“O Bico”, livro de Ilan Brenman

Leonor, uma garota conhecida na família como a senhorita bicuda, vivia com bico no rosto desde que acordava, até a hora que ia dormir, não importasse o que estivesse fazendo.

Certo dia, o pai da menina comunicou à família que iriam para a fazenda da avó. Leonor, como sempre, de bico. Lá, ao decidirem fazer um passeio no meio de uma pequena floresta, a menina se afastou da família e acabou se perdendo.

Sentada embaixo de uma árvore, percebeu que algo caíra em sua cabeça. Era um tucano. Ao olhar para ele, e admirada com a beleza daquela ave, Leonor sentiu que ele tinha algo que lhe era familiar. Frente a frente, hipnotizados um pelo outro, a menina bicuda emocionou-se quando o tucano encostou seu bico no dela. Naquele momento, descobriu o que havia em comum entre eles – O BICO. Neste instante, seus pais gritam pelo seu nome, o tucano abriu asas e voou e Leonor correu em direção a eles. A família se abraçou e a menina, ao olhar para a copa da árvore, recordou o encontro dos bicos e abriu um delicioso sorriso.

A partir deste dia, Leonor substituiu seu bico por um sorriso. Em uma bela manhã de domingo, no zoológico, a menina sem BICO encontrou-se com uma hiena e percebeu que tinha algo familiar com aquele animal: o sorriso.

Com esta história, o autor nos convida a refletir sobre alguns comportamentos automatizados e perceber que, podendo escolher mudá-los, ou não.

Quando somos “tachados” pelos outros como bicudos, briguentos, “marrentos”, ou recebemos qualquer outro rótulo, acabamos por incorporar estes comportamentos, impedindo-nos (e aos outros também) de ver outras características que temos ou podemos desenvolver.  Como resultado, restringimos nossa possibilidade de vivenciar algo diferente do habitual.

Este livro, leve, porém de conteúdo profundo, é uma ótima oportunidade para adultos e crianças poderem pensar sobre seu próprio jeito de ser, abrindo oportunidades de escolhas e transformação.

O Bico / Ilan Brenman; ilustrações de Noemí Villamuza. São Paulo: Editora Moderna, 2014.

O Bico - Ilan B.

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“Marilu”, livro de Eva Furnari

Às vezes tudo parece chato, bobo, cinza, sem graça. Marilu achava o mundo a sua volta assim, até ver uma menina com uma lanterna de papel de seda colorida como um arco-íris.

Encantada com o que vira, quis saber onde encontrar uma daquela. A menina lhe contou: “numa loja vermelha, desde o chão até a telha”. Marilu não teve dúvida, foi até a loja, mas encontrou-a fechada. Sentou e esperou.  Os Pimpolhos, donos da loja, chegaram cantando uma música cômica. Marilu não se ateve às palavras cantadas, mas percebeu que eles, mesmo desafinados, cantavam felizes e entusiasmados.

Dentro da loja, a garota que não via as cores da vida se encantou com tanta cor. Pediu a lanterna, que não tinha no momento. A ideia de ter que esperar até o dia seguinte não agradou Marilu, que aos gritos exclamou: “Chatildos, burraldos, bestônicos, cracolhos!”. Os Pimpolhos acharam divertidas aquelas palavras inventadas e responderam com outras palavras também engraçadas.

No dia seguinte Marilu comprou a lanterna e uma roupa vermelha. No caminho de volta, percebeu que suas novas aquisições haviam perdido as cores. Muito brava, voltou na loja para reclamar, sem muito sucesso. Um dos Pimpolhos foi mostrando-lhe um lado da vida que Marilu desconhecia: da diversão, do bom humor. Depois de muita risada, Marilu notou que as cores tinham voltado!

Se o enredo de Marilu nos faz pensar no quanto às vezes vivemos sem enxergar as cores da vida, as rimas (marca das obras de Eva Furnari) nos ensinam que palavras que parecem palavrões podem se transformar numa divertida brincadeira. Cor ou xingamento, só vê e ouve quem quer! Ou como quer.

Marilu / Eva Furnari. São Paulo: Moderna, 2012.

Faixa etária sugerida: 5-8 anos.

 Marilu

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