Atendimento online a gestantes, puérperas, casais, pais e responsáveis pela educação de crianças entre 0 e 6 anos

Ano novo, novos encontros!

É com muito prazer que apresentamos um desdobramento do blog Ninguém cresce sozinho, o Rodas de Conversa Ninguém cresce sozinho.

O Rodas de Conversa Ninguém cresce sozinho é um espaço virtual de acolhimento a gestantes, puérperas, casais, pais e responsáveis pela educação de crianças entre 0 e 6 anos. O acolhimento se dá por meio de encontros individuais ou grupais, mediados por uma das psicólogas de nossa equipe. Os encontros buscam reconhecer os recursos de cada mulher e homem, ajudando-os a dar novos significados à experiência materna/paterna e, assim, propiciar que cada mulher/homem possa fazer escolhas mais livres e conscientes em sua tarefa de ser mãe, pai e se relacionar com a criança.

Em nossa Agenda você encontra as datas e horários de nossos próximos encontros, aqui os grupos que oferecemos e  aqui como o site funciona.

Vem pra Roda com a gente!

Abraço,

Equipe Ninguém cresce sozinho

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Temos que falar sobre isso

Neste texto escrevi um pouquinho sobre o quanto os blogs maternos – e outras redes sociais – têm cumprido com um importante papel no apoio e, consequentemente, na construção da identidade de muitas mães.

As vivências da maternidade, incluindo a gestação e o parto, são intensas e muitas vezes bastante solitárias. Viver cada uma destas experiências em silêncio geralmente é muito perturbador. Falar sobre elas é um caminho para elaborar o que foi vivido, e assim, encontrar novos significados para a experiência. Por isso, mães contam e recontam inúmeras vezes sobre sua gravidez, parto, pós-parto, amamentação, relação com a família, com o bebê, com o trabalho e sobre tudo que muda com a maternidade.

Temos que falar sobre isso é uma dessas redes de apoio virtual. Idealizada por Thais Cimino, o Temos que falar sobre isso é uma plataforma de relatos anônimos de mães que tiveram depressão pós-parto, transtornos ligados à saúde mental na maternidade, transtornos no período perinatal (desde a concepção até o primeiro ano do bebê), dificuldades durante a gravidez, problemas com amamentação, perda gestacional, partos traumáticos e violência obstétrica. A plataforma também reúne uma série de textos sobre estes temas, incluindo os publicados pelo Ninguém cresce sozinho.

Clique aqui para conhecer esta rede! Ou junte-se a ela pelo Facebook.

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Parir é mais do que dar à luz a um bebê

A maneira como a mulher vive a gestação, o parto e o pós-parto refletem de modo significativo na relação que ela estabelece com o bebê e na construção da maternidade. Por isso, a atenção que ela recebe ao dar vida a alguém deve levar em conta não apenas o corpo biológico, mas também sua subjetividade.

A experiência do parto, mesmo sendo curta em comparação ao tempo do gestar e dos primeiros meses de vida do bebê, é profunda e, muitas vezes, transformadora. Uma mulher que pode participar ativa e positivamente em seu parto, comumente experimenta, com muita intensidade, elementos que estarão presentes ao longo de sua jornada materna. Entre eles destaca-se:

Tempo de espera: o tempo do trabalho de parto é um tempo determinado pelo bebê. Respeitar este tempo significa suportar a existência do “outro” e do desconhecido, o que, ao longo da relação com o bebê facilita reconhecer o que é de cada um.

Conexão emocional: uma mulher conectada a si mesma é uma mulher que pode estar inteira em sua vivência. Isso lhe possibilita (re)conhecer não apenas sua potência mas também seus próprios limites. (Re)conhecer os próprios limites é um dos exercícios mais difíceis e necessários na maternidade. Este reconhecimento garante não apenas a integridade dos espaços físico e mental da mãe como também ajuda a construir os do bebê. Mesmo estando psiquicamente fusionado à mãe, o bebê pode ser por ela reconhecido como alguém diferente dela.

Dor e prazer: a experiência de suportar e transcender a dor coloca a mulher como protagonista da própria história, impedindo-a que fique numa posição passiva. A mãe “sabe”; a mãe pode experimentar porque confia em suas percepções e sensações. Mais confiante, ela transmite maior segurança ao bebê.

Embora sejam inúmeras as vantagens de uma mulher entrar em trabalho de parto, prevalece em nossa sociedade um número excessivo de cesárias previamente agendadas desnecessariamente.  Não é por menos. Vivemos o tempo do imediato, da analgesia e da conexão desconexa. Esperar torna-se, em muitas situações, insuportável. Nosso tempo é o tempo do entupimento, o tempo em que não se vive a falta, o vazio, a dor. Por ínfima que esta seja, ela precisa ser aplacada por um agente externo porque nem sempre encontramos mecanismos internos ou apoio vindo do ambiente para minimizá-la. Estamos conectados a tudo, a todos, mas não a nós mesmos, o que dificulta reconhecer nossas demandas e as demandas do meio ao qual estamos inseridos. Consequentemente, fica difícil reconhecer aquilo que o bebê necessita e solicita.

Uma mulher que não tem um parto normal desenvolve a capacidade de conectar-se verdadeiramente ao seu bebê (a adoção é um exemplo disto). No entanto, observa-se que este tempo pode ser um pouco maior ou mais turbulento, já que a mulher deixa de se beneficiar da quantidade de substâncias naturais que o corpo produz para a recepção do bebê.

Quando uma mulher opta por um ou outro tipo de parto, porque ela pode fazer a opção e não porque ela não tem escolha (por imposição ou por necessidade clínica), ela diz de sua relação com seu corpo, seu psiquismo e seu bebê. Se de cara ela diz que quer programar uma cesárea é muito provável que ela esteja capturada pelo tempo do imediato, da analgesia e por fantasias que lhe são perturbadoras. Um silêncio consentido de quem a acompanha (lembrando que não é apenas o médico que tem este papel, mas todos que estamos à sua volta) aborta a oportunidade de trazê-la para o tempo da espera, do desconhecido, da dor, mas também do prazer e da descoberta. Essa é uma mulher que pode ser convidada a pensar nessa captura, mas jamais deve ser “forçada” a um parto vaginal – dependendo como ela está capturada por esse tempo e fantasias, o parto natural pode ser uma violência.

A gestante que recebe um falso apoio ou uma imposição contrária ao parto que ela almeja (não estou me referindo a situações em que a saúde da mãe e/ou bebê está em questão) recebe também a mensagem de que seu desejo não tem valor. Emocionalmente, esta mulher fica esvaziada num momento em que precisa de muita entrega ao bebê. Por isso, é fundamental que as conversas com a equipe que a acompanha durante a gestação e o parto sejam francas e continentes. Para confiar e se entregar, a relação com a equipe e com quem está perto dela, como a família e amigos, deve ser honesta e levar em conta a singularidade de cada mulher e situação.

O tempo do gestar, do parir e do maternar pedem um tempo que não corre no relógio. Um tempo em que o apoio e o respeito à mãe e ao bebê são a essência para um vínculo forte e saudável. Apostemos neste tempo!

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