Eu brinco, ele brinca, nós brincamos

Eu brinco, eles brincam.

Sozinho e juntos. Nós brincamos.

“Também quero brincar!”

“Vem, vem brincar com a gente!”

Brincar só, com os amigos, irmãos, pais, tios, professores, avós… Com bonecos, brinquedos, amigos imaginários, a própria sombra… Enfim… Tem brincadeira? Tem diversão!

No parque, no quintal, no playground, na praça, na praia… Em casa, no carro, na escola, no corredor, no chuveiro, não importa o lugar. Todo lugar é lugar para brincar.

Qualquer objeto pode ser transformado em brinquedo. Qualquer pessoa pode ser outra pessoa durante a brincadeira. O importante é brincar.

Queremos é brincar!

“Vamos brincar de…”  E tudo se torna mágico!

Brincar é sinônimo de criar, imaginar e inventar; aprender sobre o mundo e as pessoas. No brincar, a experiência se revela e fica no registro da criança.

Brincadeiras conduzidas ou não, todas são importantes para a construção do conhecimento. O brincar proporciona experiência cognitiva, emocional e social. Está associado ao encorajamento e à energia.

Momento de se relacionar, de criar vínculos, de se constituir a partir de aprendizados,  que desenvolvem e permitem o crescimento contínuo da criança.

Brincar para mim, para ti e para nós! Um direito de todos!

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Dia das Crianças: um dia para celebrar a infância

Dia das Crianças, para muitos adultos, sempre foi sinônimo de presentear; para as crianças, de ganhar brinquedos. Essa ideia, contudo, começa a ser transformada por aqueles que buscam alternativas para celebrar e dar um novo significado a datas que são culturalmente atreladas ao consumismo; entre elas, o Dia das Crianças.

No entanto, sabemos que esse é um processo que anda na contramão de arraigados valores sociais, onde o brincar está predominantemente associado à presença de brinquedos. Isso, sem dúvida, dificulta adultos e crianças imaginarem um Dia das Crianças em que não se dá/ganha brinquedos.

Para os adultos que optam por não dar brinquedo no Dia das Crianças, não basta dizer de uma hora para outra que na data a criança não vai ganhar presente porque já tem muitos, a data é meramente comercial, o dinheiro está curto, entre outros. Qualquer que seja o motivo é preciso construir com a criança a ideia de que o Dia das Crianças é um dia para celebrar a infância e não para ter que dar/ganhar brinquedos.

Essa construção deve ser contínua, e precisa partir dos ambientes que a criança frequenta, como a família, a escola e seu círculo social mais amplo. Para isso, é preciso primeiro que o adulto acredite na ideia de que é possível celebrar sem comprar; depois, que a criança entenda e veja sentido no que está sendo proposto. Fica totalmente ambíguo, por exemplo, no Dia das Crianças a criança não ganhar presente e no Dia das Mães, dos Pais ou dos Professores estes cobrarem, mesmo que indiretamente, por seu presente.

Em optando por desvincular a comemoração do Dia das Crianças a uma data comercial, cada família e instituição na qual as crianças estão inseridas deve encontrar seu jeito de transformar essa data num dia gostoso e especial. As possibilidades de celebração são muitas e devem ser estudadas e posteriormente escolhidas pelos envolvidos – pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, padrinhos e afilhados, professores e alunos.

Crianças gostam de ser criança, de estar com quem tem grande afeto e de brincar livremente. Por isso, uma boa maneira de comemorar o ser criança nesta data são passeios que oferecem interações e trocas com pessoas que para as crianças são especiais.

Brincar ao ar livre, em parques, praças, clubes, onde tenha espaço para correr, pular, escalar, deitar e rolar é sempre uma ótima opção, ainda mais quando se inclui um piquenique. Crianças gostam de atividades lúdicas e recreativas oferecidas nos centros de convivência; gostam de criar os próprios brinquedos com recicláveis, assim como, de atividades em que possam entrar em contato com a natureza: areia, água, grama, praia. Zoológicos, aquários e museus são espaços também interessantes para serem incluídos no roteiro comemorativo. Vale ainda dar à criança a oportunidade de ir a um lugar que ela goste ou tenha vontade de conhecer.

Mesmo sendo bom inovar, nem sempre o passeio precisa ser fora do habitual e em locais diferenciados. Em casa é possível transformar o dia com leitura, desenhos, pinturas e reinvenção de atividades cotidianas – um café da manhã na cama, uma sessão pipoca com o filme predileto ou inédito, um acampamento na sala, são alguns exemplos.

