinquedo” que os bebês adoram, mas nem sempre lhes é dada a oportunidade para explorá-lo, é a comida. As refeições podem ser muito prazerosas se ao bebê for permitido explorar com as próprias mãos aquilo que ele come e os utensílios que compõem esse momento, como pratos, talheres, copos e babadores. Um divertido e inspirador livro infantil que aborda essa questão é o Não brinque com a comida!, de Dalcio Machado.

Embora os bebês com seis meses ou mais dispendam um bom tempo brincando sozinhos, a presença de um adulto cuidador é imprescindível em grande parte do tempo. É nessa presença física e afetiva (concomitantes) que o bebê constrói o senso de segurança e sua capacidade de estar só – sem falar no sempre necessário fortalecimento do vínculo.

A partir dos seis meses, o bebê começa a ter noção de que ele é um ser mais integrado e diferente daqueles com quem ele se relaciona, o que torna fundamental a participação do adulto em uma das mais importantes e prediletas brincadeiras do bebê nessa fase da vida: as brincadeiras de descontinuidade. Entre elas, os clássicos jogos de arremesso de objetos e Cadê? Achou!.

Mesmo que o bebê brinque de esconder um objeto numa caixa ou debaixo de um paninho, ou jogue para longe a colher durante a refeição, é fundamental que o adulto participe desses jogos. Na medida em que simbolizam a presença e a ausência (o aparecer e o desaparecer), eles ajudam a criança tanto no processo de diferenciação eu-outro quanto a suportar os momentos de separação mais duradouros, como por exemplo, a saída dos pais para o trabalho. O que pode parecer bobo ou demasiadamente repetitivo para o adulto é essencial para o bebê. Por isso, brinque muito com ele e, junto, ouse a descobrir e experimentar brinquedos que não têm nome de brinquedo, mas são de uma riqueza ímpar para o desenvolvimento do bebê!

Brinquedos e brincadeiras para bebês de 3 a 6 meses

Os primeiros meses de vida do bebê são marcados por intensa relação fusional com a mãe, que é quem o conecta ao mundo. O bebê vive como se ele e a mãe fossem um só. Ela, por sua vez, interpreta o que ele sente e tenta, o mais prontamente possível, atender às demandas do novo serzinho. No brincar, empresta-se ao bebê, fazendo de seu corpo o melhor brinquedo para o filho.

A partir do terceiro mês o bebê começa a reconhecer partes de seu corpo como sendo suas e não como extensão materna. A presença humana continua sendo imprescindível, não apenas porque garante a segurança física e emocional para ele continuar suas explorações, mas principalmente pela relação afetiva estabelecida entre dupla nos momentos do brincar.

Conquistas corporais que incrementam o brincar

Aos quatro meses, a maioria dos bebês já fixa o olhar, contemplando o que observa. Sua cabeça e olhos movem-se na mesma direção, e suas mãos se endereçam para o que ele quer, sejam pessoas ou objetos.  Os movimentos de rolar são ensaiados com o balanceio das pernas sobre a barriga, permitindo-o em pouco tempo rolar nos dois sentidos. Como tudo é novidade, até o bebê pode se surpreender com suas novas conquistas. Se apoiado a continuar, ele nunca desistirá de seguir adiante com suas investigações.

As mãozinhas deixam de ser apenas observadas; elas são levadas para boca e o que em algumas semanas atrás era apenas um “agarrar acidental” torna-se um “apreender intencional”. Diante de um pêndulo o bebê pega o objeto em geral com as duas mãos. Por volta do quinto mês, ele toma posse do objeto com apenas uma das mãos, e do sexto, troca o objeto de uma mão para outra.

Não podemos esquecer que a boca do bebê também o diverte muito. O bebê curte não apenas os sons que ouve, mas também os que ele produz. Por volta dos quatro meses, alguns bebês produzem sons ainda sem significado como ma-ma, pa-pa, da-da. Aos seis meses, imitar é o grande barato, levando-o a tentar reproduzir qualquer som monossilábico. Nesta faixa etária, mostrar a língua e fazer bolinhas com a saliva não é falta de educação, mas uma grande descoberta daquilo que eles próprios podem fazer!

