O que fazer quando a criança demora para falar?

Por Adriana Fontes Melo* e Ana Paula Dias Fernandes Pacheco**

O advento da fala de um bebê é tão esperado que não é de estranhar que muitas vezes a ansiedade dos pais diante das primeiras palavras faz com que peçam a seus filhos a repetição dessas para que amigos e familiares aproveitem deste momento especial. O bebê, por sua vez, entra no jogo, ora repetindo, ora se negando a reproduzir suas novas aquisições. Essa é uma cena clássica, atual, e se repete tantas vezes que só nos damos conta de um impasse quando as palavras adquiridas vão sumindo conforme a demanda de repetição. Contudo, se os pais se dão conta e cessam a demanda, a criança retoma o curso de aprendizado, sem que esse processo seja retardado.

Ainda nesse tempo das primeiras palavras, lembramos que o bilinguismo, aquisição de mais de uma língua, naturalmente se dará em um período mais extenso; crianças com irmãos mais velhos podem falar mais cedo do que um filho único, e gêmeos criam uma linguagem própria, o que pode resultar em um menor interesse, da parte desses pequenos, em desenvolver uma fala articulada para a comunicação com os adultos.

Nos casos acima descritos, percebemos que não há interrupção no processo de aquisição da linguagem e que as crianças dão conta de prosseguir com o aparecimento de novas palavras assim que se sentem confortáveis em retomar a palavra como meio de comunicação.

Aqui a pergunta se faz para casos em que a ausência da fala não é “autoexplicativa”, ou seja, os movimentos da família e da circulação social do bebê não se desdobram a favor dessa forma de comunicação, a saber, a fala. Nesses casos, geralmente recorre-se a Pediatras e Educadores, e em seguida os encaminhamentos mais específicos podem levar a criança a Fonoaudiólogos, Psicólogos ou Psicanalistas.  A posição a partir da qual falamos é a de Psicanalistas, que trabalham as questões da linguagem na prática clínica.

O ato do nascimento impele o choro, que é recebido com muita alegria porque esta manifestação representa vida.  Nos momentos seguintes, o choro irá representar tantas outras coisas que aqueles que cuidam do bebê serão convocados a descobrir o que esse som enuncia, excetuando-se apenas os bebês com problemas no aparelho fonador, já que mesmo em casos de deficiência auditiva ou de surdez, o som da voz está presente (na surdez somente o aparelho auditivo está comprometido). O fonador, responsável pela capacidade em emitir sons, estará preservada e a comunicação poderá ocorrer contando apenas com estes sons, com sons e com sinais, ou apenas com os sinais.

Nesse tempo é esperado que quem escuta o bebê possa dizer-lhe algo sobre o que supõe estar sendo comunicado por meio do choro, isto é, irá verbalizar suposições sobre: fralda suja, fome, calor, frio, sono. Exemplo: “Ah! Então quer dizer que você está me pedindo… está me contando…”. Esse diálogo dá ao choro lugar de apelo; ou seja, o choro não será mais uma mera reclamação, mas contará sobre o que o bebê sente. Não é incomum ouvirmos: “…xi, chorando desse jeito, já sei que é fome!”. Igualmente importante, é que o banho, a mamada, a troca de fralda e os outros cuidados cotidianos sejam acompanhados de uma conversa com o bebê – “eu sei que você ficou chateado por tirar a roupinha, mas agora a mamãe vai te colocar numa banheira com água quentinha” – e que ela dê um tempo para que ele responda com um sorriso ou mesmo com um olhar, e continue: “Você gostou? Percebo por esse sorriso que você gosta de tomar banho…”.

O ensaio e erro dessa fase, que permite saber sobre o choro e descobrir do que não se trata para supor uma assertiva, prepara a próxima etapa: o bebê pode apontar para o que quer. Esse caminho indica que muito antes de um bebê murmurar a primeira palavra, ele aprende as regras da linguagem e se utiliza desses códigos para se comunicar, até que as primeiras palavras surjam como resultado do que foi percebido e praticado.

O fato de que alguns bebês respondam mais rapidamente para aquilo a que foram mais estimulados, parece bem usual; que eles convoquem aquele que não está presente, parece bem natural; que eles só pronunciem o que querem se alguém não o fizer por ele, pode até parecer cruel, mas como subestimar seres tão atentos e dispostos a receber do outro os códigos da vida?

