Rotina com bebês: por que ela é tão importante?

Quando a rotina é rígida e inflexível demais, a vida corre o risco de ficar bem sem graça. As atividades viram meio robotizadas, perdendo o colorido dos encontros cotidianos. A criatividade cede lugar para o engessamento e muitos acabam se perguntando qual o sentido de viver de uma forma que parece tão pouco viva. Poder escapar do “fazer sempre do mesmo jeito, na mesma hora e no mesmo lugar” é essencial para a saúde humana.

Com os bebês, no entanto, é diferente. A rotina, que imprime o ritmo constante e previsível de determinadas ações, é essencial para a organização psíquica do bebê, que, aos poucos vai podendo compreender o que acontece com ele e com seu entorno. Isso inclui quando, onde e como as ações que o envolve são realizadas.

Embora seja necessário criar uma rotina desde o nascimento, sabemos que logo que o bebê nasce, mãe e filho estão se conhecendo, tanto no que diz respeito aos ritmos biológicos quanto às maneiras de se relacionar; é uma fase de muita experimentação. Na medida em que ambos vão revelando como são e jeitos de estarem juntos, passa a ser possível começar a estabelecer um ritmo regular nas ações cotidianas.

Antecipar o que vai acontecer e nomear o que está acontecendo com o bebê é de extrema importância para minimizar a angústia dele diante daquilo que ele ainda está por conhecer e compreender. Por isso os pequenos rituais são tão importantes neste comecinho da vida.

Conforme o bebê cresce, seus ritmos e preferências vão sendo conhecidos, o que torna possível ajustar alguns aspectos da rotina do bebê à rotina familiar. Essa transição é gradual e deve levar em consideração as constantes transformações do bebê.

Ao atender verdadeiramente às demandas do bebê estabelecemos com ele uma conexão física e psíquica primordial para o desenvolvimento de sua segurança e, consequentemente, autonomia.

Embora pareça um pouco precipitado pensar em autonomia num recém-nascido que depende em demasia de um adulto, é desde os primeiros dias de vida que damos condições ao bebê de um dia tornar-se um ser seguro e cada vez mais independente. Por isso sua rotina deve sempre levar em consideração suas necessidades físicas e emocionais, especialmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê está se ajustando à vida extrauterina. Na prática isso significa, por exemplo, que não dá para alimentar um bebê que está sem fome porque aquele é o horário da alimentação, ou mantê-lo acordado, mesmo com ele esboçando todos os sinais de sono, porque o pai ainda não retornou do trabalho para casa. A rotina do bebê só deve ser ajustada às condições do cuidador ou do ambiente quando estas interferirem diretamente na demanda do bebê, como é o caso de ser banhado no momento do dia em que a mãe tem alguém ao seu lado que lhe dá segurança para exercer esse cuidado, ir ao pediatra no horário em que ele costuma dormir ou ser alimentado, entre outros.

Construir a rotina do bebê a partir das pistas por ele oferecidas, e não por uma imposição do ambiente, não o transforma em alguém centralizador e mimado. Ao contrário, essa é uma condição essencial para o desenvolvimento integral dos seres humanos. O que leva uma criança ser centralizadora é sua insegurança e dificuldade em lidar com as frustrações.

Frustrar um bebê não é deixá-lo chorando. Desde o início da vida somos tomados pela marca de nossa incompletude. No caso dos bebês, essa marca pode ser traduzida pelos pequenos tempos de espera. Quando um bebê chora e dizemos “já vou te pegar”, sinalizamos nossa presença, nomeamos ao bebê nossa compreensão de que ele precisa de algo e isso é o que o permite suportar temporariamente aquilo que lhe falta (alimento, colo, carinho, mudança de posição, etc.). Na medida em que essas ações se repetem, o bebê vai construindo seu repertório interno de ser e estar no mundo, aprendendo, cada vez mais, que em muitos momentos não terá “tudo” como no momento em que vivia no útero materno.

A rotina com bebês não robotiza. Sua previsibilidade, com seus pequenos tempos de espera e outras pequenas falhas ambientais, é o que permite a constituição de um sujeito seguro e autônomo, na infância, adolescência e vida adulta. O que robotiza é cair no modo automático de cuidar do bebê. Para isso não acontecer, a receita é simples: conexão verdadeira, uma entrega de corpo e alma!