Entre o quarto e o sexto mês os bebês desenvolvem a capacidade de sentar. Inicialmente precisam de apoio, mas no final do primeiro semestre muitos já se sentam sem nenhum suporte nas costas.

Segurança

Rolando e levando objetos na boca, todo cuidado é pouco. Os bebês jamais devem ser deixados sozinhos em locais sem proteção, como camas, trocadores ou sofás, nem devem ter acesso a objetos com diâmetro inferior ao de um rolo de papel higiênico. E como tudo vai parar na boca, o ideal é que possam ser laváveis.

Os brinquedos, as brincadeiras e os espaços para brincar

Brincar é mais que entretenimento; é a forma como o bebê descobre a si mesmo e ao mundo. Seu corpo é o “brinquedo” que lhe dá mais autonomia. Por isso, não se deve impedi-lo de colocar dedos, mãos, punho e, posteriormente, os pezinhos na boca, nem de rolar por medo de asfixia. Quando o bebê é capaz de rolar, ele já sustenta a cabeça e arqueia as costas, impedindo que seu rosto se “cole” à superfície onde ele se encontra.

Para explorar seu próprio corpo e o que tem à sua volta, o chão torna-se um excelente lugar para o bebê brincar, sem riscos de queda e com a possibilidade dele escolher a posição que lhe é mais confortável. Edredons ou tapetes de EVA cumprem com a função de não deixar o chão duro numa eventual batida de cabeça.

Os momentos de brincar não se limitam a um horário específico. No colo, no banho, no trocador, no carrinho, no berço ou no chão, o bebê deve ser convidado ao olhar, à fala, à escuta, ao toque, à imitação. Ele precisa que o adulto o convide a explorar seu meio com todos os sentidos. Isto é brincar!

Livrinhos de tecido ou plástico, pequenos potes, fitas de cetim, pedaços de pano, bichinhos ou bonecos macios, argolas, bolinhas, cubos, objeto espelhado, chocalhos e mordedores garantem a diversão, especialmente quando têm cores primárias, que são as que mais agradam os bebês nesta faixa etária. Gavetas e armários da cozinha, caixa de aviamentos e lixeiras com recicláveis contém objetos tão ou mais interessantes do que os comprados prontos. Quanto mais simples, melhor. Basta serem seguros e higienizados.

Sons de brinquedos atraem os bebês pela relação causa-efeito. Isto significa que não é preciso brinquedos que cantem ou falem (aliás, eles costumam, com o tempo, mais irritar do que agradar). Um chocalho, que pode ser feito com um pouco de macarrão, feijão, arroz ou milho em frasco bem vedado, atende bem às necessidades do bebê. Os sons produzidos pelo bebê também o divertem, permitindo o jogo de imitações. Desta forma, vale repetir os sons e bocas que ele faz e depois convidá-lo a repetir os nossos, seja face a face ou em frente ao espelho.

Tapetões com arco e penduricalhos são bastante atraentes para os bebês desta faixa etária, mas como seu uso se limita a uma superfície plana e a um tamanho de bebê (os bebês grandes, aos seis meses, ficam “apertados” embaixo do arco), uma boa opção é substituí-los por pendentes construídos com barbantes, fitas, elásticos largos, tampas de plástico, pedaços de tecido e o que mais a criatividade encontrar. Tais pêndulos têm a vantagem de poder ser reinventados e fixados nos berços, carrinhos, entre pés de mesa ou cadeira, ou simplesmente ser segurados por quem está com o bebê.

As cadeiras de atividades, embora vendam o benefício da segurança e do entretenimento, não dão ao bebê a tão importante mobilidade corporal, e, por consequência, a opção de escolher como e com o quê quer brincar. Por isso atendem mais às necessidades do cuidador, que precisa de um tempo para algum afazer, do que do bebê. A estas cadeirinhas costumam se adaptar melhor os bebês que têm menor oportunidade de livre exploração.