Para aqueles que curtem e/ou valorizam a celebração com um brinquedo novo, existe sempre a possibilidade de construir algum com a criança ou participar de uma feira de troca de brinquedos. Além de sempre poder brincar e trocar experiências com outras crianças, as crianças têm a oportunidade de escolhas vinculadas ao seu próprio desejo e de exercitar a negociação de objetos de acordo com seus próprios anseios e valores.

Então, fica aqui um convite: por que não comemorar o Dia das Crianças celebrando a infância com o que as crianças mais precisam: presença e livre brincar?!

Livros que inspiram brincadeiras

Ler pode ser uma divertida brincadeira. Brincadeiras podem estar dentro de um divertido livro (ou lixeira, gaveta, guarda roupa, revisteiro…). Então, que tal aproveitar a leitura de livros que, além de divertirem, alimentam a imaginação e incrementam o brincar?

Uma caixa se transforma em carro, montanha, prédio, robô, barco, balão, foguete.

Não é uma caixa / Antoinette Portis. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

Não é uma caixa / Antoinette Portis. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

Vira casa, castelo, janela, túnel, berço ou um gostoso escorregador nos montinhos e montões dos jardins das cidades, das areias das praias, dos morrinhos da roça.

Um retalho da cortina deixa de ser um presente sem graça quando ele vira babador, tapa-sol, vela de barco, lenço para ouvido, paraquedas ou lencinho do adeus.

Um presente diferente / Marta Azcona; ilustrações de Rosa Osuna. São Paulo: Callis, 2008.

Um presente diferente / Marta Azcona; ilustrações de Rosa Osuna. São Paulo: Callis, 2008.

Panos se transformam em cabana, coberta, capa de super-herói, vestido de princesa, lenço de pirata, sling de boneca, tipoia de braço, balanço e por aí vai. Quanto mais pano, mais encantamento e diversão!

Entre os panos, pode haver um lenço, que vira penteado, vestido de princesa, manto real, e tantas outras coisas, permitindo que o universo feminino adulto entre no infantil pela via do faz de conta.

O lenço / Patrícia Auerbach. São Paulo: Brinque-Book, 2013.

O lenço / Patrícia Auerbach. São Paulo: Brinque-Book, 2013.

E o jornal? Se ele é fonte de notícia para o pai, para o filho ele é um brinquedo e tanto! Vira barco, prancha de surf, avião. Permite viajar como e para onde quiser. Só não vale esquecer o chapéu!

O jornal / Patrícia Auerbach. São Paulo: Brinque-Book, 2012

O jornal / Patrícia Auerbach. São Paulo: Brinque-Book, 2012

Para a criança, qualquer objeto ganha vida. Um balde se transforma em cesta mágica. O coador, em chapéu com furinhos para o cabelo respirar. Um graveto, em varinha de condão. A cama dos pais, em pula-pula! Ou vai dizer que isso não é brinquedo?

Isso não é brinquedo / Ilan Brenman; ilustrações de Maria Eugênia. São Paulo: Scipione, 2007.

Isso não é brinquedo / Ilan Brenman; ilustrações de Maria Eugênia. São Paulo: Scipione, 2007.

As páginas destes livros inspiram e encorajam a transformar o banal em bacana. Experimente, invente, junto e ao lado de seus filhos, novas brincadeiras. Depois, conte pra gente como foi. Assim, todos nós teremos mais inspiração para brincar com aquilo que não parece um brinquedo. Pelo menos num primeiro olhar. Boa leitura, e brincadeira!

Livro-imagem: histórias que se conta sem texto

Todo livro apresenta um pouco do mundo, real ou imaginado. Alguns trazem respostas. Outros nos alimentam com perguntas. Nossas histórias revelam o que lemos, e o que lemos alinhavam nossa história. É por isso que os livros são um grande espelho da alma, humana e nossa.

Imagine, então, um livro feito apenas com imagens, sem palavras. Assim é o livro-imagem, uma espécie de espelho que potencializa a projeção de nosso mundo interno, na medida em que permite cada leitor construir um texto singular a partir do que ele lê (vê) em cada página. Ele nos dá liberdade para sonhar e nos entregar na leitura e no universo mais íntimo de cada um de nós.

O livro-imagem atinge todos os públicos, alfabetizados ou não, crianças ou adultos. Através dele apuramos nossa capacidade de observar, imaginar e criar.