Essa pergunta tem a intenção de encorajar os pais e todos os que têm alguma forma de relação e cuidado com os bebês, a incentivar que esses pequenos peçam o que não têm à mão, ou mesmo o que querem além disso. Que desejem, demandem e que, no esforço para conseguir, sintam o prazer da conquista e possam continuar “dizendo sobre eles mesmos”.

A palavra falada é uma das possibilidades de comunicação. Entretanto, a fala não se restringe à articulação das palavras e, por ser um meio de comunicação muito expressivo, a ausência da produção de fala passou a ser um dos indicadores para uma melhor observação dos riscos no desenvolvimento infantil. As crianças têm características bem diferentes e o fato de serem mais quietas, ou agitadas, “é coisa de criança”. Porém, se percebemos um exagero e se esse nos levar a pensar em inibição ou hiperatividade, tanto um como outro podem representar dificuldades dessas crianças no meio social em que vivem (família, creche/escola, vizinhança).

A inibição é um recurso bastante usado nas fases iniciais do desenvolvimento de uma criança e pode ser lida como defesa contra a angústia de não conseguir se comunicar, por exemplo. A hiperatividade também pode ocorrer em decorrência da dificuldade na comunicação, já que implica em uma agitação motora, dificuldade na aceitação da lei e pode ainda se apresentar sob forma de condutas agressivas. Estes são exemplos que nos permitem pensar em sinais de alerta para que as etapas do desenvolvimento infantil sigam com mais possibilidades do que impasses.

As etapas do desenvolvimento infantil não são concluídas em idades exatas. Justamente por isso, a Pesquisa Multricêntrica de Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDIs) foi criada pelo Grupo Nacional de Pesquisa em parceria com o CNPq e a FAPESP para auxiliar profissionais da área de saúde na avaliação de riscos. Elegemos apenas os itens que se referem diretamente à linguagem: estima-se que com idade entre 0 a 4 meses, “quando a criança chora ou grita, a mãe sabe o que ela quer”; que entre 4 a 8 meses “a criança utiliza sinais diferentes para expressar suas diferentes necessidades” bem como, “reage (sorri, vocaliza) quando a mãe ou outra pessoa está se dirigindo a ela”; de 8 a 12 meses mãe/cuidadores “compartilham uma linguagem particular com a criança”; de 12 a 18 meses “a mãe começa a pedir à criança que nomeie o que deseja, não se contentando apenas com gestos”. A referida pesquisa se encerra nessa faixa etária, mas podemos seguir marcando o período seguinte, de 18 meses a 2 anos, como a fase em que as palavras começam a aparecer em uma velocidade surpreendente e algumas crianças já esboçam pequenas frases: “É meu!”, por exemplo. De 2 a 3 anos, ela usará frases com 3 palavras, e seguirá aumentando esse repertório para expressar de modo cada vez mais preciso o que quer, contando o que fez.

Contudo, devido à complexidade da linguagem que requer da criança bom desenvolvimento orgânico (seja motor, fonador ou auditivo) e psíquico (constituição subjetiva do sujeito), essas aquisições podem ultrapassar os 3 anos de idade, necessitando de um tempo maior de amadurecimento em alguma etapa do desenvolvimento.

A percepção de que algo não caminha bem no desenvolvimento da fala, seja por situações comparativas a outras crianças (irmãos mais velhos, filhos de amigos, entre outros) ou a partir de espaços como esse, que sugerem um modo de observar, é muito importante para que se dê um encaminhamento preciso. Por isso, pais e educadores devem ficar atentos e solicitar a avaliação de um especialista quando: de 0 a 6, se os bebês param de balbuciar; de 9 a 15 meses, se o bebê ainda não pronuncia palavras ou se, ao final dessa fase, não se consegue entender nem supor o que está sendo pronunciado e até mesmo o surgimento de eventos como a gagueira ou outros não sumirem rapidamente.

O relato de sinais como os acima descritos e a observação durante a consulta de um especialista responderão se é o caso de intervir ou se é precipitado tratar, e nova avaliação deverá se fazer mais adiante. Pediatras e Educadores são profissionais que estão em constante contato com bebês e crianças e por isso um olhar cuidadoso e atento por parte deles pode possibilitar o encaminhamento para especialistas que poderão avaliar, no caso de: alterações auditivas, fonoaudiológicas, visuais, neurológicas ou questões psíquicas.