Embora os brinquedos comecem a fazer parte do cenário do bebê, é fundamental lembrar que a presença humana conectada ao bebê é essencial para que os humanos desenvolvam a capacidade de ficar só. Nesta etapa da vida, brincar sozinho significa ter a oportunidade de escolher a brincadeira: rolar, chutar, colocar a mão na boca, dar gritinhos e assim por diante. Aos poucos, conforme o bebê sente-se seguro com a presença física de alguém a ele conectado (não basta um corpo!) ele vai podendo brincar só sem que isto represente solidão, sentimento de abandono, desintegração ou mesmo uma defesa contra o ambiente. Este tempo vai aumentando conforme o bebê cresce amparado por esta conexão humana.

Neste processo de reconhecimento do outro como não sendo extensão de si próprios, os bebês precisam ser ajudados nas situações de ruptura para que elas não sejam vivenciadas com angústia excessiva. As brincadeiras de Cadê-Achou ajudam-nos elaborar a ideia de que quem desaparece (vai embora), reaparece (volta). Esconder-se rapidamente atrás da roupinha que vai ser vestida, da toalha de banho, de um livrinho ou paninho é divertido e psiquicamente estruturante. Por isso, nada de sair de perto do bebê sem avisar aonde vai.

Brincar sozinho é bom, mas não o suficiente para um crescimento saudável. Momentos singelos, como a troca da fralda ou o banho devem incluir brincadeiras de interação. Nesse brincar, ganha o bebê e ganha o cuidador, já que ambos estreitam ainda mais seu laço afetivo. Brincar também é se relacionar, aprender estar junto e separado.

Brinquedos e brincadeiras para bebês de 0 a 3 meses

Quando falamos em brinquedos e brincadeiras para bebês precisamos levar em consideração seu estágio de desenvolvimento, o qual pode variar de bebê para bebê. Neste texto, tomo como referência o desenvolvimento da maioria dos bebês nascidos a termo.

Primeiro mês de vida: a brincadeira é o olho no olho

A visão do recém-nascido não alcança mais do que 30 cm e é pouco focada – ele olha para um lado e outro, sem fixar o olhar em um objeto. Por isso, seu melhor brinquedo é o rosto da mãe ou de quem exerce seus cuidados.

Levantar a sobrancelha, abrir e fechar a boca, mostrar a língua, fazer bicos com os lábios, piscar um dos olhos, falar em tom rítmico e de modo mais exagerado para o bebê são formas de brincar com ele. Mesmo que o tempo do brincar dure poucos minutos, ele pode acontecer na troca das fraldas, no banho, quando o bebê está deitado, mas desperto, ou mesmo no colo. O importante é que o bebê mostre-se disposto ao que está sendo proposto e não irritadiço.

Segundo mês de vida: incremento dos jogos faciais e a descoberta das mãos

A partir do segundo mês o bebê consegue focar mais a visão, ganhando um olhar mais aprimorado, demorado e cuidadoso. Interessado pelas faces e suas variações (ele reconhece, além do rosto da mãe, o rosto de outras pessoas familiares, como o pai), os jogos faciais se incrementam: se lhe é dado tempo para responder ao estímulo apresentado, como mostrar a língua, o bebê acaba imitando a expressão que ele observa – neste exemplo, mostra a própria língua. Para isso é essencial assegurar-lhe um tempo de observação e de resposta.

Da mesma forma que nos colocamos como imagem para o bebê, é importante que façamos para ele o papel de espelho, imitando suas expressões. Se ele sorri, devemos sorrir. Se ele boceja, bocejamos. Se ele emite um som, repetimos o som. Mostrar o bebê no espelho é mais um jogo que envolve o olhar. Mesmo que ele ainda não saiba que aquele bebê da imagem é ele, o que está em questão é a percepção/estimulação visual e a brincadeira.

Neste mesmo período, os olhos e a cabeça do bebê movem-se juntos na direção do objeto. Colocá-lo de bruços com dois objetos à sua frente (distantes entre si entre 30-35 cm) ou fazer movimento pendular com um objeto na frente do rosto do bebê (também mantendo certa distância dos olhos), leva-o a buscar tais objetos de um lado a outro. A brincadeira de pêndulo (ou movimento 180°) pode ser feita com um objeto que tenha som suave, como um chocalho.

