Brinquedos e brincadeiras para bebês de 9 a 12 meses

O desenvolvimento motor deste trimestre é, sem sombra de dúvida, uma enorme conquista para os bebês e motivo de orgulho para quem está à sua volta. Num curto período de tempo os bebês adquirem competências que os permitem se deslocar para onde querem: engatinham (em alguns casos, “andam” sobre os joelhos ou rastejam com o bumbum), escalam, ficam em pé com apoio e andam, mesmo precisando ter suas duas mãos seguradas. Tais aquisições lhes confere maior autonomia e amplia sua sociabilidade. Todavia, em função da locomoção, e claro, da entrada na fase do mexe-em-tudo, a segurança do ambiente precisa ser revista.

Muitos especialistas recomendam a colocação de redes ou grades de proteção nas janelas, portas e outros vãos, cantoneiras nos cantos das mesas, traves de segurança em armários e vasos sanitários, “amarradores” nos fios elétricos (para impedir enforcamento), assim como a retirada de objetos de decoração e similares do alcance do bebê para evitar acidentes.

A prevenção de acidentes, indiscutivelmente, precisa fazer parte do cotidiano dos bebês, mas é importante que ela não inviabilize sua livre locomoção e exploração. É preciso garantir que dentro de casa, ambiente onde o bebê vive, possa ser por ele conhecido, inclusive para que ele aprenda e reconheça onde moram os perigos – isso facilitará sua análise dos perigos no mundo afora. Como os bebês são bastante diferentes em temperamento, é necessário avaliar o quanto toda essa parafernália serve para proteger ou impedir suas descobertas. Da mesma forma, a disponibilidade (de tempo e emocional) do adulto precisa ser considerada, mas sempre lembrando que nesta idade a criança precisa da supervisão do adulto, mesmo quando brinca bem sozinha. O segredo é encontrar a justa medida entre segurança e liberdade, que varia conforme as particularidades de cada caso.

Entrando na fase do mexe-em-tudo, inicia-se também a fase do não proferido pelo adulto. Como forma de proteger a criança dos perigos que a cerca, é bastante comum seu cuidador dizer “não mexa aí”, “aí não pode”, ao invés de acompanhá-la em suas explorações, explicando-lhe o que a impede de explorar aquilo que lhe desperta atenção. Estas pequenas intervenções, ao mesmo tempo em que ensinam a criança sobre as coisas da vida, autorizam-na ser a curiosa, o que é essencial para os processos de aprendizagem atuais e futuros.

Se de um lado sempre existem limitações àquilo que o bebê deseja experimentar, de outro é preciso garantir-lhe uma vasta oferta de possibilidades. O bebê precisa poder abrir uma porta de armário ou uma gaveta que tenham coisas que possam ser arremessadas para longe, [tentar] subir numa cadeira que não seja leve a ponto de tombar, ter acesso a objetos dispostos em seus cantos de circulação que sejam diferentes e interessantes, e por aí vai. O ambiente onde vive um bebê precisa permitir suas explorações e descobertas; precisa permiti-lo brincar. Para isso, não são necessários brinquedos sofisticados e caros. Aliás, alguns dos recomendados para esta faixa etária, como os andadores e as mesas de atividades, não são tão benéficos como muitos imaginam.

Os andadores têm venda proibida em alguns países e não são recomendados pela Sociedade Brasileira de Pediatria por apresentar riscos de traumatismos e atrasar o desenvolvimento psicomotor da criança. Já as mesas de atividades, embora cheia de cores, sons e formas, são pobres na oferta de texturas, movimentos e exploração livre pela criança. Quando a criança fica em pé sem apoio, qualquer móvel ou objeto baixo e firme cumpre com primazia a função das mesas de atividades; basta dispor sobre eles objetos com formas, tamanhos, texturas, sons, cor e materiais distintos (caixas, potes, tecidos, chocalhos, brinquedos de madeira) para garantir que o bebê se entretenha, investigue e aprenda. Enquanto o bebê só engatinha, esses objetos devem ser colocados no chão para que ele possa ter a possibilidade de exploração.

Quando os bebês experimentam a postura ereta por eles mesmos, muitos se recusam a ficar sentados; eles querem estar no chão seguindo em suas investigações. Para que o momento da alimentação não se transforme numa guerra, alguns cuidadores utilizam-se do recurso das telas para entreter os pequenos. Com esse gesto, impedimos que este momento seja prazeroso pela ingestão do alimento e vínculo estabelecido com quem o alimenta. Uma boa alternativa é disponibilizar um brinquedinho (relacionados ou não à alimentação – prato, copo, talheres) e/ou pedacinhos de alimentos para que a criança possa brincar e se alimentar sozinha (na presença do adulto!).