Cuidar a tempo é a justa medida para que esse precioso momento de desenvolvimento não retarde outros tantos que estão por vir. Para a Psicanálise a intervenção é considerada a tempo quando é possível perceber sinais que indicam uma dificuldade, antes mesmo que entraves impeçam ou atrasem a entrada do bebê/criança na linguagem.

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*Adriana Fontes Melo é Psicóloga Clínica (CRP 06/57316-8), Mestre em Psicologia Escolar do Desenvolvimento Humano IP-USP, Especialista em Distúrbios Globais do Desenvolvimento IP-USP. Psicanalista na clínica com crianças, adolescentes e adultos. Fez parte da equipe clínica do Lugar de Vida, aonde os atendimentos se davam a crianças com distúrbios de linguagem, transtornos globais do desenvolvimento e clínica com bebês (Núcleo de Intervenção Precoce-NIP).

**Ana Paula Dias Fernandes Pacheco é Psicóloga Clínica (CRP 06/1068-09) e Psicanalista, atende em psicoterapia crianças e adultos e faz orientação a pais e casais. Fez Aprimoramento em Terapia Familiar (PUC-SP) e no Projeto Espaço Palavra (PUC-SP) – atendimento clínico ao autismo e à psicose, da primeira infância à idade adulta. Especialização em Psicoterapia de Crianças e Adolescentes no CPPL-PE (Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem), Pós-graduação em Psicoterapia Psicanalítica Orientada ao Trabalho na Rede Pública de Saúde Universidad de Barcelona. Em formação psicanalítica no Centro de Estudos Psicanalíticos e integra o Programa de Formação Prática em Educação Terapêutica do Lugar de Vida.

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Medos que acometem as crianças

“Sou mãe do Joaquim, que completou 4 anos em julho desse ano. Ele é uma criança de personalidade tranquila e, por outro lado, de muita opinião. Ele sempre demonstrou alguns medos: de barulho, como fogos, liquidificador, furadeira; de brinquedos que tiram sua estabilidade, como o balanço; e também medo do mar.

Eu venho trabalhando com ele todas essas inseguranças; ele já melhorou em algumas e em outras ele ainda apresenta bastante resistência. O que tem me preocupado, é que recentemente ele está com dificuldade em dormir no quarto dele. A rotina dele começa por volta das 7:30; ele vai para a casa da vó, depois para escola a tarde e quando o pego na escola às 18:30, normalmente ele dormia no carro a caminho de casa e só acordava no dia seguinte. Hoje isso já não acontece mais. Quando chego em casa coloco-o na cama dele, vamos dormir e na madrugada ele acorda e vai dormir com a gente. 

Ele começou falando que estava com medo do escuro (comprei uma luzinha para deixar acesa), depois disse que o medo era dos bonecos que ficavam na prateleira (em conjunto escolhemos um lugar e guardamos os bonecos); agora disse que o triciclo que ficava no quarto dele estava virando monstro (fizemos então uma doação para outra criança, porque também ele já não brincava mais) e, por fim, agora está dizendo que tem monstro no quarto. Já não sei mais o que fazer. Aliado a todas essas tentativas comprei algumas literaturas para tentar deixá-lo mais tranquilo. Como vocês acham que devo proceder ou o que estou fazendo errado?”

Os medos surgem de situações diversas, sejam elas reais ou não, revelando desconfortos físicos e/ou emocionais. São como alarmes que disparam diante de vivências temerosas e ajudam a criança na defesa e proteção de sua integridade. Somente quando excessivos podem inibir ou paralisar a criança, uma vez que desencadeia ansiedade intensa.

Bebês e crianças são sensíveis a estímulos fortes (ruídos, flashes e movimentos repentinos, perda do apoio físico e outros) e são impactados por eventos que lhe causam estranheza, sensação de desproteção ou ameaça. A maioria dos medos está associada à instabilidade e à falta de segurança sentida pela criança, principalmente em situações desconhecidas, o que é totalmente esperado quando o mundo está sendo por ela investigado e descoberto.

Diante da percepção de certa fragilidade e vulnerabilidade, crianças manifestam medos: uma das maneiras de comunicar ao adulto que algo não vai bem e solicitar ajuda. A preocupação de que a situação ameaçadora volte a acontecer faz com que a criança se proteja antecipadamente, anunciando e evitando, através do comportamento temeroso, aquilo que lhe apavora.