O bebê entre 0-3 meses tem preferências: cores contrastantes (claro-escuro) e sons e movimentos rítmicos, com “subidas e descidas”, como o que foi experimentado no útero materno. Os brinquedos, que podem ser qualquer material disponível no ambiente, e brincadeiras devem levar em conta estas características. Balançar um chocalho incessantemente, sem ritmo, pode irritar o bebê.

Permitir ao bebê observar o balanço e a sombra de folhagens, o movimento do ventilador de teto e móbiles é uma ótima opção. Ainda não é hora de apresentar brinquedos com sons altos (se é que esse dia chega!). Em seu lugar, é preferível ouvir músicas em baixo som, com ritmo ascendente e descendente, como as clássicas ou canções de ninar.

Após o nascimento as pernas e braços do bebê encontram-se meio encolhidos e suas mãos fechadas. A partir do segundo mês, a mão fechadinha começa a se abrir e os dedinhos se separam. O bebê pode agarrar involuntariamente um objeto ou segurá-lo quando este é colocado em suas mãos. É o chamado reflexo de segurar. Se colocarmos nosso dedo ou uma argola na palma da mão do bebê ele dobra os dedinhos e segura o objeto. Neste “segurar” ele experimenta de modo bastante sutil diferentes sensações táteis. Quando ele solta o objeto é porque se cansou da brincadeira.

Embora possamos oferecer objetos para o bebê agarrar, o brinquedo mais acessível e, há de se pensar, divertido, nesta nova etapa são suas próprias mãos – o que nos faz lembrar que apesar de muito dependente o bebê já tem alguma autonomia. Conforme as mãozinhas abrem e os dedinhos se unem e se afastam, o bebê descobre, progressivamente, que suas mãos são sobem e descem, vão de um lado a outro, abrem e fecham, vão parar na boca! Além de divertido, chupar os dedos ou os punhos também é fonte de prazer para o bebê.

Terceiro mês de vida: brincar livre e o início da percepção da relação de causa e efeito

A partir do terceiro mês as brincadeiras com as mãos ficam mais intensas, em tempo e movimentos. Embora o bebê não consiga segurar voluntariamente o brinquedo, tudo o que está por perto vira seu alvo, levando o bebê a “bater” ou chutar o brinquedo desejado. Mesmo que o bebê bata ou chute acidentalmente o brinquedo ele percebe que há um movimento. O mesmo acontece quando ele balança um chocalho e escuta um som. O bebê começa a perceber a relação causa-efeito.

Aos três meses pode-se colocar o bebê para brincar livremente no chão. Ele deve ser colocado de costas, com objetos ao seu lado ou pendurados por cima dele. Não há necessidade de uma parafernália grande. Um edredom ou tapete de EVA e dois ou três brinquedos/objetos são suficientes para o bebê explorar o que tem ao seu redor. Os excessos são sempre um risco à superestimulação e, portanto, ao estresse. Paninhos, argolas, potinhos, chocalhos, refletores de imagem e mordedores com texturas diferentes e cores contrastantes são os brinquedos mais indicados para esta faixa etária. Livros com imagens simples, de plástico, tecido ou capa dura, também costumam agradar os bebê, mesmo que a história – ou nomeação de figuras – não chegue ao fim.

Brincar permite ao bebê estabelecer relações afetivas e aprender sobre si e o mundo. Por isso é essencial que nos momentos de interação mãe-bebê ou cuidador-bebê, estes lhe dirijam uma palavra, cantem e nomeiem ao bebê o que ele vê, escuta e, supostamente, sente. Aos poucos, é possível perceber quais são suas preferências e os limites entre a brincadeira gostosa e seu excesso (que leva ao desinteresse, cansaço ou estresse).

Lembre-se: embora exista no mercado uma infinidade de brinquedos destinados a esta faixa etária, o bebê precisa nos momento do brincar de poucos objetos e muito calor humano. O grande jogo é a troca afetiva.

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