Birra dos 2 anos: uma oportunidade de aprendizagem para pais e filhos

Uma mãe nos pergunta: “Gostaria de saber como intervir nas birras  e auxiliar a criança quando ela está com 2 anos de idade”.

Do ponto de vista psíquico, um bebê nasce fundido à sua mãe, como se ele e o ambiente fossem uma coisa só. Durante seu desenvolvimento, sua principal tarefa consiste em diferenciar-se deste ambiente (primeiramente a mãe; depois a família e seu meio social) para alcançar autonomia e independência.

Aos 2 anos, a criança, em geral, já se reconhece como um ser não mais fusionado e totalmente dependente de seu meio. Ela diz “eu” (ao invés de o nenê ou o João, para se referir a ela) e “é meu” (para defender o que deseja ou é sua propriedade). Em meio a esse reconhecimento de si mesma e do outro, a criança vai se posicionando no mundo, integrando suas experiências e construindo sua própria identidade. Consequentemente, ela se expressa de forma mais ativa para satisfazer-se e afirmar para si e para o mundo o que é importante para ela.

Nesse esforço de diferenciação e validação de seus próprios desejos e pensamentos, nem sempre a criança consegue comunicar com clareza o que ela está vivenciando. Ela chora, grita, faz escândalo, se joga no chão, esperneia, agride, entre outros comportamentos, como forma de explicitar o que quer, sente, pensa e vivencia com ela mesma e nas relações com as pessoas à sua volta.

Como as crianças aos 2 anos não conseguem transformar claramente em palavras o que querem, sentem, pensam e vivenciam (esse é um processo bastante complexo, que implica em articulações que vão além de um vasto vocabulário), as birras se tornam comum diante da dificuldade verbal e de compreensão do que está sendo solicitado, sentido, desejado e pensado. Muitas vezes, temos a sensação de que as birras surgem “do nada”, sem motivo aparente ou por um motivo que para muitos olhos não têm razão de existir. Outras vezes, elas são vistas como um querer fora de hora ou uma chatice desnecessária. Isso, porque elas podem decorrer de pensamentos e/ou sentimentos não verbalizados pela criança e/ou compreendidos, ou mesmo ouvidos, pelos adultos.

Com as birras, as crianças comunicam seu desconforto. Portanto, elas também são uma maneira encontrada pela criança de solicitar atenção e cuidado, de demonstrar que uma necessidade física não está sendo atendida (como sono, fome e dor), de expressar sentimentos como estresse (excesso de estímulo), tédio, angústia, insegurança, medo, entre outros.

As birras infantis, além de serem uma forma de comunicação, são um “teste de poder” por parte das crianças. Na medida em que seu “eu” vai se manifestando e as experimentações se ampliam, é natural que a criança experimente até onde ela e quem está ao seu redor pode ir. Ao mesmo tempo, crianças tentam compreender os limites (os delas e os que lhe são impostos) e, ainda, questionar aquilo que não vem delas. Com isso, um “não” diante de seus desejos, ou um pedido ou regra vinda de fora podem se tornar bem desagradáveis a elas. Vamos lembrar que nesta idade as crianças demonstram seus desejos na espera de conquistá-los, mas precisam aprender a lidar com a frustração quando o que almejam não é alcançado. Sendo assim, as birras são também uma oportunidade de ensinar a criança sobre os limites que a vida impõe.

Algumas crianças são mais insistentes e resistentes, fazendo birras constantes; outras manifestam tais comportamentos de forma mais amena. Por que será? O que as crianças querem nos dizer quando esperneiam, não escutam (ou fingem não ouvir) e batem de frente com o adulto?

Estas questões nos fazem pensar sobre as relações entre crianças e adultos, principalmente seus cuidadores. Relações mais permissivas, mais agressivas ou rígidas; relações sem afeto, sem limites claros e definidos (ou ambíguos); relações de manipulação, marcadas pela indisponibilidade de cuidado e atenção, ou ordens/regras rígidas e em excesso, são alvo de desentendimentos e birras infantis (e aqui incluo os adultos, que podem se comportar de maneira birrenta também). Crianças que não são atendidas em suas necessidades físicas e emocionais são mais propensas às birras.