Para quem ainda não tem o domínio da escrita, como é o caso de crianças pequenas, estes livros dão a autossuficiência da leitura sem a presença leitor-interlocutor, o que ajuda ainda mais a despertar o desejo pela leitura e a expressão de pensamentos e sentimentos.

Embora a leitura dos livros-imagens confira autonomia à criança, é importante que em alguns momentos ela seja mediada por um adulto. Pedir para a criança contar o que lê é uma maneira de adentrar e acompanhá-la em seu mundo interior, ajudando-a a conhecer e reconhecer o que lhe toca mais profundamente. Por isso, os livros-imagens são interessantes não apenas do ponto de vista intelectual e estético, mas também emocional – são excelente recurso para iniciar ou mergulhar em conversas difíceis e delicadas. Basta deixar a criança lê-lo como bem quiser. Basta deixar a palavra com a criança!

No mês em que se comemora o Dia das Crianças, que tal celebrar a infância dando a palavra para elas?! Quer uma ajudinha? Participe do sorteio do livro-imagem O Cântico dos Cânticos, de Angela Lago, editado pela primeira vez em 1992 e reeditado agora pela editora Cosac Naify.

Nesta edição, O Cântico dos Cânticos, releitura do eterno e sagrado texto de mesmo nome, e considerado a obra-prima da autora, traz novo tratamento gráfico e textos de apoio de Edmir Perrotti e o exclusivo para esta edição, de Ferreira Gullar.

Como diz a autora em entrevista para o livro Traço e Prosa, ele é “um livro muito aberto, sobre o encontro e desencontro. E sobre o eterno retorno”. Por isso o livro apresenta uma circularidade inconclusa, podendo ser lido do início para o fim, de trás para frente, de cima para baixo ou vice-versa. Um pouco como um divertido brinquedo.

Para participar do sorteio, consulte o regulamento clicando aqui . Boa sorte!

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Por que alguns pais estão tirando os brinquedos-tela de seus filhos?

Até um tempo atrás, um brinquedo só saía de cena pelas mãos de um adulto, quando a criança aprontava alguma. O brinquedo era tirado como forma de castigo, punição ou resolução de conflito.

Atualmente, além destas conhecidas e comuns situações, alguns pais começam a tirar de seus filhos um brinquedo que eles mesmos ofertaram: as telinhas. Desta vez, não porque a criança causou, mas porque o uso do “brinquedo” começa a mostrar um lado que muitos não acreditavam existir:

1) As telas ditam o que deve ser feito. É ela que domina a criança, e não o contrário. O que a princípio parecia uma ferramenta interativa e educativa, começa a ser visto como uma dominação corpo-mente. A criança deixa de ser quem decide, respondendo a mecanismos solicitados/esperados pelo “brinquedo”. De ativa, a criança torna-se passiva, o que é extremamente empobrecedor para seu potencial criativo e, consequentemente, seu desenvolvimento global.

2) Os brinquedos-tela exigem, em muitas situações, uma maturidade que a criança ainda não tem. Esta imaturidade para operar a máquina só é percebida quando situações reais aparecem – passar longo período do dia diante de seu magnetismo (deixando de lado outras formas de brincar), comprar jogos ou acessar conteúdos sem autorização (mesmo sabendo que não é permitido), se ver instigado ou obrigado a vencer e vencer, ter e ter, entre outras. Como toda máquina, os brinquedos-tela, especialmente os conectados à rede, precisam de um operador que o domine; um operador que realmente seja capaz de saber o momento de parar e prosseguir em todas as ações, para que ele possa dominar a máquina e não ser dominado por ela.

3) Os eletrônicos distanciam cada vez mais pessoas de pessoas. Momentos que poderiam ser ricos para troca e interação tornam-se momentos de isolamento e desinteresse pelo que está ao redor. Se o relacionamento afetivo e a curiosidade que o mundo desperta são motores para o aprendizado, as crianças debruçadas na tela estão sendo privadas do modo mais genuíno da díade ensinar-aprender.

Isto faz pensar em algumas questões importantes e necessárias que não se esgotam numa resposta única:

1) Estes “brinquedos” são para criança?

2) Existe momento certo para oferecer um brinquedo-tela à criança?

3) Orientar, limitar acesso, conteúdo e tempo de uso é suficiente?

4) É possível um uso seguro – no sentido mais amplo da palavra – das telas pela criança?

Compartilhe conosco sua experiência e o que pensa sobre esta questão!

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