Em um mundo a ser explorado, o receio do desconhecido e o medo da separação, abandono e/ou ausência das figuras que lhe trazem segurança, confiança e proteção assustam muitas crianças. O temor aparece quando sentem ou preveem o distanciamento dos pais ou cuidadores – medo de se perder do adulto em aglomerações, do escuro e de ficarem sozinhas; receio diante da aproximação de pessoas estranhas, de ir à escola e os pais esquecerem-na, é comum. Aos poucos, conforme a estabilidade retorna, o medo e o desconforto tendem a desaparecer.

A partir dos 3 anos de idade, a imaginação infantil entra em ação. Os medos extravasam o mundo real. Surgem os monstros, bruxas, fantasmas, criados pela própria fantasia e estimulados pelas histórias, desenhos e brinquedos infantis. O medo de ser atacada e aniquilada por estes seres assustadores, e muitas vezes agressivos, avassala o sono de muita criança e pais, tornando o medo do escuro muito maior. Isto acontece porque crianças representam e associam o medo através de figuras e objetos que são “feios”, assustam, devoram e matam. São os bichos-papões que vêm para ameaçar a nossa existência.

Lidar com estes medos que vêm da fantasia deixam muitos pais sem saber o que fazer. No entanto, não existe uma única maneira de proceder diante do medo. Entender os motivos que estão por trás dele é fundamental. É hora dos pais não terem medo de enfrentar o medo! Não fuja ou ignore os medos, nem zombe da criança pelos medos que ela tem.

Adultos devem incentivar a criança a conversar  sobre e com os medos.  Vale propor que a ela desenhe, cante e brinque com eles e tudo que os representa. Existem músicas e livros infantis  que falam do tema e ajudam as crianças a se aproximarem de seus medos e encará-los.

Para aquelas que têm medo do escuro ou dos monstros que ficam em seu quarto, é importante que ela  possa permanecer neste ambiente. Pais podem dormir com a criança até que ela se sinta mais confiante em ficar só com os seus pensamentos e fantasias. Mas, se o medo vem de situações concretas, como o medo de mar ou piscina, propicie momentos em que a criança possa brincar com água, mas, sem forçá-la. Aos poucos, em seu tempo, a criança vai aprendendo a se defender contra as ameaças e angústias e a confiar mais em si diante de situações que a assusta.

O importante é que adultos contenham a criança física e afetivamente, e auxiliem-na sempre que necessitar; um processo contínuo que se constrói através da segurança que lhe oferecemos. Um dia, o medo passa.

A conexão verdadeira com os filhos

Têm dois textos, esse e esse, escritos por Rachel Macy Stafford, professora de educação especial e autora do blog Hands Free Mama e do livro de mesmo nome, que chamam minha atenção pela quantidade de comentários de mulheres identificadas com trechos de seus escritos. Eu mesma já comentei sobre um deles aqui.

Parece-me que a identificação acontece porque encontramos em seus depoimentos os mesmos deslizes que cometemos com nossos filhos, como dizer “anda logo” ou gritar diante de uma situação banal.

Acredito que muitos desses comportamentos decorrem – em parte – do fato de estarmos conectados a muitas coisas ao mesmo tempo. Não me refiro apenas aos “excessos de distrações eletrônicas” por ela citado, mas também à necessidade de estarmos ligadas 24 horas a tantas outras, como a família, o trabalho, o conhecimento, a segurança, a saúde – só para citar alguns ou os principais.

O tempo todo convocamos e somos convocados a uma forma de conexão com o mundo bastante tarefeiro. Isso, sem dúvida, reflete na relação com os filhos, os quais acabam entrando “na lista” de deveres do dia: levar e buscar na escola, acompanhar lição de casa, alimentar, colocar para dormir, etc. É uma vida automática, rotineira, empobrecida em sua essência criativa. Vive-se ao lado, às vezes junto, mas raramente com os filhos (e outras pessoas). É uma conexão com tudo, mas não necessariamente uma conexão verdadeira.

Penso que é essa conexão verdadeira o que Rachel Macy Stafford e tantas outras mães tentam resgatar. Uma conexão que originalmente se estabelece na relação da mãe com seu bebê nos primeiros meses de vida, mas que acaba se perdendo conforme a criança vai ficando mais autônoma e independente.