Então fica a pergunta final: Será que algumas birras não são um pedido de ajuda da criança? Apesar de ser um momento que comumente nos afastamos dos pequenos, as birras são um convite ou uma convocação da criança para que os adultos possam ajudá-la a reconhecer e entender o que ela vivencia e experimenta em seu mundo complexo e com tantas descobertas. Crianças nesta idade precisam ser contidas pelo adulto, pois não conseguem ainda se acalmar sozinhas, principalmente quando estão diante de uma tempestade de emoções que ainda não entendem.

Cabe ao adulto tentar nomear o que se passa com a criança para que ela possa aprender a reconhecer o que sente, validar o que pensa, entender o que pode, e assim encontrar outras maneiras de se expressar.

A birra pode ser um momento de compreender o que a criança solicita e de ensiná-la sobre o que é possível ou não dentro do seu desejo. Que tal parar, ouvir e conversar para que estas birras não se estendam?!

Para além da diversão dos álbuns de figurinhas

Dia desses deparei-me com este texto enquanto eu juntava minhas próprias ideias sobre álbuns de figurinhas. Nele, encontrei inquietações muito próximas às minhas.

Colecionar um álbum de figurinhas pode ser muito divertido; pode aproximar pessoas, ser uma forma interessante de aprender/ensinar e se relacionar. Para as crianças em processo de alfabetização, por exemplo, os álbuns de figurinhas podem se transformar em aprendizado ou treino matemático, na medida em que possibilitam reconhecer e escrever os números, contar, agrupar e calcular.

Ao descolar e colar o adesivo, ajustar cada figurinha dentro da área demarcada, bater bafo, enrolar elástico no monte, a criança exercita sua motricidade fina. Ao se apropriar do álbum, ela se responsabiliza e cuida do que é seu. Através das trocas, a criança adquire um bem fora da relação de consumo e media situações de conflito em busca de soluções.

Em se tratando do álbum da Copa do Mundo, a criança pode, ainda, conhecer um pouco de História e sentir-se pertencendo à História.

Embora os álbuns de figurinhas tenham um caráter lúdico e até mesmo educativo, não dá para esquecermos que ele faz parte de um grande jogo publicitário; por isso mesmo, não dá para sermos ingênuos e crer na “bondade” da editora do álbum da Copa que distribui gratuitamente seu produto até em escola de educação infantil (veja o relato no texto acima linkado).

Ora, o negócio da empresa não é vender álbum, mas sim figurinha. O negócio da empresa é vender a possibilidade da completude – o sonho de todos os mortais, seres incompletos por natureza, que o tempo todo está em busca de preencher suas lacunas.

Se de um lado a busca pela completude é o que nos move para a vida, de outro, é também o que nos leva a muitas atitudes impensadas e desenfreadas, que buscam a satisfação imediata independente das consequências que um ato possa ter.

Quando nos deparamos com um álbum de figurinhas em branco, entramos, mesmo que em nível inconsciente, em contato com nossas faltas. Assim, sem perceber, ao colecionar um álbum, revelamos nossa relação com o mundo. Em se tratando de um colecionador-criança, este revela tanto sua relação com seu entorno quanto a de seus pais para com ele. Daí encontrarmos tantas maneiras diferentes de se colecionar um álbum.

Há quem sinta a necessidade urgente em completar o álbum, pois o vazio dos campos não adesivados é insuportável – o mesmo insuportável gerado pelo tempo de espera e pela frustração em não ter o que se deseja no momento em que se deseja. Há quem não se contente com apenas um álbum; diante do preenchimento de um primeiro, o sujeito busca completar o segundo, o terceiro, e assim por diante, porque “ter” concretamente é o que o faz sentir-se existindo, potente, capaz. Mas há também – ainda bem! – quem consegue colocar algum limite frente à paixão de colecionar, controlando o impulso da satisfação um pouco a serviço da razão. Há quem foque as trocas, um valor tão importante e ao mesmo tempo tão esquecido quando as relações de consumo entram em cena. Há quem aproveita a experiência para aprender/ensinar; para estar mais junto, conhecer, descobrir.