Entre os 9 e 12 meses não é apenas a capacidade de locomoção do bebê que amplifica sua sociabilidade. Os bebês começam a apontar para o que desejam, bater palma, esboçar o aceno do tchau, imitar expressões faciais, gestos e alguns sons que ouve, convocando seu cuidador a entrar na brincadeira. Aproveite essa gostosa e importante fase brincando com conversas, músicas e leituras. Nesses diálogos, inclua gestos e expressões faciais, variações rítmicas e sonoras (por exemplo, falar mais alto e bem baixinho), nomeações de partes do corpo e o nome do bebê e brincadeiras como seu mestre-mandou. Isso estreita o laço afetivo entre o bebê e seu cuidador, e favorece o desenvolvimento de sua percepção corporal e linguagem.

Durante as brincadeiras é comum o bebê desviar do foco proposto pelo adulto ou pelo brinquedo. O bebê costuma se interessar mais por explorar as partes de um brinquedo e observar seus efeitos do que pelo brinquedo todo ou aquilo que ele objetiva. É por isso que os brinquedos sofisticados nem sempre são os mais interessantes ao bebê, que pode se divertir muito mais com o fio amarrado em um carrinho do que com o carrinho em si, assim como desfrutar mais com a destruição de uma torre de caixas empilhadas do que com sua construção.

A repetição de uma mesma brincadeira, nessa etapa do desenvolvimento, é uma constante. Ela ajuda os bebês a aprimorar habilidades motoras e desenvolver aspectos cognitivos, como o aprendizado de relação entre uma ação e sua consequência (causa-efeito). Aqui, amar uma bola que rola de um canto a outro ainda não define nenhum jogador(a) de futebol!

Ingresse nessa aventura de exploração com seu bebê resgatando a criança que te habita! Brinque junto; o bebê precisa da presença humana para crescer saudável.

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Brinquedos e brincadeiras para bebês de 6 a 9 meses

Entre o sexto e nono mês de vida o bebê adquire algumas competências que mudam por completo a maneira como ele vê e é visto pelo mundo: senta sem apoio, rasteja e engatinha (alguns ficam em pé com apoio). Ao mesmo tempo, outras conquistas motoras, como os movimentos de pinça (junção do polegar e indicador) e de transferência de um objeto de uma mão para outra com intencionalidade, incrementam e ampliam suas possibilidades de exploração. Olhos, mãos e boca passam a trabalhar coordenados.

Em realizando mais movimentos, o bebê passa a ter mais autonomia, podendo encontrar outras formas de realizar o que deseja e de se comunicar (desde esticar os bracinhos quando quer colo, até balbuciar – inicialmente, duas sílabas, como “ma”, “pa”, “ba”, ainda sem nenhum significado). Como resultado dessa autonomia, os pedidos de colo e os choros diminuem consideravelmente. Sua sociabilização se amplia, o que leva muitos pais a considerar essa como uma das fases mais gostosas de estar com o bebê.

Ao contrário da ideia de “quanto mais o bebê se movimenta, mais ele precisa estar contido” (vide a oferta de produtos que “prendem” o bebê em um determinado espaço físico), esse é um momento em que o bebê precisa de uma área ampla e segura para se movimentar com liberdade. Rever os espaços da casa é fundamental, assim como garantir o conforto das roupas e sapatos.

Limitar o movimento do bebê mantendo-o em berços, cercadinhos, carrinhos, cadeirinhas, bebê-conforto ou similares é inibir sua capacidade de interação, exploração, descoberta e aprendizagem. Em outras palavras, é desperdiçar suas potencialidades que pulsam com tanto vigor e contribuem diretamente para seu desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo e social. Aqui vale uma nota: a liberdade de movimento e exploração nessa faixa etária é o maior estímulo que o bebê pode ter.

Se não é possível ter um adulto cuidador dedicado ao bebê durante todo o tempo em que ele está desperto, é importante garantir algum espaço em que ele possa estar seguro, preferencialmente podendo olhar e ser olhado a certa distância pelo cuidador, para que não lhe reste como única alternativa estar contido em uma dessas parafernálias que só trazem benefício ao cuidador.

Não podemos esquecer que o bebê explora e conhece o mundo com todo o corpo. Utiliza-se de seus olhos, mãos, pés, pernas, braços, barriga, boca. Daí a necessidade de um ambiente que propicie, além da segurança, diversidade de experiência motora e sensorial. Diversidade, no entanto, não significa quantidade de brinquedos, mas variedade de formas, texturas, sons, tamanhos, materiais e volumes com os quais o bebê possa estar em contato nos momentos de vigília.

Para um bebê se mexer, conhecer, comparar, reconhecer, interrogar, relacionar, questionar, querer e aprender não é preciso disponibilizar brinquedos sofisticados. Aliás, como a maioria desses são feitos de plástico e de sons eletrônicos, estes são os menos recomendáveis, na medida em que não oferecem a variedade de estímulo sensorial e motor que o bebê necessita.