Sabemos que a mãe precisa aos poucos retomar as outras coisas da sua vida, o que é bom e esperado, inclusive para que ela não se cole ao bebê. No entanto, se a conexão verdadeira não acontece de modo suficiente nos primeiros anos de vida (e não apenas nos primeiros meses), a criança muitas vezes acaba desenvolvendo uma falsa autonomia; ou seja, é uma criança que se vira na vida, é bem adaptada, mas no seu íntimo é insegura.

Se de um lado os “excessos de distrações” (eletrônicas ou não) contribuem para não nos conectarmos verdadeiramente a nossos filhos, de outro, a conexão pode não acontecer porque somos tomados pela criança que reside em nós. Também precisamos de colo, proteção, olhares atentos, escuta. Porém, tão parecido com os bebês e crianças, nem sempre conseguimos reconhecer nossas necessidades, nomeá-las e até mesmo pedir a quem está a nossa volta aquilo que precisamos (se é que entorno dá conta deste pedido!). Daí gritarmos, ficarmos descabeladas, mandarmos dos filhos andarem logo, deixarmos com que as crianças se ocupem de telas, etc. Nosso desamparo também impede a conexão com os filhos, seja em momentos pontuais ou contínuos. Se não cuidarmos dele, continuaremos conectadas às tantas tarefas rotineiras desenhadas por nossa cultura, distanciando-nos cada vez mais da verdadeira conexão, essencial para o desenvolvimento emocional das crianças e nosso.

Então, cada vez que mergulharmos em uma de nossas tarefas, sempre vale a pergunta: preciso mesmo cumpri-la ou ela entra no lugar de alguma outra coisa que não sei bem ao certo o que é – ou até sei, mas é difícil assumir?

A maternidade é uma oportunidade para o autoconhecimento. É pegar ou largar!

Retirada das fraldas: entre piratas e princesas

A retirada das fraldas é um grande desafio para muitas famílias e crianças. Em geral, esses desafios começam com perguntas simples, mas de respostas bastante complexas. Qual o melhor momento para iniciar o desfraldamento? Existe um método eficiente? Quanto tempo leva todo o processo? Uma vez retiradas as fraldas, existe chance de a criança voltar atrás? Vale a pena tirar a fralda do dia e da noite concomitantemente? As respostas dependem de cada criança!

Embora existam sinalizadores que indicam que a criança está fisicamente “pronta” para o início dessa aprendizagem (falamos sobre eles, e outras coisitas mais, aqui), seu sucesso está intrinsicamente ligado ao interesse e desejo da criança em ser grande, fazer xixi e cocô como as crianças maiores, o papai e/ou a mamãe. Isto significa que não basta o adulto julgar que é hora de iniciar o treino esfincteriano; é preciso respeitar o tempo da criança, dando-lhe condições de autonomia para o desenvolvimento dessa competência.

O Pirata Pedro e seu penicoA Princesa Polly e seu penico, livros da Editora Salamandra, são bem interessantes para serem lidos antes e durante o processo de retirada das fraldas. Sua grande sacada é que seus personagens são incluídos no processo de desfraldamento de tal forma que a essa aprendizagem transforma-se uma divertida aventura – com direito a escolha, brincadeira, espera, compreensão e comemoração; ou seja, tudo o que é necessário na aquisição de uma nova habilidade.

Ao ofertar o livro do Pirata Pedro para os meninos e da Princesa Polly para as meninas, oferecemos às crianças a possibilidade de identificação sexual, tão importante nessa fase em que as crianças estão percebendo as diferenças sexuais e aprendendo sobre elas.

O Pirata Pedro e a Princesa Polly e seu penico

A Princesa Polly e seu penico / Andrea Pinnington; ilustrações de Melanie Williamson. São Paulo: Salamandra, 2014.

O Pirata Pedro e seu penico / Andrea Pinnington; ilustrações de Melanie Williamson. São Paulo: Salamandra, 2014.

Faixa etária sugerida: a partir dos 18 meses.

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O Ninguém cresce sozinho oferece Rodas de Conversa sobre a retirada das fraldas. Para saber quando elas acontecem, consulte nossa Agenda.

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Do que as crianças precisam?

Do que as crianças precisam

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