O álbum de figurinhas pode ser um rico instrumento de relação e aprendizagem quando não é destinado às crianças como mais um produto a ser consumido. Para isso, não basta que os pais apenas comprem/deem dinheiro para a aquisição de figurinhas ou as troque pelos filhos. É preciso estar perto, observar como a criança suporta a espera, se coloca nas relações de trocas e sente-se no meio de outros colecionadores. É preciso, acima de tudo, descolar essa vivência de uma experiência puramente de consumo, o que certamente implicará em alguns nãos, mas principalmente na capacidade de cada um em lidar com seus vazios e com a condição de incompletude inerente ao ser humano.

* Este texto foi originariamente publicado no MILC (Movimento Infância Livre de Consumismo), em 20/05/2014.

Dinheiro: um valor que não é apenas monetário

Dinheiro tem valor monetário, de igual valia dentro de uma sociedade, povo e cultura. É moeda de troca usada na compra de bens e serviços; uma unidade de medida e denominador comum em um determinado mercado. Mas, cada um de nós lida com ele de maneira diferente. Isso porque o dinheiro tem um valor que vai além de uma ou muitas moedas.

O dinheiro fala da relação que estabelecemos com o mundo, da importância que atribuímos às coisas que nos rodeiam. Ele está vinculado a valores éticos, morais, pessoais, estéticos, familiares e sociais; um valor que não é o mesmo que regula os bens e serviços.

Dinheiro nos remete, antes de qualquer coisa, à sobrevivência e às necessidades, mas também aos sonhos e desejos, aos impulsos e anseios. Fala de disciplina, controle e planejamento; e ainda, das vontades e possibilidades momentâneas ou futuras. Está ligado a uma ordem psíquica/emocional inerente ao ser humano: a busca pelo sustento e pela satisfação.  Integrado aos princípios e valores de vida, a relação estabelecida com o dinheiro nos mostra não apenas como ele é utilizado, mas também sua importância para cada indivíduo, família ou sociedade.

Nas sociedades pautadas pela lógica do mercado e capital, onde as relações de troca são mais do que mediadas, mas determinadas pelo dinheiro, há de se pensar em como o dinheiro atravessa as relações afetivas. “Ter”, sinônimo de poder, tem cada vez mais se transformado em sinônimo de “ser”: quanto mais temos, mais “completos” nos sentimos.  Da mesma forma, mecanismos de aquisições de bens e serviços têm feito parte desse sistema de relações que tenta preencher lacunas emocionais. Quantas vezes um pedido de “eu quero” de um filho representa um pedido de atenção e não de um brinquedo. Ou, a necessidade dos pais em dar tudo para o filho representa suas dificuldades em adiar, esperar e se frustrar.

Frustrações, insatisfações, diferenças de ordem social e afetiva, marcadas pelo limite, não são substituídas  por bens materiais. Apesar de promover sensações imediatas e momentâneas de realização e plenitude, o consumismo desenfreado e alienado pode revelar a dificuldade que adultos e crianças têm em adiar satisfações ou tolerar a falta de algo, levando-os, muitas vezes, a entrar em um círculo vicioso de um consumismo totalmente impensado, inconsciente, inconsistente e não sustentável, seja ambiental ou emocionalmente.

Como é importante poder pensar – a sós e, muitas vezes, junto com as crianças – o real motivo de um pedido e/ou desejo para tal aquisição. Ele pode ser um simples “querer por querer”, mas pode também ser uma tentativa de comunicar sua dificuldade em estar inserida num grupo, sua necessidade de ter mais atenção, companhia, etc. O desejo de uma criança precisa ser validado, mas não necessariamente acatado; precisa ser nomeado para que ganhe sentido e valor para a criança e sua família.

Temos visto os altos sacrifícios, substituições financeiras em situações que envolvem o afetivo e não o monetário, mudança de valores e convicções pessoais facilmente corrompidas no meio de consumo vivido nos dias de hoje.  E ainda, relações afetivas sendo compensadas e/ou preenchidas por algo que compramos ou ganhamos. O custo financeiro, e o custo pessoal e emocional que envolve a educação das crianças são distintos, não podendo ser medidos com a mesma “moeda”. Disponibilidade afetiva e financeira não é a mesma coisa, o que não nos permite misturá-las ou compensá-las uma na outra.