Uma ideia bem interessante para fugir dos brinquedos plásticos e com sons eletrônicos é criar para o bebê o chamado cesto dos tesouros, que deve conter elementos do cotidiano da família (aqueles que não têm cara de brinquedo, mas são, ao menos sob a experiência do bebê, como os sugeridos por Illan Brenman em Isso não é brinquedo!). Além de oferecer uma gama de experiências, o bebê tem a possibilidade de explorar objetos “proibidos”, mas extremamente interessantes para ele e para o desenvolvimento de sua percepção, raciocínio e motricidade.

Outros objetos que não podem faltar na caixa de brinquedos dos bebês dessa faixa etária, e maiores, são:

– Blocos, caixas e potes de  tamanhos distintos: trabalham principalmente a coordenação motora e a possibilidade de conter e esconder um dentro do outro.

Tecidos e/ou fitas de tamanhos, estampas e texturas diversas: propiciam o treino de pinça fina e permitem a brincadeira de esconde-esconde.

– Brinquedos macios: no chão, tornam-se obstáculos ao corpo do bebê. Na boca, massageiam a gengiva que se prepara para a erupção dos dentinhos. Como os paninhos, podem se transformar num objeto transicional.

– Objetos com sons variados.

– Objetos refletores: espelho, panela de alumínio, bacia de inox.

– Elementos da natureza: casca de árvore, folha, pinha, etc.

– Fantoches e dedoches.

– Bola, cilindro, argola.

Um “brinquedo” que os bebês adoram, mas nem sempre lhes é dada a oportunidade para explorá-lo, é a comida. As refeições podem ser muito prazerosas se ao bebê for permitido explorar com as próprias mãos aquilo que ele come e os utensílios que compõem esse momento, como pratos, talheres, copos e babadores. Um divertido e inspirador livro infantil que aborda essa questão é o Não brinque com a comida!, de Dalcio Machado.

Embora os bebês com seis meses ou mais dispendam um bom tempo brincando sozinhos, a presença de um adulto cuidador é imprescindível em grande parte do tempo. É nessa presença física e afetiva (concomitantes) que o bebê constrói o senso de segurança e sua capacidade de estar só – sem falar no sempre necessário fortalecimento do vínculo.

A partir dos seis meses, o bebê começa a ter noção de que ele é um ser mais integrado e diferente daqueles com quem ele se relaciona, o que torna fundamental a participação do adulto em uma das mais importantes e prediletas brincadeiras do bebê nessa fase da vida: as brincadeiras de descontinuidade. Entre elas, os clássicos jogos de arremesso de objetos e Cadê? Achou!.

Mesmo que o bebê brinque de esconder um objeto numa caixa ou debaixo de um paninho, ou jogue para longe a colher durante a refeição, é fundamental que o adulto participe desses jogos. Na medida em que simbolizam a presença e a ausência (o aparecer e o desaparecer), eles ajudam a criança tanto no processo de diferenciação eu-outro quanto a suportar os momentos de separação mais duradouros, como por exemplo, a saída dos pais para o trabalho. O que pode parecer bobo ou demasiadamente repetitivo para o adulto é essencial para o bebê. Por isso, brinque muito com ele e, junto, ouse a descobrir e experimentar brinquedos que não têm nome de brinquedo, mas são de uma riqueza ímpar para o desenvolvimento do bebê!

Enxoval do bebê: o que as listas prontas não contam

O enxoval do bebê é um capítulo grande na vida de quase todas as gestantes. Além de atender materialmente as necessidades do bebezinho que está por vir, ele envolve sonhos, desejos e expectativas que nutrem a importante função de imaginar o bebê que se espera, seu lugar na família e no mundo. Através de sua execução, o bebê se torna mais presente e real na vida dos que o aguardam, o que contribui tanto para o processo de subjetivação do bebê quanto para a construção dos novos papeis daqueles que estabelecem com ele algum laço afetivo, em especial sua mãe e seu pai.

Se por um lado o ritual de preparação para a chegada do bebê propicia a vinculação, por outro, não podemos ignorar os atravessamentos familiares e sociais na relação com o novo serzinho. Do ponto de vista familiar, o enxoval é desenhado pelas histórias e tradições de cada família, seus anseios, receios, crenças e valores. Do ponto de vista social, ele reproduz um sistema marcado pelo excesso e pelo imediato, tanto em sua forma – hoje é possível encontrar em um só lugar tudo o que o bebê “precisa” para os vários momentos de sua vida – como em seu conteúdo. Basta observar as listas de enxoval para bebês para ver o quanto elas são entupidas de necessidades desnecessárias, que podem tornar-se desnecessidades necessárias conforme a demanda do bebê, da dupla mãe-bebê e da família.

A ideia de tudo vai ao encontro da fantasia de totalidade, de ausência de falta, presente em todos os humanos, mas potencialmente aguçada nas gestantes, que vivem, mesmo que em nível inconsciente, a fantasia da completude. Materializada no discurso de que “é preciso dar o melhor para o filho” ou de que “é melhor errar para mais do que para menos”, nosso contemporâneo não dá chances para primeiramente saber quem é este bebê e o que ele, a dupla mãe-bebê e a família realmente precisam. O tempo da espera e da descoberta é abolido em detrimento do tempo do ter e da prontidão, que preenche a angústia de aguardar e decodificar.

Nesse equivocado conceito de que boa mãe ou pai são aqueles que não deixam faltar nada para o filho, acaba prevalecendo um modelo de relação onde há pouco espaço para as frustrações e o imprevisto – a primeira, necessária para qualquer crescimento e, o segundo, inerente à vida.

Não é tarefa fácil distinguir o imprescindível do necessário, o necessário do desejo, o desejo do excesso, o eu do outro, ainda mais quando se trata de um bebê e sua mãe (ou cuidador). Quem precisa o quê? Por quê?

Tomemos como exemplo a babá eletrônica. Item presente na maioria das listas de enxoval, ela vende a ideia de que a atenção ao bebê jamais será perdida, já que é possível ouvi-lo (e em alguns modelos, vê-lo) dentro de uma determinada distância. De fato, a atenção ao bebê é imprescindível. Mas será que é necessário um aparelho que amplifique o choro do bebê, especialmente em imóveis pequenos, que permitem que os sons sejam ouvidos de qualquer ambiente do lar? Qual é o desejo que está em jogo?

Aqui entra em questão a necessidade do bebê de ser atendido versus as parafernálias que vão ocupando precocemente e de maneira nada consciente o lugar da relação. Na medida em que um objeto desnecessário intermedia a relação de cuidados para com o bebê, corre-se o risco de a mãe (ou cuidador) não aprimorar sua capacidade de observação diante das manifestações do bebê. Assim, o que deveria aproximar a dupla acaba, no decorrer do caminho, prejudicando a tão importante sintonia mãe-filho.

Em algumas situações, o objeto desnecessário pode minimizar a angústia materna de, por exemplo, estar separada do filho. Porém, sem entender o que gera essa angústia, o objeto torna-se um paliativo e a situação certamente se repetirá diante de outras vivências de separação.

Do mesmo modo em que há objetos que atravancam as relações, há aqueles que aparentemente promovem o desenvolvimento do bebê. São exemplos clássicos as cadeirinhas com ou sem vibrador, com ou sem brinquedinhos pendurados, cujo apelo é acalmar e/ou estimular os bebês (duas funções que por si só podem ser contraditórias – a estimulação excita e não tranquiliza). Para se desenvolver, o bebê precisa da presença humana e de um espaço que favoreça a livre exploração. Muitos se entretêm brincando com o próprio corpo. Por isso, mais uma vez a mesma pergunta: Quem precisa o quê? Por quê?

As listas de enxovais para bebês não levam em conta que cada bebê, dupla mãe-bebê ou família apresenta uma necessidade que lhe é única. Por mais que possam ser personalizadas (os baby planners e mommy’s concierges estão crescendo como mais um serviço para as futuras mamães – há de se pensar, inclusive, se esta não é uma antecipação dos cuidados terceirizados), elas priorizam o ter em detrimento do estar/ser, o tudo em lugar do suficiente, a garantia ao invés das incertezas e das descobertas, os objetos e não a relação.

Um bom enxoval deve ter o essencial para garantir o conforto e a segurança do bebê e de quem a ele dedica seus cuidados. Ele precisa, desde cedo, ter itens que favoreçam o bebê descobrir a si e ao mundo da maneira mais livre e espontânea possível. Acima de tudo, num contexto em que muitos produtos e serviços são tidos como essenciais, o enxoval do bebê precisa ser consciente e sustentável: consciente no sentido de buscar entender a necessidade de cada item contido nele, e; sustentável no que se refere à sustentação do vínculo, portanto, da conexão mãe-bebê, primordial para o desenvolvimento saudável do bebê.

Assim, por mais tentador que seja entrar numa loja de produtos para bebês, é preciso parar e pensar, pois não é apenas o bolso que está em questão, mas as relações que o entorno do bebê estabelece com ele e, mais tarde ele estabelece consigo e com o mundo.

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O Ninguém cresce sozinho oferece Rodas de Conversa sobre como preparar o enxoval do bebê. Para saber quando elas acontecem, consulte nossa Agenda.

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