Quando falamos em necessidades e desejos, adultos, para que possam nortear as crianças, precisam ter claro quais são os anseios da criança e o que a ela é fundamental, apontando a elas esta diferença e ajudando-as a diferenciar aquilo que a ela é imprescindível ou não. Ao mesmo tempo, adultos devem ter claro para si suas obrigações e desejos consigo próprio e para com a criança, sendo coerentes quanto aos valores e critérios que direcionam as aquisições feitas, para que não haja deslocamento quanto à origem e relevância das necessidades e desejos de ambos.

A verdadeira educação financeira é um trabalho contínuo e diário, vinculado a uma boa conversa onde se transmitem valores que vão além do monetário. Ensinar à criança o quanto custa sem deixar de considerar o seu valor, seja ele afetivo ou material, é educá-las financeiramente, mas também para a vida!

Quando a criança diz que tem uma idade diferente da sua idade cronológica

Um pai, cuja filha está com 4 anos e meio, diz que a filha, quando indagada sobre sua idade, responde ter 6 anos. E acrescenta: (…) “isto está sendo uma constante. Faz parte da fantasia da criança? Como agir? Corrijo na hora e na frente das pessoas ou só corrijo no particular?” (…).

A idade dos 4 anos é um marco para muitas crianças, já que representa uma transição entre ser uma “criança pequena” e uma “criança média”. Em geral, as crianças adoram estas denominações porque sabem que não são nem tão pequeninas, nem tão grandes – o que, de fato, é uma sábia percepção de si mesma.

Uma criança com 4 anos e meio que diz ter 6, pode estar dizendo que já é capaz de fazer coisas que meninas com 6 anos (e portanto, com 4 anos e meio também) fazem; por exemplo, tomar banho ou se limpar sozinha depois do uso do vaso sanitário, escolher suas roupas, servir-se nas refeições, ou qualquer outra atividade que ela já se sinta capaz de desempenhar por si só ou com mais autonomia.  Mas ela também pode estar dizendo que gostaria de fazer coisas que imagina que somente as crianças com 6 anos (ou mais) fazem. Neste caso, esta situação pode ser apenas uma brincadeira de faz de conta ou uma maneira de lidar com a frustração daquilo que ela ainda não é capaz de realizar.

Em qualquer destas situações, corrigir a criança em sua idade é uma intervenção ineficiente. Se existe algo que ela sabe e não precisa ser lembrada é a idade que tem (ela sabe muito bem!). O mais importante é observar em quais momentos ela diz ter idade diferente da cronológica para verificar se há relação a alguma situação em especial, bem como perguntar-lhe o que uma criança com 6 anos faz. De acordo com a resposta será possível inferir se ela está fantasiando “ser maior” do que é, ou se está pedindo para ser tratada pela idade que tem (casos em que a dinâmica familiar a coloca no lugar de “ser pequena”).

Assim como algumas crianças nesta faixa etária dizem que são mais velhas, há as que dizem que são mais novas ou que querem voltar a ser bebê. São crianças que podem estar sendo forçadas a realizar algo que ainda não estão preparadas física e emocionalmente, ou que temem perder situações ou objetos que lhe são importantes, como chupeta, mamadeira, fralda, paninho, atenção dos pais, etc. Embora tais comportamentos sejam frequentes diante de mudanças (nascimento de irmão, retorno da mãe ao trabalho, entrada na escola, entre outras), eles fazem parte do processo de amadurecimento. Por isto, costumam aparecer concomitantemente ao discurso de ser mais velha e não por malandragem, como quando a criança joga com o que lhe é mais conveniente.

Crescer é andar na espiral, para cima e para baixo, com dois passos para frente e um para trás. Quando a criança é compreendida neste movimento de vai e volta e é acolhida em seus temores e frustrações, ela pode, no seu ritmo, assumir a idade que tem, sem que isto seja motivo de preocupação.

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